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Peugeot afunda 26,4% no Brasil, fica abaixo de 10 mil emplacamentos em sete meses e aposta em uma gigante chinesa para tentar recuperar o espaço perdido antes que o encolhimento se torne ainda mais difícil de reverter

Peugeot afunda 26,4% no Brasil, fica abaixo de 10 mil emplacamentos em sete meses e aposta em uma gigante chinesa para tentar recuperar o espaço perdido antes que o encolhimento se torne ainda mais difícil de reverter

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Peugeot afunda 26,4% no Brasil, fica abaixo de 10 mil emplacamentos em sete meses e aposta em uma gigante chinesa para tentar recuperar o espaço perdido antes que o encolhimento se torne ainda mais difícil de reverter

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 19/08/2026 às 18:00

Atualizado em 19/08/2026 às 18:06

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A Peugeot atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente no Brasil. A marca ficou abaixo de 10 mil emplacamentos entre janeiro e julho de 2026, perdeu 26,4% do volume total

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A Peugeot atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente no Brasil. A marca ficou abaixo de 10 mil emplacamentos entre janeiro e julho de 2026, perdeu 26,4% do volume total, viu as vendas de automóveis desabarem 36,6% e agora encontra na parceria da Stellantis com a chinesa Dongfeng uma das principais apostas para reconstruir sua presença no país.

Entre janeiro e julho de 2026, a Peugeot emplacou apenas 9.983 automóveis e comerciais leves no Brasil, contra 13.572 unidades no mesmo período do ano anterior. A diferença representa uma retração de 26,4% em apenas doze meses e empurrou a participação da marca de 1% para apenas 0,61%.

Quando os comerciais leves são retirados da conta, o cenário fica ainda mais duro. Os automóveis Peugeot despencaram de 12.641 para 8.019 unidades, uma queda de 36,6%. Em outras palavras, mais de um terço do volume de carros de passeio da marca simplesmente desapareceu em um ano.

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A barreira dos 10 mil veículos tem forte peso simbólico porque expõe o tamanho do encolhimento. Uma marca que durante décadas construiu presença própria no Brasil agora opera com um volume cada vez menor e precisa encontrar rapidamente novos produtos capazes de reverter a perda de relevância.

O movimento aparece também no ranking. A Peugeot caiu da 17ª para a 19ª posição no acumulado dos primeiros sete meses. Em julho, foram apenas 1.228 veículos, número insuficiente para impedir que marcas recém-chegadas ao país começassem a aparecer à frente da fabricante francesa.

Como Peugeot chegou a esse ponto?

A queda de 2026 não nasceu de um único problema. A Peugeot chega a esse momento depois de anos de mudanças industriais, portfólio concentrado em poucos automóveis, enorme dependência das vendas diretas e uma estratégia comercial que não entregou o resultado imaginado pela própria Stellantis.

O sinal mais incômodo apareceu em 2025. Dos cerca de 21,1 mil Peugeot emplacados, ao menos 18,7 mil vieram de vendas diretas. Na prática, quase 9 em cada 10 unidades foram destinadas a canais como locadoras, empresas e frotistas, enquanto o varejo tradicional ficou com uma parcela muito menor.

Ao mesmo tempo, a Peugeot ficou dependente principalmente de 208 e 2008 para disputar o consumidor de automóveis. Sem uma avalanche de novidades capaz de renovar rapidamente a gama, qualquer perda de força desses modelos passa a atingir a marca inteira com muito mais intensidade.

A própria Stellantis já reconheceu que o posicionamento anterior de Peugeot e Citroën não produziu os resultados esperados. Agora, o grupo tenta separar melhor as duas marcas e colocar a Peugeot em uma faixa mais tecnológica e sofisticada.

É justamente aí que a Dongfeng deixa de parecer apenas uma parceira chinesa e passa a fazer sentido como parte da solução: Peugeot precisa de produtos novos, tecnologia e velocidade para reagir antes que o espaço perdido se torne ainda mais difícil de recuperar.

