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Petrobras fecha acordo para abastecer navios noruegueses com combustível marítimo que mistura 24% de biodiesel e óleo mineral
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 11/08/2026 às 09:48
Atualizado em 11/08/2026 às 09:49
Petróleo e Gás
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Contrato com a Odfjell prevê o fornecimento de até 12 mil toneladas de VLS B24 durante 2026, com produção e abastecimento pelo Terminal de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.
A Petrobras começou a transformar um produto tradicional da indústria do petróleo em uma nova oportunidade no mercado internacional. A companhia fechou um acordo para fornecer combustível marítimo com 24% de biodiesel aos navios da armadora norueguesa Odfjell.
O contrato foi anunciado oficialmente em 15 de janeiro de 2026 pela Agência Petrobras. A operação prevê a entrega de até 12 mil toneladas de VLS B24 ao longo de 2026.
O produto será preparado no Terminal de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, e transportado até os navios por barcaças dedicadas. Na prática, a estrutura brasileira passará a abastecer embarcações envolvidas em rotas internacionais com uma mistura que substitui parte do combustível fóssil por um componente renovável.
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A iniciativa aproxima Petrobras, indústria naval, logística portuária e transição energética em uma mesma operação comercial.
O que é o VLS B24 fornecido pela Petrobras
O combustível contratado pela Odfjell é chamado de VLS B24. A sigla VLSFO vem da expressão inglesa Very Low Sulfur Fuel Oil, utilizada para identificar o óleo combustível marítimo com teor muito baixo de enxofre.
O número 24 indica a proporção de biodiesel presente na mistura. Cada 100 toneladas do produto possuem aproximadamente 24 toneladas de biodiesel e 76 toneladas de óleo combustível mineral produzido nas refinarias da Petrobras.
O resultado ainda não é um combustível totalmente renovável. Entretanto, a mistura diminui a dependência exclusiva do óleo de origem fóssil e pode ser utilizada em navios existentes, sem exigir a substituição imediata dos motores.
Essa característica ajuda a explicar o interesse das empresas de navegação. A frota mundial reúne milhares de embarcações que podem permanecer em atividade durante décadas. Trocar todos esses navios por modelos movidos a novas fontes de energia exigiria tempo e investimentos bilionários.
O B24 aparece como uma solução intermediária: permite incorporar uma parcela renovável ao combustível enquanto tecnologias como metanol verde, amônia, hidrogênio e sistemas elétricos ainda avançam comercialmente.
Terminal de Rio Grande fará a mistura e o abastecimento
O contrato também coloca o Terminal de Rio Grande, conhecido como Terig, em uma posição estratégica dentro da nova cadeia de combustíveis marítimos.
É no terminal gaúcho que o óleo mineral e o biodiesel serão misturados. Depois dessa etapa, barcaças dedicadas levarão o combustível até os navios da Odfjell.
O abastecimento ocorre de forma semelhante ao bunker convencional. Isso permite aproveitar tanques, sistemas de transferência, barcaças e outras estruturas portuárias que já fazem parte da operação marítima.
Essa adaptação é importante porque um novo combustível não depende apenas de ser produzido. Ele precisa estar disponível nos locais onde os navios atracam e possuir uma cadeia capaz de armazenar, transportar e entregar grandes volumes com segurança.
No caso da parceria com a Odfjell, Rio Grande passa a conectar a produção brasileira de combustíveis às exigências ambientais do transporte marítimo europeu.
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Paulo Nogueira
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Armadora transporta cerca de 600 tipos de líquidos
A Odfjell é uma empresa norueguesa especializada no transporte marítimo de produtos químicos e líquidos a granel. Sua frota possui mais de 70 navios e opera em rotas que atravessam as Américas, a Europa e a Ásia.
As embarcações transportam aproximadamente 600 tipos de líquidos, incluindo produtos químicos, ácidos, óleos comestíveis e derivados claros de petróleo.
A empresa também mantém escritórios em pontos considerados estratégicos para suas operações, incluindo a cidade de São Paulo, que apoia suas atividades na América do Sul.
O tamanho da frota e a presença internacional tornam o acordo relevante para a Petrobras. Em vez de uma entrega experimental ou isolada, o contrato estabelece um fornecimento que poderá ocorrer durante todo o ano de 2026.
A comercialização funciona, portanto, como uma vitrine para o combustível brasileiro diante de outras empresas de navegação que também buscam alternativas para reduzir a intensidade de carbono de suas operações.
Certificação acompanha a origem do componente renovável
O VLS B24 possui a certificação International Sustainability and Carbon Certification – EU, conhecida como ISCC EU.
