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Photoshop nasceu de um problema simples em um Macintosh preto e branco em 1987, quando Thomas Knoll criou ferramentas para processar imagens, o irmão John enxergou potencial no projeto e, após rejeições de outras empresas, a Adobe lançou o programa em 19 de fevereiro de 1990
Escrito por Carla Teles
Publicado em 15/08/2026 às 14:06
Atualizado em 15/08/2026 às 14:10
Ciência e Tecnologia
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O Photoshop começou em 1987 como solução criada por Thomas Knoll para exibir e processar imagens em um Macintosh preto e branco, ganhou escala quando John Knoll pediu a união das ferramentas em um único aplicativo e chegou ao mercado pela Adobe em 19 de fevereiro de 1990 após rejeições.
O Photoshop nasceu em 1987 a partir de um problema muito mais simples do que o alcance que o software teria décadas depois. Thomas Knoll, então estudante de pós-graduação em visão computacional, trabalhava com um Macintosh capaz de exibir imagens apenas em preto e branco e começou a criar pequenos utilitários para processar arquivos e simular tons de cinza por meio de padrões de pixels. O que inicialmente servia à pesquisa acadêmica começou a ganhar outra dimensão quando seu irmão, John Knoll, percebeu que aquelas ferramentas poderiam funcionar juntas como um aplicativo completo.
A história foi relatada pelo Daily Galaxy em matéria publicada em 15 de agosto de 2026, com base também em depoimentos anteriores de Thomas Knoll à Adobe. O projeto passou de uma coleção de utilitários chamada Display para um programa único de edição de imagens, enfrentou recusas de diferentes empresas no fim dos anos 1980 e encontrou na Adobe uma parceira disposta a levá-lo ao mercado. O Photoshop chegou oficialmente às lojas em 19 de fevereiro de 1990, ainda em uma época em que câmeras digitais e impressoras fotográficas domésticas estavam longe de se tornar comuns.
Photoshop começou como ferramenta para uma pesquisa acadêmica
Thomas Knoll não estava tentando criar um produto para fotógrafos, publicitários ou designers quando escreveu as primeiras linhas do programa. Seu objetivo era lidar melhor com as imagens usadas em sua pesquisa de doutorado em visão computacional, área na qual computadores precisavam identificar características como bordas e padrões em arquivos gráficos.
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O Macintosh utilizado por ele apresentava uma limitação importante: a tela era monocromática. Para contornar o problema, Thomas começou a escrever programas capazes de manipular pixels e criar a impressão de diferentes níveis de cinza. Essa necessidade técnica deu origem ao embrião do Photoshop, embora naquele momento ainda não existisse qualquer intenção comercial por trás do software.
Primeiro programa recebeu o nome de Display
O utilitário criado por Thomas passou a ser conhecido como Display. A proposta era relativamente restrita: permitir que imagens fossem apresentadas de maneira mais útil na tela disponível para o trabalho acadêmico.
Com o tempo, porém, Thomas acrescentou outras funções de processamento. O Display deixou de ser apenas um visualizador e passou a reunir recursos capazes de modificar imagens, embora as ferramentas ainda estivessem distribuídas por programas diferentes e não formassem um aplicativo integrado.
John Knoll enxergou uma aplicação muito maior
John Knoll trabalhava na Industrial Light & Magic, empresa conhecida pelos efeitos visuais utilizados em produções cinematográficas. Naquele período, a companhia já realizava experimentos iniciais com processos digitais envolvendo imagens de filmes.
Seu ponto de vista era diferente do irmão. Enquanto Thomas utilizava o processamento de imagens para pesquisa computacional, John estava interessado na possibilidade de transformar quadros de filmes em informações digitais, modificá-los e depois transferi-los novamente para película. Ele percebeu rapidamente que as ferramentas desenvolvidas por Thomas poderiam servir a uma aplicação muito mais ampla.
Experiência na Industrial Light & Magic influenciou o projeto
A Industrial Light & Magic possuía equipamentos capazes de digitalizar fotogramas individuais, processá-los e depois registrar novamente o resultado em película. Isso permitia imaginar uma produção audiovisual em que pixels poderiam ser modificados durante etapas intermediárias do trabalho.
John começou a estudar computação gráfica por conta própria e encontrou nos programas do irmão parte das ferramentas necessárias. Em vez de desenvolver do zero sistemas para visualizar imagens e trabalhar com diferentes formatos, ele passou a utilizar os utilitários já criados por Thomas.
Problema era ter várias ferramentas separadas
Apesar do potencial, havia uma limitação prática. Os diferentes recursos desenvolvidos por Thomas estavam espalhados por vários programas, obrigando John a alternar entre ferramentas durante o trabalho.
Foi nesse momento que surgiu uma das decisões mais importantes da história do Photoshop. John sugeriu que o irmão reunisse tudo em um único aplicativo, eliminando a necessidade de trocar constantemente de programa.