Quase 9 em cada 10 Peugeot de 2025 foram vendas diretas

Peugeot 208 em unidade da Localiza Seminovos, exemplo do peso das vendas diretas para a marca no Brasil. Em 2025, dos cerca de 21,1 mil Peugeot emplacados no país, ao menos 18,7 mil foram destinados a vendas diretas, incluindo locadoras, empresas e frotistas, deixando uma parcela bem menor do volume para o varejo tradicional.

O problema não começou em 2026. No ano passado, a Peugeot já havia fechado com aproximadamente 21,1 mil veículos vendidos, queda próxima de 19%. Mais impressionante ainda é que ao menos 18,7 mil unidades vieram de vendas diretas, destinadas principalmente a locadoras, empresas, frotistas e operações especiais.

Isso significa que quase 89% do volume ficou fora do varejo tradicional. Para concessionários, o número ajuda a explicar uma realidade desconfortável: vender milhares de carros no papel não significa necessariamente manter showrooms cheios, clientes particulares entrando nas lojas e uma rede comercial saudável.

Situação chegou ao ponto de lojas poderem “hibernar”

A pressão ficou tão evidente que Stellantis passou a permitir que determinados concessionários Peugeot e Citroën colocassem lojas em “hibernação” por até três anos. Em vez de abandonar imediatamente a bandeira, o empresário poderia suspender a operação e decidir posteriormente se valeria a pena retornar.

É uma medida incomum e que revela até onde chegou o problema. A crise de volume deixou de ser apenas uma sequência ruim de números e passou a afetar a própria estrutura física da rede, justamente o ponto de contato entre Peugeot e consumidor.

Quando a recuperação vira urgente, a China entra em cena

Linha de produção da Dongfeng Peugeot Citroën Automobile (DPCA), em Wuhan, na China, estrutura que ganhou peso estratégico após Stellantis e Dongfeng ampliarem sua parceria. A unidade está prevista para produzir, a partir de 2027, novos modelos eletrificados da Peugeot destinados à China e também à exportação, em um momento em que a marca francesa tenta renovar sua gama e recuperar espaço após forte queda nas vendas no Brasil.

É nesse cenário que a chinesa Dongfeng surge como uma peça cada vez mais importante. Stellantis e Dongfeng aprofundaram em 2026 uma parceria de 34 anos, com mais de 8 bilhões de yuans, cerca de 1 bilhão de euros, previstos para novos projetos industriais e tecnológicos.

A fábrica conjunta de Wuhan deverá produzir a partir de 2027 dois novos veículos eletrificados Peugeot, desenvolvidos com tecnologia Dongfeng e destinados também à exportação. Os Concept 6 e Concept 8 já antecipam parte dessa nova geração.

A empresa que pode ajudar Peugeot também quer vender no Brasil

A situação ganha uma dose adicional de ironia porque a Dongfeng também prepara sua própria entrada no mercado brasileiro. A gigante chinesa pode, portanto, tornar-se ao mesmo tempo parceira tecnológica e potencial concorrente da Peugeot na disputa pelo mesmo consumidor.

Concessionários brasileiros enxergam na cooperação uma chance de trazer novos produtos e, no cenário mais ambicioso, até recuperar produção local. Mas ainda não existe confirmação de quais modelos virão ao Brasil nem de eventual fabricação nacional.

A Peugeot agora corre contra o próprio encolhimento. Quanto mais tempo demorar para renovar sua linha e recuperar consumidores, maior ficará o espaço perdido.

Depois de cair abaixo de 10 mil veículos, ver seus automóveis despencarem mais de um terço e permitir que lojas simplesmente “hibernem”, a marca precisa de uma virada. A questão é se a força tecnológica chinesa chegará a tempo de impedir que a Peugeot se torne cada vez menor no Brasil.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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