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Preso há quase cinco décadas sob isolamento extremo no Reino Unido, Robert Maudsley diz passar 22 horas e meia por dia dentro da cela e denuncia tratamento desumano em rara ligação ao sobrinho

Preso há quase cinco décadas sob isolamento extremo no Reino Unido, Robert Maudsley diz passar 22 horas e meia por dia dentro da cela e denuncia tratamento desumano em rara ligação ao sobrinho

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Preso há quase cinco décadas sob isolamento extremo no Reino Unido, Robert Maudsley diz passar 22 horas e meia por dia dentro da cela e denuncia tratamento desumano em rara ligação ao sobrinho

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 02/08/2026 às 00:02

Atualizado em 02/08/2026 às 00:03

Curiosidades

Imagem ilustrativa representa o ambiente de confinamento associado à trajetória de Robert Maudsley, que passou décadas sob rígido regime de isolamento no Reino Unido.

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Conhecido como “Hannibal, o Canibal”, Robert Maudsley relatou novas restrições em HMP Whitemoor, ausência de visitas e intenção de iniciar outra greve de fome.

Uma rara ligação telefônica feita da prisão voltou a colocar Robert Maudsley no centro das atenções no Reino Unido.

Condenado por quatro assassinatos e submetido durante décadas a um rígido regime de isolamento, o preso afirmou passar atualmente 22 horas e meia por dia dentro da cela.

Segundo informações divulgadas pelo Daily Mail, Maudsley classificou as condições em HMP Whitemoor como desumanas.

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O detento também afirmou que pretendia iniciar uma nova greve de fome para protestar contra o tratamento recebido.

Ligação ao sobrinho revela rotina dentro da prisão

A conversa ocorreu entre Maudsley e seu sobrinho, Gavin Mawdsley, que alterou a grafia do sobrenome da família.

Com autorização do preso, a ligação foi gravada e posteriormente entregue ao Daily Mail.

Segundo Maudsley, ele passou 13 meses sem receber visitas presenciais.

As autoridades teriam determinado que os encontros acontecessem atrás de uma divisória de vidro.

Maudsley recusou essa condição e, consequentemente, permaneceu sem contato presencial com familiares durante esse período.

A classificação de segurança também teria aumentado.

Sempre que deixa a cela, diversos agentes acompanham seu deslocamento, incluindo um oficial de patente elevada.

História criminal começou em 1974

Robert Maudsley nasceu em Liverpool, em 1953, e passou parte da infância em um orfanato com os irmãos.

Depois de retornar à casa dos pais, relatou ter sofrido agressões físicas constantes.

Na juventude, enfrentou dependência de drogas e passou por hospitais psiquiátricos após tentativas de tirar a própria vida.

Seu primeiro assassinato ocorreu em 1974.

A vítima foi John Farrell.

Após o crime, Maudsley se entregou espontaneamente à polícia.

As autoridades consideraram que ele não estava apto para responder judicialmente naquele momento.

Por isso, Maudsley foi encaminhado ao hospital psiquiátrico de segurança máxima de Broadmoor.

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Viviane Alves

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Crime em Broadmoor originou apelido famoso

A trajetória de Maudsley ganhou outro capítulo em 1977.

Naquele ano, ele e outro interno mantiveram um terceiro paciente como refém durante horas.

A vítima acabou morta após sofrer violência.

Posteriormente, surgiu o rumor de que Maudsley teria aberto o crânio do homem e consumido parte de seu cérebro.

As investigações, entretanto, nunca encontraram qualquer evidência de canibalismo.

Mesmo assim, o episódio ajudou a popularizar o apelido “Hannibal, o Canibal”.

Maudsley foi posteriormente transferido para a prisão de Wakefield.

Dentro da unidade, ele matou mais dois detentos no mesmo dia.

Depois dos crimes, entregou uma arma improvisada aos agentes e informou sobre as mortes.

Isolamento passou a dominar sua rotina

Os assassinatos levaram as autoridades penitenciárias a considerar Maudsley um risco elevado para outras pessoas.

A partir disso, o preso passou a enfrentar um regime extremamente rígido de confinamento.

Entre as medidas adotadas estavam:

Durante décadas, Maudsley afirmou que preferia morrer a continuar vivendo nessas condições.

O detento chegou a recorrer à Justiça para reivindicar o direito de encerrar a própria vida.

Os pedidos, porém, não foram aceitos.

Transferência para HMP Whitemoor ocorreu em 2025

Depois de aproximadamente 47 anos praticamente isolado em Wakefield, Maudsley foi transferido em 2025.

O novo destino foi a prisão de segurança máxima HMP Whitemoor, em Cambridgeshire.

A transferência ocorreu depois de semanas de greve de fome iniciada após a apreensão de seu videogame.

Maudsley esperava encontrar condições melhores na nova unidade.

Segundo seu relato, porém, as restrições aumentaram.

O preso afirma que atualmente não participa de atividades coletivas e também não consegue jogar xadrez com outros internos.

Xadrez fazia parte da tentativa de aproximação

Durante os primeiros meses em HMP Whitemoor, Maudsley utilizou parte do tempo de recreação para ensinar xadrez aos funcionários.

O detento acreditava que a atividade poderia ajudar a estabelecer uma relação de confiança.

Posteriormente, decidiu interromper as aulas.

Segundo Maudsley, nenhum benefício surgiu depois dessa aproximação.

O preso também afirmou que passou a utilizar uma área de exercício destinada à segregação disciplinar.

O local, segundo seu relato, possui altos muros e mantém o detento completamente afastado dos demais presos.

Familiares tentam financiar livro sobre o caso

Familiares de Robert Maudsley também iniciaram uma campanha para financiar um livro sobre sua trajetória no sistema prisional britânico.

A meta é arrecadar aproximadamente £ 30 mil para contratar um escritor.

Até o momento citado no relato, porém, a campanha havia arrecadado apenas £ 833.

O psiquiatra Bob Johnson, que acompanhou Maudsley durante sua passagem pela prisão de Parkhurst, também comentou sua trajetória.

Segundo Johnson, o preso é inteligente, culto e interessado por música clássica, Franz Schubert e xadrez.

Na avaliação do psiquiatra, décadas de isolamento podem ter agravado seu estado psicológico e reduzido possibilidades de reabilitação.

Protocolos de segurança continuam rigorosos

Até hoje, as autoridades mantêm procedimentos rígidos sempre que Maudsley deixa a cela.

Objetos comuns, como canetas e talheres metálicos, são tratados como potenciais armas.

Em um episódio recente, uma breve parada diante de um quadro de avisos durante o trajeto até o pátio teria provocado novo endurecimento das medidas.

Segundo Maudsley, seu principal objetivo atualmente é ser tratado com humanidade, dignidade e respeito.

O caso continua marcado pelo contraste entre a gravidade dos crimes cometidos e as reclamações sobre décadas de isolamento dentro do sistema penitenciário britânico.

Você acredita que décadas de isolamento extremo podem ser justificadas pela segurança prisional ou esse tipo de confinamento ultrapassa os limites de um tratamento humano?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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