Esse sistema acompanha a origem do componente renovável e estabelece critérios de rastreabilidade, sustentabilidade e cálculo das emissões ao longo da cadeia produtiva.
A certificação é especialmente importante no mercado europeu. Não basta uma empresa declarar que determinado combustível possui biodiesel. Ela precisa demonstrar a origem da matéria-prima e comprovar que o produto atende aos critérios ambientais exigidos.
O combustível fornecido pela Petrobras também atende à FuelEU Maritime, regulamentação da União Europeia que determina uma redução progressiva na intensidade das emissões dos combustíveis utilizados por navios que atracam nos portos do bloco.
As exigências aumentam gradualmente e pressionam armadores a combinar eficiência operacional, modernização das embarcações e utilização de combustíveis com menor intensidade de carbono.
Por isso, a venda do B24 não representa apenas mais um contrato de fornecimento. Ela insere a Petrobras em um mercado influenciado diretamente pelas novas regras ambientais do transporte marítimo.
Corredor verde conecta Brasil e Europa
A parceria com a Odfjell está relacionada à criação de um corredor marítimo verde entre Brasil e Noruega.
A iniciativa ganhou força a partir de um memorando de entendimento firmado pelos dois países para incentivar a circulação de navios abastecidos com combustíveis de menor intensidade de carbono.
Corredores verdes são rotas nas quais portos, armadores, fornecedores e autoridades trabalham para criar condições reais de utilização de combustíveis alternativos.
Isso envolve oferta regular, certificação, logística de abastecimento e cooperação entre os portos visitados pelas embarcações.
No caso da Odfjell, o combustível brasileiro poderá ser utilizado em navios que percorrem a rota entre o Brasil e a Europa. A disponibilidade no Terminal de Rio Grande ajuda a retirar o projeto do campo das promessas e levá-lo para a operação comercial.
Petrobras testou o combustível antes da venda em escala
A chegada ao contrato de 2026 foi precedida por testes, autorização regulatória e vendas menores.
Durante a fase de desenvolvimento, a Petrobras acompanhou o comportamento do combustível em situações reais de navegação. Foram observados consumo, potência dos motores, distância percorrida e funcionamento dos filtros, centrífugas e sistemas de purificação.
Segundo a companhia, não foram identificadas ocorrências atípicas nos motores ou nos sistemas de tratamento do combustível.
Em julho de 2024, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis autorizou a comercialização continuada do bunker com 24% de biodiesel pela Petrobras.
A empresa realizou uma venda na costa brasileira ainda naquele mês. Posteriormente, avançou para o mercado de Singapura e participou de testes com embarcações ligadas à Transpetro e à Vale.
O contrato com a Odfjell representa um novo estágio desse processo. O produto deixou de aparecer apenas em testes ou abastecimentos pontuais e passou a integrar um acordo de fornecimento internacional com volume definido.
Mistura reduz participação fóssil, mas navios continuam emitindo
Embora contenha uma parcela renovável, o VLS B24 não elimina as emissões produzidas pelos motores marítimos.
O combustível ainda possui 76% de óleo mineral, enquanto o próprio biodiesel também libera gases durante sua combustão. A avaliação ambiental precisa considerar todo o ciclo de vida, desde a origem da matéria-prima até a utilização no navio.
Também não é correto afirmar que a presença de 24% de biodiesel provoca automaticamente uma redução de 24% nas emissões. O resultado varia conforme a matéria-prima, o processo industrial, o transporte e a eficiência da embarcação.
O ganho está na substituição parcial do combustível fóssil e na utilização de um componente renovável certificado e rastreável.
Dessa forma, a solução funciona como uma etapa possível enquanto o setor marítimo desenvolve alternativas capazes de levar as grandes embarcações a níveis ainda menores de emissão.
Petrobras mira um mercado que começa a mudar de combustível
O transporte marítimo sustenta grande parte do comércio mundial. Navios carregam petróleo, minério, alimentos, produtos químicos, veículos e contêineres entre os continentes.
Ao mesmo tempo, a pressão para reduzir as emissões desse setor cresce. Armadores precisam encontrar soluções que funcionem em longas distâncias e sejam compatíveis com a infraestrutura dos portos.
A Petrobras entra nessa disputa utilizando sua capacidade de refino, sua experiência logística e a infraestrutura do Terminal de Rio Grande.
O acordo para fornecer até 12 mil toneladas à Odfjell não significa o abandono do petróleo nem a transformação imediata da navegação mundial. Contudo, revela como a companhia pretende ocupar espaço em um mercado no qual o combustível colocado dentro do navio será cada vez mais importante para definir as rotas que ele poderá percorrer.
Fonte principal: Agência Petrobras, publicação de 15 de janeiro de 2026.
Fonte
Petrobras
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

