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Prédio na Alemanha ganhou uma segunda pele de 129 painéis cheios de microalgas vivas que fazem fotossíntese e geram biomassa para biogás e o calor do edifício

Prédio na Alemanha ganhou uma segunda pele de 129 painéis cheios de microalgas vivas que fazem fotossíntese e geram biomassa para biogás e o calor do edifício

6 min de leitura

Prédio na Alemanha ganhou uma segunda pele de 129 painéis cheios de microalgas vivas que fazem fotossíntese e geram biomassa para biogás e o calor do edifício

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 05/08/2026 às 09:16

Ciência e Tecnologia

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Microalgas vivas dentro de 129 painéis de vidro geram calor e biomassa em prédio de Hamburgo, na primeira fachada bioreatora construída no mundo.

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O BIQ fica em Hamburgo, tem quatro andares e 15 apartamentos, e foi construído entre dezembro de 2011 e abril de 2013 por cerca de 4,5 milhões de euros. Os painéis cobrem 200 metros quadrados e ficam apenas nas faces voltadas ao sol.

O edifício batizado de BIQ, em Hamburgo, na Alemanha, é o primeiro do mundo a ter uma fachada bioreatora, com microalgas cultivadas dentro dos elementos de vidro que formam o que os autores do projeto chamam de pele biológica, conforme material publicado pela Exposição Internacional de Arquitetura de Hamburgo.

O sistema cumpre três funções ao mesmo tempo. Ele produz energia, controla a entrada de luz e fornece sombreamento, além de contribuir com o isolamento térmico e acústico do prédio, papéis que uma fachada convencional só desempenha em parte.

Uma segunda pele sobre a fachada existente

Microalgas vivas dentro de 129 painéis de vidro geram calor e biomassa em prédio de Hamburgo, na primeira fachada bioreatora construída no mundo.

Os painéis não substituíram a fachada do edifício: eles formam uma casca externa adicional, embutida na própria fachada e instalada apenas nos lados voltados para o sol.

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As faces nordeste e noroeste seguem com fechamento convencional, enquanto as faces sudeste e sudoeste receberam os bioreatores. São 129 painéis de vidro plano, cada um medindo aproximadamente 2,5 metros por 0,7 metro, somando cerca de 200 metros quadrados de superfície ativa.

A escolha é técnica, e não estética. Alga precisa de luz para fazer fotossíntese, e instalar bioreator em face sombreada produziria custo sem retorno energético, razão pela qual metade do edifício ficou de fora do sistema.

Como as algas trabalham dentro do vidro

Microalgas vivas dentro de 129 painéis de vidro geram calor e biomassa em prédio de Hamburgo, na primeira fachada bioreatora construída no mundo.

O funcionamento é descrito de forma simples pelos autores do projeto: a única coisa que as algas precisam fazer é crescer.

Para isso, elas são alimentadas continuamente com nutrientes líquidos e dióxido de carbono, por meio de um circuito de água separado que percorre a fachada. Com a luz do sol, o organismo realiza fotossíntese e se multiplica.

As algas são microscópicas, a maior parte delas não maior que uma bactéria. A tonalidade esverdeada da fachada é o sinal visível de que o dióxido de carbono está sendo consumido, o que transforma o funcionamento do sistema em algo observável da calçada, sem qualquer instrumento. A variação de cor é parte deliberada do conceito arquitetônico.

O que acontece na hora da colheita

Microalgas vivas dentro de 129 painéis de vidro geram calor e biomassa em prédio de Hamburgo, na primeira fachada bioreatora construída no mundo.

O ciclo é regular. As algas se multiplicam até atingirem densidade suficiente para a colheita, quando são separadas do restante e transferidas em forma de pasta espessa para a sala técnica do edifício.

A partir daí, o material segue para fora do prédio. Ele é fermentado em uma usina externa de biogás, e é nesse processo que a biomassa se converte em combustível.

O edifício não produz biogás dentro de si. Ele produz a biomassa que vira biogás em outro lugar, e é o calor, esse sim, que fica e abastece o próprio prédio.