Pedido de John transformou utilitários em um aplicativo
Thomas aceitou a ideia e começou a integrar as ferramentas. O resultado foi uma mudança estrutural no projeto: aquilo que antes era uma coleção de pequenos programas passou a se comportar como um único ambiente de processamento de imagens.
Essa integração foi fundamental para transformar uma solução acadêmica em um software com potencial comercial. A partir daí, o projeto começou a reunir recursos de maneira organizada e passou a oferecer um fluxo de trabalho mais próximo do conceito de editor de imagens conhecido atualmente.
Fotografia já fazia parte da vida de Thomas Knoll
O interesse de Thomas por imagens não começou na universidade. Em 1971, quando tinha cerca de 11 anos, ele recebeu do pai uma câmera Argus Rangefinder e aprendeu a revelar filmes no laboratório fotográfico montado no porão da família.
Poucos anos depois, por volta dos 15, começou a aprender programação BASIC utilizando terminais ligados a um computador compartilhado na escola. Fotografia e programação seguiram caminhos separados durante algum tempo até se encontrarem no desenvolvimento do Photoshop.
Câmara escura inspirou recurso digital
Quando os diferentes utilitários foram integrados, surgiu outro problema técnico. Alguns computadores utilizados por John apresentavam configurações de gama distintas, fazendo com que uma mesma imagem parecesse diferente dependendo do monitor.
Thomas reconheceu ali algo semelhante ao que havia experimentado na revelação fotográfica. Em uma câmara escura, fatores como produtos químicos, papel, exposição e ajustes do equipamento modificavam brilho e contraste. Ele começou a transportar essa lógica para o ambiente digital.
Recurso Níveis nasceu dessa comparação
A experiência com fotografia analógica influenciou diretamente a criação da caixa de diálogo Níveis. Thomas descreveu posteriormente esse recurso como um dos primeiros grandes controles de ajuste incorporados ao novo aplicativo.
Com ele, era possível alterar características tonais da imagem de uma maneira que lembrava alguns controles empregados na fotografia tradicional. O Photoshop começava assim a transformar técnicas de laboratório fotográfico em operações matemáticas realizadas sobre pixels.
Nome Photoshop surgiu durante evolução do software
À medida que as ferramentas foram integradas e novos recursos passaram a ser desenvolvidos, o projeto deixou de ser conhecido apenas como Display e acabou recebendo o nome Photoshop.
O novo nome acompanhava uma mudança muito mais ampla do próprio software. A ferramenta já não servia somente para exibir arquivos em um Macintosh monocromático: ela começava a oferecer edição, ajustes e processamento integrado de imagens digitais.
Irmãos começaram a procurar uma empresa interessada
Construir o programa era apenas uma parte do desafio. Thomas e John precisavam encontrar uma companhia capaz de transformar o software em produto comercial e distribuí-lo.
No fim da década de 1980, os irmãos começaram a demonstrar o projeto para diferentes empresas. A existência de um programa funcional não garantiu interesse imediato do mercado, e várias tentativas terminaram sem acordo.
Outras empresas recusaram o Photoshop
Segundo o relato de Thomas, algumas empresas já trabalhavam em soluções semelhantes e evitaram analisar o projeto por questões competitivas. Outras simplesmente concluíram que o programa não se encaixava em suas linhas de produtos.
As rejeições mostram que o potencial do Photoshop não foi considerado óbvio por todo o mercado desde o começo. O software precisou encontrar uma empresa cuja estratégia já estivesse alinhada com publicação, gráficos e produção digital.
Adobe enxergou compatibilidade com seus produtos
A reação mudou quando Thomas e John apresentaram o programa à Adobe. Segundo Thomas, houve uma compatibilidade imediata entre aquilo que o software fazia e a direção que a companhia já seguia.
A Adobe percebeu como o aplicativo poderia complementar seus produtos ligados à publicação e produção gráfica. Foi essa combinação entre tecnologia e estratégia comercial que abriu caminho para o lançamento do Photoshop.
Photoshop chegou às lojas em fevereiro de 1990
Depois do acordo, o Photoshop foi lançado em 19 de fevereiro de 1990. A primeira versão comercial chegou inicialmente ao Macintosh e inaugurou uma trajetória que posteriormente transformaria o programa em uma das principais referências da edição digital de imagens.
O contexto tecnológico, porém, era muito diferente do atual. O software estava à frente de vários equipamentos necessários para que fotógrafos comuns aproveitassem todo o seu potencial, principalmente câmeras digitais e sistemas de impressão acessíveis.
Primeira versão não era voltada principalmente para fotógrafos
Embora o nome Photoshop seja atualmente associado diretamente à fotografia, esse público não representava inicialmente o principal mercado da ferramenta.
