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Porto Piauí projeta primeiras rotas de cabotagem com Santa Catarina, enquanto parceiro prepara terminal com quatro galpões e indústria local movimenta de 60 a 80 contêineres por mês
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 29/08/2026 às 22:47
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A cabotagem no Piauí saiu do campo genérico e ganhou uma rota em discussão com Santa Catarina, um terminal parceiro de quatro galpões e um cliente industrial que já movimenta entre 60 e 80 contêineres mensais, hoje dependentes de uma logística mais longa.
Os projetos foram apresentados durante o Conexão Cabotagem, encontro realizado em 28 de agosto pelo Porto Piauí. Empresários e representantes portuários discutiram as primeiras ligações marítimas do estado com outras regiões do país. O foco é transformar fluxos que já existem nas rodovias em carga regular para navios.
Cabotagem é o transporte entre portos brasileiros. Nesse caso, a proposta aproxima o litoral piauiense de Santa Catarina e pode retirar parte dos caminhões que percorrem milhares de quilômetros entre Sul e Nordeste. A expectativa é reduzir distância rodoviária e custo, especialmente para produtos agrícolas, alimentos e mercadorias do varejo.
Segundo o Porto Piauí, o planejamento começou em 2025 ao lado da SC Portos, controladora dos portos catarinenses. A construção da rota depende de reunir carga suficiente nos dois sentidos, porque um navio competitivo não pode viajar de forma recorrente com espaço vazio.
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Cabotagem no Piauí mira cargas concentradas no Sul
Brunno Gonçalves, diretor de Negócios do Porto Piauí, explicou que muitos produtos do varejo consumidos no estado estão concentrados no Sul e no Sudeste. Essas empresas se tornam clientes potenciais de uma ligação marítima, desde que frequência, prazo e preço ofereçam uma alternativa previsível ao transporte exclusivamente rodoviário.
A conexão proposta passa principalmente por Itajaí. Além de reunir cargas catarinenses, o porto pode funcionar como ponto de entrada para mercadorias vindas da Argentina e do Uruguai. Dessa forma, uma rota doméstica também se conecta a fluxos internacionais que já alcançam o Sul do Brasil.
Márcio Marques, da SC Portos, apontou que já existe um volume expressivo de cargas percorrendo esse eixo por estrada. É esse fluxo comprovado, e não uma demanda criada no papel, que sustenta a oportunidade. A questão comercial passa a ser quanto dele pode migrar para o mar sem perder confiabilidade.
Na minha leitura, essa é a pergunta correta. A cabotagem não precisa eliminar o caminhão; ela precisa reservar a rodovia para as pontas do percurso e usar o navio na longa distância. Assim, cada modal ocupa o trecho em que pode entregar melhor relação entre escala, custo e regularidade.
Terminal catarinense terá quatro galpões junto ao cais
Do lado de Santa Catarina, a CNAGA desenvolve o TECGC, terminal de carga geral e contêineres em São Francisco do Sul. O projeto prevê quatro galpões, áreas de pátio e proximidade com o cais multipropósito. A estrutura surgiu a partir do chamamento público 003/2024.
A CNAGA acumula mais de 50 anos de atuação em armazenagem portuária no Porto de São Francisco do Sul. Esse histórico dá ao projeto um parceiro com experiência em receber, guardar e movimentar cargas. Ainda assim, os galpões ficam no terminal catarinense, não dentro do Porto Piauí, distinção essencial para compreender o desenho logístico.
A rota ligaria duas pontas com funções complementares. Santa Catarina concentra produção, centros de distribuição e cargas internacionais; o Piauí reúne consumo e produção regional que precisam de uma saída eficiente. O terminal funciona como área de organização antes e depois do trecho marítimo.
Outros portos brasileiros já mostram como infraestrutura e escala alteram o mapa de cargas. O avanço de Suape, Itaqui e Pecém no Nordeste reforça que acesso marítimo, terminal e cliente precisam caminhar juntos para o crescimento deixar de ser apenas potencial.
Moinho Piauí leva demanda real à mesa
Um dos casos apresentados foi o Moinho Piauí. A empresa importa trigo da Argentina para Teresina e movimenta atualmente entre 60 e 80 contêineres por mês. Federico Musso, presidente da indústria e do CIEPI, afirmou que uma ligação marítima direta poderia reduzir de forma expressiva os custos dessa operação.
O exemplo é valioso porque dá tamanho à discussão. Em vez de perguntar se haveria alguma carga para transportar, o projeto parte de dezenas de contêineres mensais de um único cliente. Somados a varejistas e outras indústrias, esses volumes podem formar a base necessária para negociar uma frequência regular.
Ainda não foi divulgada uma data para a primeira viagem. O evento apresentou projetos e aproximou potenciais usuários, etapa anterior à contratação de uma linha. Por isso, os 60 a 80 contêineres indicam demanda existente, mas não significam que todo esse volume já tenha sido transferido para a cabotagem.
O desafio agora é transformar interesse em compromisso comercial. Para isso, operadores precisam combinar origem, destino, frequência, tempo de trânsito, armazenagem e preço. Se uma dessas peças não fechar, a carga continua na estrada; quando todas se encaixam, o mar passa a disputar a longa distância.
O Conexão Cabotagem deixou um desenho mais concreto: Itajaí como ligação principal, São Francisco do Sul com terminal de quatro galpões, Porto Piauí como ponta nordestina e empresas locais oferecendo volume. A primeira rota dependerá de contratos, mas o corredor já tem portos, carga e interlocutores identificados.
Olhando assim, os 60 a 80 contêineres do moinho são menos uma promessa e mais um ponto de partida. O operador ainda precisa somar outros clientes e equilibrar viagens de ida e volta. Contudo, já existe uma empresa capaz de mostrar frequência mensal, origem da mercadoria e destino dentro do Piauí.
A presença de dois terminais catarinenses na conversa amplia as opções, sem garantir que ambos estarão na primeira escala. Itajaí aparece como ligação principal, enquanto São Francisco do Sul oferece o projeto de armazenagem. A configuração final dependerá de como esses ativos serão combinados com os contratos de carga.
Se a sua empresa transporta mercadorias entre Sul e Nordeste, conta nos comentários qual fator faria você trocar parte da estrada por um trecho marítimo.
Você acredita que a cabotagem pode reduzir custos sem tirar dos caminhões a etapa regional das entregas?
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Fontes
Porto Piauí — Conexão Cabotagem apresenta rotas entre Nordeste e Sul (28/08/2026)
Nedilson Machado — Setor portuário participa do Conexão Cabotagem
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

