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Policial se fantasiou de arbusto na beira da rua, passou seis horas espiando com binóculos e derrubou 74 motoristas no celular de uma vez, com multas que chegam a R$ 2 mil por cabeça
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 04/08/2026 às 10:03
Atualizado em 04/08/2026 às 10:14
Legislação e Direito
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A operação aconteceu em 29 de julho de 2026, no quarteirão 100 da North Washington Avenue, em Dunellen, Nova Jersey. O agente vestia um macacão coberto de folhas artificiais e uma camiseta com a frase “não sou policial”. A corporação divulgou o resultado no Facebook no dia seguinte.
Ninguém desconfia de um arbusto. Foi exatamente essa a aposta do Departamento de Polícia de Dunellen, no estado americano de Nova Jersey, ao posicionar um agente disfarçado de moita à beira de uma rua movimentada para flagrar motoristas no celular, conforme reportagem publicada pelo portal TNH1 em 3 de agosto de 2026, com informações do jornal New York Post.
O policial usava um macacão de camuflagem coberto de folhas e galhos artificiais, do tipo conhecido como ghillie suit, e um par de binóculos. Em seis horas de operação, foram aplicadas 74 autuações. A ação ocorreu na quarta-feira, 29 de julho de 2026, e o resultado foi divulgado pela corporação no Facebook no dia seguinte.
Onde e por que a operação aconteceu
O ponto escolhido foi o quarteirão 100 da North Washington Avenue, no centro de Dunellen, município do condado de Middlesex. O trecho concentra tráfego intenso de veículos e circulação alta de pedestres.
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A motivação não era arrecadatória, segundo a corporação. O detetive sargento Nicholas Goldman explicou à CBS News que a cidade tem cerca de uma milha quadrada de extensão e registra um número relativamente alto de acidentes para o próprio tamanho, o que levou a polícia a buscar um método de fiscalização diferente. Ele acrescentou que, apesar do lado divertido, a missão por trás da ação era muito séria.
O detalhe da camiseta
Há um elemento da fantasia que virou o ponto mais comentado. Sob os galhos artificiais, o agente usava uma camiseta com a frase em inglês que significa “não sou policial”.
A escolha funcionou como piada visível apenas para quem prestasse atenção suficiente. E esse era justamente o teste. A própria corporação brincou com isso na publicação, dizendo que quem estava com a cabeça enfiada no telefone provavelmente não notou o arbusto suspeito parado na calçada.
Como funciona esse tipo de flagrante
O método é mais simples do que parece e não depende de tecnologia. O agente disfarçado observa o interior dos veículos com binóculos e, ao identificar um condutor manuseando o aparelho, comunica por rádio uma equipe posicionada adiante na via.
A abordagem e a autuação são feitas por essa segunda equipe, alguns metros à frente. É a mesma lógica de operações realizadas em outros países: em Moncton, no Canadá, a polícia montada usou disfarces de operário de construção, morador de rua e ciclista para flagrar condutores enviando mensagens ao volante, aplicando centenas de multas em poucos meses.
O que diz a lei americana
A norma estadual de Nova Jersey proíbe falar ao telefone ou enviar mensagens em dispositivo portátil enquanto o veículo está em movimento. A punição é escalonada conforme a reincidência.
A primeira infração custa de 200 a 400 dólares, faixa que corresponde a algo entre pouco mais de R$ 1.000 e cerca de R$ 2.000 pela conversão usada pelo veículo brasileiro. A segunda sobe para 400 a 600 dólares. Da terceira em diante, o valor vai de 600 a 800 dólares, com possibilidade de pontos na habilitação e suspensão do direito de dirigir por até 90 dias.
O recado que a polícia deixou
A publicação da corporação nas redes sociais encerrou com uma orientação direta aos motoristas. O texto dizia que aquilo servisse de lembrete, porque a mensagem de texto ou a notificação podem esperar, e pedia que os condutores mantivessem os olhos na estrada, não na tela.
A postagem viralizou rapidamente e acumulou comentários de moradores. Parte deles fez trocadilhos com plantas e árvores, e outros observaram que passariam a olhar com desconfiança para qualquer arbusto da região a partir dali. Um comentário resumiu o efeito colateral da ação: a pessoa contou ter largado o celular justamente para olhar melhor o suposto arbusto.
Um dado que aparece trocado em uma das reportagens
Vale registrar uma inconsistência que circula na cobertura internacional. A emissora Fox 29 informa, em um trecho, que a operação flagrou 70 motoristas distraídos e, poucas linhas depois, no mesmo texto, informa que foram emitidas 74 autuações.
Todos os demais veículos que cobriram o caso, entre eles a ABC 7 Nova York, o Daily Voice e o portal TNH1, apontam 74 citações, número que também consta na publicação oficial da própria corporação. É esse o dado adotado aqui.
Por que a fiscalização mudou de tática
A escolha do disfarce responde a um problema conhecido de quem fiscaliza esse tipo de infração. Viatura visível funciona como aviso: o motorista guarda o telefone ao avistar a polícia e volta a pegá lo alguns metros adiante.
Agente à paisana resolve parte do problema, mas ainda pode ser identificado pela postura ou pelo uniforme parcial. O disfarce completo elimina essa variável. A troca também tem efeito de comunicação, porque uma operação bizarra o suficiente rende alcance em rede social que nenhuma campanha institucional convencional consegue, e a mensagem chega a quem nunca leria um aviso de trânsito.
Como é a regra no Brasil
Quem lê daqui costuma se perguntar como o caso se compara à legislação nacional. No Brasil, segurar ou manusear o telefone dirigindo é infração gravíssima, prevista no artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro.
A punição é de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação, valor bem inferior ao teto americano. A regra brasileira também alcança paradas momentâneas, como semáforo fechado e congestionamento, porque o veículo segue participando do fluxo. Aqui, o uso do aparelho em suporte fixo, sem manuseio, é permitido, e a mesma exigência vale para motociclistas.
E você, já foi flagrado ou quase se envolveu em um acidente por causa do celular ao volante? Conta aqui nos comentários se acha que esse tipo de fiscalização criativa funciona de verdade ou se é só marketing da polícia, e diga como você resolve as notificações que chegam enquanto dirige.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