Thomas explicou que ainda não existiam câmeras digitais adequadas a um fluxo fotográfico cotidiano nem impressoras capazes de produzir resultados comparáveis à fotografia tradicional. O Photoshop 1 acabou sendo mais útil para editoras, artistas gráficos e profissionais envolvidos com produção impressa.
Imprimir uma fotografia digital podia custar milhares de dólares
Produzir uma imagem fotográfica a partir daquele ambiente digital exigia processos industriais. Era necessário criar separações de quatro cores em filme e encaminhá-las para impressão especializada.
Segundo a estimativa apresentada por Thomas, a primeira cópia de uma fotografia podia custar cerca de US$ 2 mil. Processar dessa maneira todo um rolo de filme de 35 milímetros poderia elevar o gasto para algo entre US$ 35 mil e US$ 40 mil.
Hardware ainda precisava alcançar o software
Essa diferença entre capacidade do programa e infraestrutura disponível limitava inicialmente o número de usuários capazes de explorar todas as funções do Photoshop.
O cenário começou a mudar quando novas tecnologias se popularizaram. Impressoras jato de tinta, scanners melhores, computadores mais potentes e posteriormente câmeras digitais criaram um ecossistema muito mais favorável ao processamento digital de fotografias.
Popularização da internet abriu outra frente
No início dos anos 1990, a expansão da web criou uma necessidade nova: produzir imagens relativamente pequenas, comprimidas e visualmente adequadas para exibição em monitores.
O Photoshop já estava disponível para realizar esse trabalho. A ferramenta criada inicialmente para lidar com limitações de um Macintosh encontrou na internet um mercado que os irmãos não poderiam ter previsto quando começaram a desenvolver os primeiros utilitários.
Impressoras jato de tinta mudaram o fluxo fotográfico
Outro avanço importante ocorreu com a popularização das impressoras jato de tinta. Fotógrafos passaram a ter uma alternativa mais acessível para produzir imagens depois da edição digital.
O processo poderia começar com um filme digitalizado, continuar com ajustes no Photoshop e terminar diretamente em uma impressora. Isso reduziu a dependência de processos comerciais caros e aproximou a edição digital do cotidiano dos fotógrafos.
Câmeras digitais eliminaram necessidade de escanear filmes
A transformação se acelerou ainda mais quando as câmeras digitais começaram a substituir o filme. Pela primeira vez, grandes quantidades de fotografias podiam chegar diretamente ao computador sem passar por uma etapa de digitalização.
Essa evolução fechou um ciclo tecnológico importante. O Photoshop havia surgido antes de existir boa parte do hardware que posteriormente o tornaria tão útil, mas conseguiu se adaptar conforme fotografia e computação passaram a convergir.
Software cresceu junto com a evolução dos computadores
Com computadores mais rápidos, maior capacidade de armazenamento e telas capazes de exibir milhões de cores, as limitações encontradas por Thomas em 1987 desapareceram progressivamente.
O próprio desenvolvimento do programa acompanhou essa expansão. Um software criado para contornar a limitação de uma tela preto e branco passou a manipular arquivos cada vez maiores, cores complexas e recursos que seriam inviáveis nos computadores originais.
Dispositivos móveis abriram nova etapa
Décadas depois do lançamento, Thomas Knoll apontou outra transformação: a migração de parte da computação para dispositivos móveis.
Em entrevista concedida à Adobe em 2015, ele observou que smartphones e tablets estavam alterando o lugar onde as pessoas realizavam tarefas computacionais. Levar funções do Photoshop de computadores tradicionais para dispositivos móveis passou a representar mais uma adaptação do programa a uma mudança tecnológica.
Recursos acabaram sendo usados de maneiras imprevistas
Thomas também destacou que usuários frequentemente combinavam funções básicas do software de formas que ele próprio não havia imaginado quando criou esses recursos.
Isso é consequência direta da transformação do Photoshop em uma plataforma de ferramentas. Em vez de depender de uma única finalidade, diferentes funções podem ser combinadas por fotógrafos, designers, artistas, produtores gráficos e outros profissionais para solucionar problemas específicos.
Um Macintosh preto e branco iniciou uma transformação digital
A origem do Photoshop mostra como uma limitação técnica relativamente pequena pode desencadear um projeto muito maior. Em 1987, Thomas Knoll precisava apenas visualizar e processar melhor imagens relacionadas ao seu trabalho acadêmico em um Macintosh monocromático.
A contribuição de John Knoll transformou ferramentas isoladas em um aplicativo único, enquanto a Adobe abriu o caminho comercial depois que outras empresas recusaram a proposta. Em 19 de fevereiro de 1990, aquele conjunto de experimentos finalmente chegou ao mercado como Photoshop, iniciando uma trajetória que acompanharia a transformação da fotografia, da computação e da produção gráfica. Para você, o que mais chama atenção nessa história: o software ter começado por uma limitação tão simples ou ter sido rejeitado antes de chegar à Adobe? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

