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Planta trazida da Ásia para salvar o solo dos Estados Unidos cresce até 30 centímetros por dia, cobre casas, sobe em postes, sufoca árvores e transforma florestas inteiras em mantos verdes no Sul do país
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 25/08/2026 às 23:31
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Kudzu foi incentivado pelo governo americano para combater a erosão, mas acabou avançando sobre árvores, construções, postes e áreas florestais do Sul dos Estados Unidos.
Uma planta apresentada como solução para um grave problema agrícola acabou se tornando um dos exemplos mais conhecidos de espécie invasora nos Estados Unidos.
O kudzu, trepadeira originária do Leste Asiático, foi levado ao país ainda no fim do século XIX e passou a ganhar espaço nas décadas seguintes.
Durante períodos favoráveis, a planta pode crescer cerca de 30 centímetros por dia e formar vinhas com mais de 30 metros de comprimento.
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Essa velocidade permite que o kudzu avance sobre árvores, cercas, postes, galpões e construções abandonadas, formando grandes mantos verdes.
A capacidade de bloquear a luz também ameaça a vegetação nativa e pode levar árvores ao enfraquecimento, quebra de galhos ou queda.
Governo buscava uma solução para conter a erosão no Sul
A expansão do kudzu ganhou força após décadas de cultivo intensivo de algodão no Sul dos Estados Unidos.
A exploração agrícola desgastou o solo e deixou grandes áreas vulneráveis às chuvas e à erosão.
O Soil Erosion Service foi criado em 1933 para enfrentar esse problema e buscar formas de conservar terras produtivas.
Dois anos depois, em 1935, o Soil Conservation Service ampliou os programas federais de proteção do solo.
O kudzu parecia adequado para essa missão.
A planta possui raízes profundas, cresce rapidamente e consegue fixar nitrogênio no solo.
Por esse motivo, autoridades estimularam o cultivo durante as décadas de 1930 e 1940.
Registros históricos do Serviço Florestal dos Estados Unidos apontam que dezenas de milhões de mudas foram distribuídas durante essa fase.
Crescimento acelerado transformou vantagem em problema
Os sinais de preocupação começaram a aparecer ainda durante os anos 1940.
Agricultores perceberam que o kudzu não permanecia apenas nas áreas destinadas ao controle da erosão.
As vinhas passaram a alcançar cercas, árvores, postes e estruturas rurais, avançando continuamente sobre novos espaços.
Partes da planta que entram em contato com o solo também podem desenvolver novos pontos de enraizamento.
Essa característica facilita a formação de grandes áreas cobertas pela trepadeira.
Segundo o National Park Service, o kudzu consegue cobrir árvores e construções e permanece especialmente associado ao Sudeste dos Estados Unidos.
A vegetação existente sofre quando a planta forma uma cobertura densa sobre as copas.
A redução da luz prejudica o desenvolvimento das árvores, enquanto o peso das vinhas pode quebrar galhos.
Estados Unidos passaram a combater a planta décadas depois
O tratamento oficial dado ao kudzu começou a mudar em 1953, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reavaliou a espécie.
A planta recebeu oficialmente a classificação de erva daninha em 1972.
O controle, entretanto, continua sendo complexo.
As raízes profundas armazenam reservas suficientes para permitir novos brotos após cortes da parte visível.
Por isso, uma única intervenção normalmente não elimina completamente a planta.
Roçadas sucessivas, herbicidas e pastejo intensivo são algumas das estratégias utilizadas.
Cabras também são empregadas em certas áreas para consumir grandes volumes de vegetação.
Segundo a Universidade da Flórida, áreas mais recentes podem exigir entre três e quatro anos de cortes ou pastejo persistente para alcançar controle efetivo.
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Viviane Alves
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Kudzu virou símbolo de uma solução agrícola que saiu do planejado
A trajetória do kudzu mudou completamente ao longo do século XX.
A planta saiu da condição de aliada contra a erosão para se tornar uma espécie associada à invasão de florestas e estruturas.
Décadas depois dos programas de incentivo, sua presença ainda marca diversas paisagens do Sul americano.
Árvores, postes, cercas e construções podem desaparecer visualmente sob a densa camada de folhas.
O caso também mostra como uma característica inicialmente considerada vantajosa pode produzir efeitos inesperados.
O crescimento rápido ajudava a proteger terrenos expostos.
A mesma velocidade, porém, permitiu que a planta avançasse muito além das áreas onde havia sido introduzida.
A história do kudzu permanece como exemplo de como uma espécie vigorosa pode transformar uma paisagem quando encontra condições favoráveis para crescer.
Uma planta levada aos Estados Unidos para ajudar a proteger o solo acabou ficando conhecida justamente por cobrir quase tudo que encontra pela frente.
O que você acha: o caso do kudzu mostra que espécies introduzidas para resolver problemas ambientais deveriam passar por avaliações mais rigorosas antes de serem usadas em larga escala?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

