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Pessoas que enfrentaram prisão, dependência química e situação de rua aprenderam um ofício, participaram da construção de um prédio de quatro andares e ajudaram a criar moradia para 500 pessoas na valorizada orla de San Francisco

Pessoas que enfrentaram prisão, dependência química e situação de rua aprenderam um ofício, participaram da construção de um prédio de quatro andares e ajudaram a criar moradia para 500 pessoas na valorizada orla de San Francisco

4 min de leitura

Pessoas que enfrentaram prisão, dependência química e situação de rua aprenderam um ofício, participaram da construção de um prédio de quatro andares e ajudaram a criar moradia para 500 pessoas na valorizada orla de San Francisco

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 15/08/2026 às 00:00

Construção, Indústria

O complexo residencial em San Francisco transformou uma obra de 34 mil m² em capacitação profissional para 300 participantes

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O complexo residencial em San Francisco transformou uma obra de 34 mil m² em capacitação profissional para 300 participantes. Construído em um quarteirão inteiro, o prédio reuniu moradias para 500 pessoas, comércio, restaurante, oficinas e espaços educacionais na valorizada orla da cidade.

Pessoas que enfrentaram prisão, dependência química e situação de rua participaram da construção de um prédio de quatro andares na orla de San Francisco. Durante a obra, 300 participantes aprenderam profissões da construção civil e ajudaram a criar moradia para cerca de 500 pessoas.

A Delancey Street Foundation, fundação responsável pelo complexo e pelo programa residencial, registra que a construção foi concluída em 1991. O empreendimento ocupa um quarteirão inteiro e soma aproximadamente 34 mil m² de área construída.

Além das moradias, o conjunto recebeu lojas, restaurante, café, livraria, oficinas profissionais e áreas educacionais. No centro do prédio, um grande pátio inspirado na arquitetura mediterrânea conecta os espaços de convivência e recreação.

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A própria fundação assumiu o comando da construção

A fundação não entregou toda a responsabilidade a uma construtora externa. Ela atuou como empreiteira geral, função que envolve organizar e coordenar as diferentes etapas de uma obra. Mimi Silbert ficou responsável pelo desenvolvimento do empreendimento.

Grande parte da construção e da supervisão foi realizada pelos próprios moradores. Assim, pessoas com pouca perspectiva de contratação passaram a lidar com tarefas reais, materiais, responsabilidades e rotinas de um projeto de grande porte.

Durante a obra, 300 participantes aprenderam profissões da construção civil e ajudaram a criar moradia para cerca de 500 pessoas

A participação não ficou restrita aos serviços mais simples. Os moradores tiveram contato com diferentes áreas da construção, enquanto os sindicatos do setor apoiaram o processo de capacitação profissional.

O canteiro virou uma escola para 300 participantes

A obra funcionou como uma sala de aula em tamanho real. Em vez de aprender somente por explicações teóricas, os participantes acompanharam a transformação de um terreno em um prédio de quatro andares destinado a 500 moradores.

O método seguia a lógica de cada um ensina um. Quando uma pessoa dominava determinada atividade, ela ajudava outro participante a aprender a mesma tarefa. O conhecimento circulava dentro da própria comunidade.

A Delancey Street Foundation, organização que administra residências e programas de capacitação, apresenta a experiência como formação profissional para 300 pessoas anteriormente consideradas incapazes de conseguir emprego. Essa descrição tem origem institucional, pois foi divulgada pela própria entidade responsável pelo projeto.

A capacitação foi além do trabalho no canteiro

Os participantes aprenderam diferentes atividades ligadas à construção civil. Porém, a preparação também alcançou compras, contratação de serviços, informática e contabilidade.

Essas funções são importantes porque uma obra não depende apenas de quem levanta paredes ou instala equipamentos. Também é necessário controlar materiais, organizar pagamentos, registrar despesas e coordenar fornecedores.

Dessa forma, o projeto ofereceu contato com tarefas manuais e administrativas. O objetivo não era apenas concluir o edifício, mas ampliar as possibilidades profissionais das pessoas envolvidas na construção.

O edifício passou a reunir moradia, trabalho e comércio

Depois da conclusão da obra, o complexo continuou funcionando como espaço de capacitação e atividade econômica. As lojas, o restaurante, o café e a livraria colocaram serviços abertos ao público no mesmo endereço das moradias.

Esses ambientes criaram novas oportunidades de aprendizado. Os moradores puderam participar de atividades ligadas ao atendimento, à organização de produtos, às compras e às rotinas administrativas.

O edifício passou a reunir moradia, trabalho e comércio

A página institucional não informa quanto os estabelecimentos arrecadavam nem qual parcela dessa receita era destinada à manutenção do conjunto. O dado seguro é que comércio e formação profissional permaneceram integrados ao complexo.

Os 34 mil m² ocupam quase cinco campos de futebol

A dimensão do empreendimento ajuda a entender o tamanho do desafio enfrentado pelos participantes. Os aproximadamente 34 mil m² de área construída equivalem a quase cinco campos de futebol.

Toda essa estrutura está distribuída por quatro andares. As moradias ficam acima das áreas comerciais e se voltam para o pátio interno, que concentra espaços educacionais, recreativos e de convivência.

O projeto não criou apenas blocos de apartamentos afastados da vida urbana. Ele aproximou casas, trabalho, comércio e capacitação dentro de um quarteirão localizado na valorizada orla de San Francisco.

Por que o modelo não pode ser simplesmente copiado

A experiência mostra que um terreno urbano pode receber mais do que unidades residenciais. Um mesmo espaço pode abrigar moradia, capacitação profissional, comércio e áreas coletivas, desde que essas funções sejam planejadas desde o início.

Uma proposta semelhante em terrenos públicos brasileiros precisaria definir quem administraria o complexo, quem coordenaria a obra e como seriam organizados o treinamento e a segurança dos participantes. Também seria necessário planejar o funcionamento dos espaços comerciais depois da construção.

A simples entrega do terreno não garantiria o resultado. O projeto de San Francisco contou com participação direta dos moradores, apoio dos sindicatos e uma instituição preparada para assumir a responsabilidade geral pela obra.

Se uma obra pode ensinar uma profissão e criar moradia ao mesmo tempo, por que as cidades brasileiras ainda costumam tratar esses dois problemas separadamente?

Fonte

Delancey Street Foundatio


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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