Por que alga, e não outra planta

A escolha do organismo tem justificativa numérica. Comparadas a plantas cultivadas no solo, as microalgas produzem até cinco vezes mais biomassa por hectare.

Elas também contêm proporção especialmente alta de óleos aproveitáveis para geração de energia, característica que as torna adequadas ao processo de fermentação.

Há ainda uma flexibilidade de destino. A biomassa colhida pode ser direcionada conforme a estação e a demanda: convertida em calor no inverno ou aproveitada pelas indústrias de cosméticos e de alimentos no verão, quando o crescimento é maior. O mesmo painel abastece cadeias completamente diferentes dependendo do mês do ano.

O calor que o vidro captura sem as algas

Existe uma segunda camada de aproveitamento energético no sistema, e ela independe da colheita.

A fachada também absorve a parcela de luz que as algas não utilizam e converte essa radiação em calor, funcionando de forma semelhante a um coletor solar térmico. Esse calor pode ser usado diretamente para aquecimento e água quente.

Quando não há demanda imediata, ele não é desperdiçado. O excedente é armazenado no subsolo por meio de trocadores geotérmicos, poços de 80 metros de profundidade preenchidos com solução salina. O terreno vira um reservatório térmico de longo prazo, guardando no verão o calor que será usado no inverno.

O sistema energético completo

O conceito energético do edifício é integrado, com a energia destinada a eletricidade e aquecimento vindo de fontes renováveis, sem uso de combustível fóssil.

O conjunto combina cinco elementos: energia solar térmica, energia geotérmica, uma caldeira de condensação, rede local de calor e a captura de biomassa pela fachada bioreatora.

A fachada é uma peça desse sistema, e não a fonte única. O consórcio de engenharia responsável pelo projeto calcula que ela fornece em torno de um terço da demanda térmica das 15 unidades residenciais, com o restante coberto pelas demais frentes.

Apartamentos sem cômodos definidos

O experimento não se limita à fachada. O interior do prédio testa um conceito de moradia adaptável, pensado para a crescente sobreposição entre morar e trabalhar.

Dois dos 15 apartamentos não têm cômodos separados. Neles, funções como banheiro, cozinha e área de dormir podem ser trocadas de lugar ou combinadas para formar o que o projeto chama de zona neutra.

A lógica é que a rotina defina a configuração do espaço, e não o contrário. O morador reorganiza o apartamento conforme a necessidade do momento, ideia que os autores associam ao futuro da habitação urbana.

Números, prazos e reconhecimento

A construção começou em dezembro de 2011 e foi concluída em abril de 2013, com custo aproximado de 4,5 milhões de euros.

O terreno tem 839 metros quadrados e a área construída bruta fica em torno de 1.350 metros quadrados, com unidades variando de 50 a 120 metros quadrados. O padrão energético adotado é o de casa passiva, que prioriza isolamento e estanqueidade para reduzir a demanda de aquecimento.

O projeto acumulou reconhecimento nos anos seguintes à entrega. Foi premiado em um concurso alemão de inovação em 2013 e 2014, recebeu o terceiro lugar em um prêmio nacional de fachadas na categoria de destaque artístico e venceu um prêmio internacional na categoria de inovações aplicadas em 2014.

Uma fachada que respira e muda de cor

O que torna esse projeto notável não é a quantidade de energia gerada, que é modesta em termos absolutos. É a inversão de função proposta para um elemento construtivo.

Fachada convencional é barreira: protege de chuva, frio e ruído, e no máximo agrega aparência ao edifício. Aqui, ela também produz, consome dióxido de carbono, sombreia dinamicamente conforme cresce e muda de aparência ao longo do ciclo.

Foi essa ideia, e não o volume de biogás produzido, que colocou o edifício em prêmios de inovação. Ele demonstrou que a superfície de um prédio pode ser área produtiva, conceito que segue sendo testado em projetos de arquitetura pelo mundo.

E você, moraria em um prédio com a parede cheia de algas vivas circulando dentro do vidro? Acha que soluções assim vão sair do estágio experimental ou vão continuar como vitrine de exposição de arquitetura? Conta nos comentários o que você acha do futuro das construções que produzem a própria energia.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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