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Produção avança no AC com estudo para a Rota do Mel

Produção avança no AC com estudo para a Rota do Mel

Foto: Iago Nascimento

A chefe do Núcleo do Mel da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), Rúbia Lima, afirmou, em entrevista ao ac24horas na terceira noite da Expoacre 2026, nesta segunda-feira, 03, que o Acre trabalha para consolidar a cadeia produtiva da apicultura, fortalecer a identidade do mel acreano e criar a futura Rota do Mel. Segundo ela, o Estado conta atualmente com 11 municípios produtores, cerca de 242 apicultores cadastrados e registrou produção aproximada de 14 toneladas de mel no ano passado.

Durante a conversa, Rúbia destacou que uma das novidades desta edição da feira é a mesa de degustação organizada para aproximar o público da produção local. “Hoje é um dia bem especial, porque todo ano a cadeia inova em alguma coisa. Esse ano, especialmente, nós fizemos uma mesa de degustação justamente para mostrar que o mel do Acre existe, esse mel é uma delícia e que ele não é só remédio, ele é alimento”, afirmou.

Segundo ela, produtores de municípios como Bujari, Rio Branco, Senador Guiomard e também da região do Juruá participam da iniciativa. “Eles trazem os meles deles para as pessoas experimentarem, porque as pessoas ainda não conhecem de fato. Cada mel tem um sabor diferente, uma textura diferente. Cada abelha visita uma flor e produz um mel diferente”, explicou.

Foto: Iago Nascimento

Ao explicar as características do produto, a coordenadora afirmou que a composição do mel varia conforme a florada visitada pelas abelhas. “A maioria que está aqui é de florada silvestre, então não dá para especificar se foi goiabeira, laranjeira ou alecrim. A abelha visita diversas plantas. A gente tem mel até com características de copaíba”, pontuou.

Ela acrescentou que consumidores com paladar mais apurado conseguem identificar essas diferenças. “Tem uns que são mais suaves, outros mais ácidos. Tem mel das nossas abelhas nativas que lembra até queijo”, completou.

Rúbia revelou que a Seagri trabalha para estruturar oficialmente a Rota do Mel no Acre, nos moldes de outras cadeias produtivas do estado. “Nós estamos batalhando para sair dessa gestão com essa rota. Já tivemos conversas com o Ministério da Agricultura e eles estão querendo vir para cá justamente porque nós temos mel desde o Juruá até Assis Brasil”, explicou.

Segundo ela, a cadeia produtiva recebeu investimentos por meio da parceria entre o Governo do Estado e o Programa REM. “Foram investidos insumos para os produtores cadastrados, capacitações, palestras, visitas técnicas e caixas de criação. A Secretaria de Agricultura, através da cadeia do mel, não tem medido esforços”, pontuou.

Ela informou que atualmente existem aproximadamente 242 produtores cadastrados em 11 municípios. “No final do ano passado a gente chegou a 14 toneladas”, descreveu.

Foto: Iago Nascimento

Apesar do volume ainda considerado pequeno, Rúbia destacou que o diferencial do Acre está na qualidade. “O nosso estado fica muito atrás em quantidade. Por isso foi importante levar produtores para conhecer o Paraná. Municípios pequenos de lá produzem o equivalente ao nosso estado inteiro. Mas a gente tem um mel diferenciado. O nosso mel é da Amazônia”, ressaltou.

Ela ressaltou que o produto desperta interesse dentro e fora do Brasil.”Talvez a gente não tenha quantidade, mas a qualidade é diferenciada. O mel da Amazônia é visto internacionalmente. Todos querem”, pontuou.

Para fortalecer a produção, a Seagri também tem promovido intercâmbios técnicos. “Nós trazemos o número um do Brasil para capacitar os nossos produtores. Hoje mesmo levamos esse técnico ao Bujari. Ele mostrou onde estavam acertando e onde precisavam melhorar”, acrescentou.

Durante a entrevista, Rúbia também comentou os casos de mortandade de abelhas provocados pela aplicação de agrotóxicos com drones, tema que preocupa os produtores acreanos. Segundo ela, após receber denúncias, a orientação da Seagri foi para que a produtora registrasse boletim de ocorrência e acionasse os órgãos responsáveis.

“Nós recebemos a denúncia da nossa produtora. Orientamos ela a ir à delegacia fazer o boletim de ocorrência. Depois o caso passa pelo Idaf, que é o órgão responsável. Também pedimos apoio ao Imac, Ibama e demais órgãos ambientais”, afirmou.

Ela explicou que as denúncias precisam ser comprovadas antes da adoção de medidas. “A gente não pode chegar com uma denúncia sem comprovação. Não foi só a produtora de mel que foi atingida. Outro produtor agrícola da região também foi afetado. Morreram milhões de abelhas, várias caixas”, ressaltou.

Rúbia defendeu maior diálogo entre grandes produtores rurais e apicultores para evitar novos prejuízos. “O que a gente viu em outros estados é que quem produz soja utiliza as abelhas para ajudar na produção. Quando vai aplicar defensivos, avisam os pequenos produtores e as caixas são fechadas. Nós estamos brigando para que isso também aconteça aqui no Acre”, apresentou.

Ela destacou ainda a importância de manter os apiários cadastrados junto ao Idaf. “Nós orientamos nossos produtores a fazerem o cadastro no Idaf. Assim eles ficam legalizados e ninguém poderá dizer que não sabia da existência das colmeias”, pontuou.

Outro objetivo da Seagri é estruturar uma entidade representativa para os apicultores acreanos. “Nós precisamos ter uma federação. Como ainda não temos, estamos organizando isso para que os nossos produtores sejam registrados”, ressaltou.

Ao final da entrevista, Rúbia demonstrou confiança de que o mel acreano ganhará cada vez mais espaço no mercado. “Nós estamos fazendo de tudo para isso. Queremos sair dessa gestão dizendo que esse mel vale muito a pena ser consumido”, destacou.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

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