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Plantas “inteligentes” sabem quando ativar e desligar seu próprio fertilizante, controlam o nitrogênio do solo e podem explicar como florestas tropicais evoluem, crescem mais rápido e ampliam a captura de carbono após incêndios e outras perturbações naturais

Plantas “inteligentes” sabem quando ativar e desligar seu próprio fertilizante, controlam o nitrogênio do solo e podem explicar como florestas tropicais evoluem, crescem mais rápido e ampliam a captura de carbono após incêndios e outras perturbações naturais

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Plantas “inteligentes” sabem quando ativar e desligar seu próprio fertilizante, controlam o nitrogênio do solo e podem explicar como florestas tropicais evoluem, crescem mais rápido e ampliam a captura de carbono após incêndios e outras perturbações naturais

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 04/08/2026 às 17:28

Ciência e Tecnologia

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Árvores fixadoras de nitrogênio podem modificar os nutrientes do solo, favorecer a regeneração florestal e influenciar a captura de carbono.

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Teoria desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Princeton indica que estratégias de árvores fixadoras de nitrogênio influenciam a produtividade e a composição dos biomas

As plantas costumam ser vistas como organismos passivos, condicionados pelo clima e pelas características do solo. Entretanto, uma teoria publicada na revista Nature Plants propõe uma relação mais complexa entre vegetação e ambiente.

Segundo pesquisadores da Universidade de Princeton, determinadas árvores adotam estratégias que favorecem seu crescimento e alteram as condições das florestas. Dessa forma, essas espécies podem influenciar nutrientes, regeneração dos biomas e captura de carbono atmosférico.

Árvores produzem o próprio fertilizante

O estudo investigou as chamadas árvores fixadoras de nitrogênio, encontradas principalmente entre as leguminosas. Esse grupo inclui feijões e ervilhas, além de centenas de espécies arbóreas.

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Essas plantas liberam secreções que atraem bactérias do solo conhecidas como rizóbios. Posteriormente, os microrganismos infectam as células das raízes e estabelecem uma relação simbiótica.

As bactérias recebem carboidratos produzidos pela fotossíntese. Em troca, transformam o nitrogênio atmosférico em uma forma aproveitada pela planta como fertilizante.

Parte desse nutriente também chega ao solo e beneficia a vegetação ao redor. Consequentemente, as fixadoras podem alterar o ciclo do nitrogênio e favorecer árvores vizinhas.

Nódulos presentes nas raízes de árvores leguminosas abrigam rizóbios, bactérias que transformam o nitrogênio atmosférico em nutrientes aproveitados pelas plantas.

Distribuição das espécies criou um mistério ecológico

A presença dessas árvores em diferentes regiões sempre intrigou os ecologistas. Afinal, as fixadoras são numerosas nas florestas tropicais, embora esses ambientes tenham solos ricos em nitrogênio.

Nas florestas temperadas e boreais, ocorre o contrário. Mesmo enfrentando solos pobres nesse nutriente, as espécies fixadoras são menos abundantes e apresentam menor longevidade.

Para explicar esse paradoxo, os pesquisadores utilizaram um modelo baseado na teoria evolutiva dos jogos. A análise considerou a recuperação após incêndios, furacões, deslizamentos e outras perturbações.

O trabalho reuniu Lars Hedin, Efrat Sheffer, Sarah Batterman e Simon Levin. Os cientistas compararam estratégias adotadas pelas árvores em florestas tropicais e não tropicais.

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Caio Aviz

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Plantas tropicais sabem quando interromper o processo

Nas regiões tropicais, as fixadoras fornecem nitrogênio durante as primeiras etapas do crescimento. Depois, reduzem essa atividade quando o nutriente se torna abundante.

Essa capacidade permite conservar a energia exigida pelo processo. Assim, as árvores conseguem disputar luz solar com espécies não fixadoras e permanecer nas florestas maduras.

Nas áreas temperadas e boreais, porém, o nitrogênio demora mais para se recuperar. Por isso, muitas fixadoras continuam produzindo o nutriente durante períodos prolongados.

A atividade contínua consome energia e, simultaneamente, fortalece as espécies vizinhas. Com o tempo, essas concorrentes crescem, sombreiam as fixadoras e podem substituí-las.

Segundo Hedin, esse comportamento mostra que as plantas não apenas respondem ao ambiente. Elas também desenvolvem estratégias capazes de modificar a produtividade dos ecossistemas.

Plantas tropicais reduzem a fixação de nitrogênio conforme amadurecem, economizando energia para crescer e competir pela luz na floresta.

Estratégia vegetal interfere na captura de carbono

A presença das leguminosas influencia diretamente o funcionamento das florestas tropicais. Além disso, essas árvores contribuem para a retirada de dióxido de carbono da atmosfera.

Em 2013, um estudo do grupo de Hedin foi publicado na revista Nature. A pesquisa analisou os primeiros anos de recuperação de uma floresta tropical.

Na fase inicial, essas árvores absorveram carbono em taxas até nove vezes superiores às espécies não leguminosas. Portanto, a fixação pode favorecer o sumidouro terrestre de carbono.

Interferência humana ameaça o equilíbrio dos biomas

Em 23 de novembro de 2015, a Nature Plants publicou o estudo sobre as estratégias de fixação nos diferentes biomas. Posteriormente, a Universidade de Princeton divulgou os resultados.

Os pesquisadores alertaram que a agricultura e a queima de combustíveis fósseis acrescentam grandes quantidades de nitrogênio aos ecossistemas. Esse excesso pode alterar vantagens evolutivas das plantas.

A supressão de incêndios e a fragmentação florestal também podem restringir as fixadoras em regiões não tropicais. Consequentemente, a recuperação dessas florestas poderá ser prejudicada.

Temperaturas maiores ainda podem acelerar a decomposição realizada por organismos do solo. Com mais nitrogênio disponível, as árvores fixadoras perderiam parte de sua vantagem inicial.

Portanto, as atividades humanas podem contrariar estratégias desenvolvidas conforme o clima e as perturbações naturais. O impacto poderá alcançar a regeneração florestal e o balanço global de carbono.

Você imaginava que as estratégias das plantas poderiam influenciar a evolução das florestas e a captura de carbono do planeta?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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