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Principal parque eólico flutuante do Reino Unido entra em colapso, perde contrato público e é vendido por apenas £1 após explosão dos custos de implantação

Principal parque eólico flutuante do Reino Unido entra em colapso, perde contrato público e é vendido por apenas £1 após explosão dos custos de implantação

4 min de leitura

Principal parque eólico flutuante do Reino Unido entra em colapso, perde contrato público e é vendido por apenas £1 após explosão dos custos de implantação

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 08/08/2026 às 20:18

Atualizado em 08/08/2026 às 20:21

Energia Eólica, Energia Renovável

O projeto TwinHub, considerado pioneiro na energia eólica flutuante britânica, foi vendido por apenas £1 após perder viabilidade econômica.

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Projeto pioneiro de energia eólica flutuante no Mar Céltico havia sido o primeiro do Reino Unido a garantir um contrato público de longo prazo para venda de energia, mas inflação, aumento dos custos e dificuldades na cadeia de suprimentos inviabilizaram a iniciativa antes da entrada em operação.

O principal parque eólico flutuante do Reino Unido tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos dos desafios enfrentados pela nova geração de projetos de energia offshore. Desenvolvido para operar no Mar Céltico, o TwinHub foi vendido por apenas £1 após perder seu contrato de venda de energia garantido pelo governo britânico, encerrando um empreendimento que, poucos anos atrás, era tratado como referência para a expansão da energia eólica flutuante no país.

O caso chama atenção porque envolve justamente um projeto que abriu caminho para uma nova etapa da política energética britânica. Em 2022, o TwinHub tornou-se o primeiro parque eólico flutuante do Reino Unido a conquistar um contrato dentro do programa Contract for Difference (CfD), mecanismo criado para garantir previsibilidade financeira a empreendimentos de geração renovável.

Projeto foi pioneiro na nova geração de parques eólicos offshore

Com capacidade prevista de 32 MW, o TwinHub seria instalado no Mar Céltico, região marítima localizada entre o sul da Irlanda, Cornualha, Devon, País de Gales e parte da costa da Bretanha, na França.

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O diferencial tecnológico do empreendimento estava na utilização de uma plataforma semi-submersível de múltiplas turbinas, desenvolvida pela empresa sueca Hexicon. A proposta buscava reduzir custos de instalação em águas profundas, onde fundações fixas deixam de ser economicamente viáveis.

Para viabilizar o projeto, a Hexicon firmou, em março de 2021, uma parceria estratégica com a empresa americana de engenharia Bechtel, responsável por apoiar o desenvolvimento da infraestrutura e da engenharia da usina.

Na época, o empreendimento foi visto como um marco para a indústria eólica offshore. A conquista do primeiro contrato público para um parque flutuante representava um importante sinal de confiança do governo britânico em uma tecnologia ainda considerada emergente.

Inflação e aumento dos custos inviabilizaram o empreendimento

O cenário econômico mudou rapidamente.

Segundo informações divulgadas pela própria Hexicon, a combinação entre inflação elevada, gargalos na cadeia global de suprimentos e forte aumento dos custos de equipamentos e construção tornou o projeto financeiramente inviável.

Como consequência, o contrato de fornecimento de energia firmado dentro do programa Contract for Difference, que garantia um preço de £87,30 por MWh durante 15 anos, acabou sendo cancelado.

Esse episódio evidencia um padrão observado em diversos projetos de energia renovável lançados durante o período de juros baixos e inflação controlada. Muitos modelos financeiros foram estruturados com custos que deixaram de existir após a forte alta registrada no mercado global de matérias-primas, transporte e fabricação de equipamentos.

Empresa vendeu toda a participação por apenas £1

Sem condições de seguir com o desenvolvimento, a Hexicon decidiu vender integralmente sua participação na empresa responsável pelo TwinHub.

A negociação incluiu 100% das ações, além de todos os ativos e passivos relacionados ao empreendimento, pelo valor simbólico de £1.

Embora o montante pareça surpreendente, esse tipo de operação costuma ocorrer quando o comprador assume também obrigações financeiras e riscos futuros ligados ao projeto.

Segundo o portal especializado Windpower Monthly, referência internacional na cobertura do setor eólico, a compradora é a Seatrium, gigante de engenharia marítima sediada em Singapura. A empresa pretende utilizar a área na costa da Cornualha como campo de testes para suas próprias fundações semi-submersíveis voltadas a turbinas eólicas offshore de aproximadamente 15 MW, significativamente maiores do que as previstas no conceito original do TwinHub.

Área continuará sendo usada para testar plataformas flutuantes

Apesar do encerramento do projeto original, a área não deverá permanecer sem utilização.

A Seatrium informou que pretende transformar o local em uma plataforma de testes para suas próprias fundações semi-submersíveis destinadas a turbinas eólicas offshore de aproximadamente 15 MW, significativamente maiores do que aquelas previstas no conceito original do TwinHub.

A mudança demonstra que, embora um projeto específico tenha fracassado, o interesse pelo desenvolvimento da energia eólica flutuante permanece vivo. O setor, porém, atravessa uma fase de reavaliação econômica, em que a viabilidade financeira passou a pesar tanto quanto a inovação tecnológica.

Os próximos anos devem mostrar se a redução dos custos industriais e o amadurecimento das plataformas flutuantes conseguirão recolocar esse segmento na trajetória de expansão prevista pelos governos europeus.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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