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Polvos dão “socos” em peixes de forma estratégica e ajustam agressividade conforme o comportamento do rival, aponta estudo

Polvos dão “socos” em peixes de forma estratégica e ajustam agressividade conforme o comportamento do rival, aponta estudo

4 min de leitura

Polvos dão “socos” em peixes de forma estratégica e ajustam agressividade conforme o comportamento do rival, aponta estudo

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 14/08/2026 às 01:30

Atualizado em 14/08/2026 às 01:31

Ciência e Tecnologia

Canal

Polvos observados no Brasil ajustam seus “socos” conforme a territorialidade dos peixes, revela estudo de pesquisadores brasileiros e canadenses. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

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Polvos observados no Brasil ajustam seus “socos” conforme a territorialidade dos peixes, revela estudo de pesquisadores brasileiros e canadenses.

Os chamados “socos” aplicados por polvos em peixes podem ser menos impulsivos do que aparentam. Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Paulo, e da Universidade de Lethbridge, no Canadá, indica que esses movimentos fazem parte de respostas ajustadas ao comportamento de outras espécies, sobretudo durante disputas por território.

O estudo foi publicado no periódico científico Behavioral Processes. O estudo foi aceito em 27 de julho de 2026, disponibilizado online em 31 de julho e teve sua versão final publicada em 3 de agosto de 2026.

A conclusão surgiu após a análise de 101 interações envolvendo 38 polvos-de-recife-brasileiros jovens e diferentes peixes em águas rasas da costa e de ilhas brasileiras. O trabalho mostra que intensidade, duração e resultado dos encontros mudavam conforme a espécie envolvida e sua tendência a defender território.

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Peixes territoriais provocaram respostas mais rápidas dos polvos

Os conflitos mais intensos ocorreram diante de espécies territoriais, como o peixe-donzela. Esses animais podiam se aproximar e atingir os polvos para afastá-los de determinadas áreas.

Nessas situações, a resposta do cefalópode mudava rapidamente. O polvo podia recuar diante da investida e, em seguida, lançar um de seus braços contra o peixe, produzindo o movimento comparado a um soco.

Os encontros desse tipo duraram, em média, aproximadamente 14 segundos, bem menos do que as interações observadas com espécies menos agressivas.

Os dados do estudo apontam para uma sequência comportamental dependente do contexto:

Para os pesquisadores, essa relação sugere que o comportamento não resulta simplesmente de irritação aleatória.

Polvos observados no Brasil ajustam seus “socos” conforme a territorialidade dos peixes, revela estudo de pesquisadores brasileiros e canadenses. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

Encontros pacíficos podiam durar mais de três vezes o tempo

Quando os polvos interagiam com peixes não territoriais, o cenário era diferente. Com o peixe-cirurgião-azul, por exemplo, os encontros duraram em média cerca de 46 segundos, segundo o estudo.

Nesses casos, havia menos episódios de conflito direto. Algumas vezes, o peixe permanecia próximo e acompanhava o polvo durante a procura por alimento sem desencadear uma resposta agressiva evidente.

A diferença entre aproximadamente 14 e 46 segundos reforçou a interpretação de que a territorialidade do peixe modifica a dinâmica da interação.

Os autores do estudo concluíram que esse fator influencia não apenas a agressividade, mas também a duração, a intensidade e o desfecho dos encontros entre espécies.

Pesquisadores acompanharam animais sem captura

As observações foram realizadas diretamente no ambiente natural. A equipe mergulhou com snorkel em áreas rasas e registrou os animais a uma distância planejada para reduzir interferências sobre o comportamento.

Mesmo assim, alguns polvos demonstraram perceber a presença dos pesquisadores. Houve indivíduos que se aproximaram das câmeras e chegaram a tocá-las.

Em um episódio particularmente curioso, um polvo pegou um dos pesos de mergulho utilizados pela equipe.

Essas situações também evidenciam a capacidade dos animais de explorar objetos e reagir a elementos novos presentes ao redor.

Imagem: Michaella Pereira Andrade

Polvos podem apresentar comportamentos individuais diferentes

Outra questão observada foi que nem todos os indivíduos respondiam da mesma maneira. Alguns apresentaram comportamento mais cauteloso, enquanto outros reagiam de forma mais intensa às aproximações.

Essa variação levantou a possibilidade de existirem diferenças comportamentais relativamente consistentes entre os polvos, algo comparável ao que pesquisadores frequentemente descrevem como perfis ou “personalidades” animais.

A equipe ainda pretende investigar se essas diferenças estão relacionadas a fatores como idade e sexo ou se permanecem estáveis durante diferentes fases da vida.

O estudo, portanto, amplia a interpretação dos famosos “socos” marinhos. Em vez de simples explosões de agressividade, os movimentos observados nos polvos parecem integrar um repertório flexível, no qual o animal avalia o comportamento do peixe ao redor e modifica sua resposta conforme o risco e o contexto territorial.

Fontes

Super Interessante

Behavioral Processes


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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