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Professor de 47 anos transforma o próprio corpo em laboratório, jejua 20 horas por dia, treina 90 minutos e IA estima idade biológica de 32 — mas resultado não comprova rejuvenescimento
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 18/08/2026 às 16:07
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Dean Ho passou mais de um ano seguindo jejum prolongado, exercícios, dieta mediterrânea e monitoramento constante. Indicadores melhoraram, mas o estudo acompanhou somente o próprio pesquisador.
Durante mais de um ano, o professor Dean Ho transformou o próprio organismo em objeto de pesquisa sobre saúde, metabolismo e envelhecimento.
Aos 47 anos, ele passou a cumprir jejuns de aproximadamente 20 horas por dia, treinar 90 minutos e concentrar suas refeições em quatro horas.
Nesse período, uma inteligência artificial desenvolvida pela própria equipe estimou sua idade biológica em aproximadamente 32 anos.
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A diferença de quase 15 anos chamou atenção. O experimento, porém, não comprova que Ho tenha rejuvenescido, principalmente porque acompanhou somente uma pessoa.
Professor virou pesquisador e único participante do próprio estudo
O projeto recebeu o nome de DELTA e foi desenvolvido na Escola de Medicina Yong Loo Lin, da Universidade Nacional de Singapura.
Dean Ho, diretor do Instituto de Medicina Digital da instituição, também era o participante identificado pelos pesquisadores como DELTA001.
Na prática, o experimento adotou o modelo conhecido como estudo N=1, no qual somente uma pessoa é acompanhada detalhadamente ao longo do tempo.
O trabalho chegou à revista científica PLOS ONE em dezembro de 2025. Posteriormente, recebeu aprovação em julho de 2026.
A publicação científica ocorreu em 12 de agosto de 2026, conforme os registros da própria PLOS ONE.
Durante o acompanhamento, Ho era considerado saudável, não apresentava doença metabólica ou crônica conhecida e não utilizava medicamentos prescritos.
Jejum de 20 horas e treino de 90 minutos mudaram a rotina
Na maior parte dos dias, a alimentação ficava concentrada entre aproximadamente 11h e 15h.
Dessa maneira, Ho permanecia perto de 20 horas sem comer e encerrava a digestão várias horas antes de dormir.
O cardápio reunia peixes, frango, grão-de-bico, folhas, repolho roxo, sementes, azeite extravirgem e outros alimentos inspirados na dieta mediterrânea.
Fora dessa janela, as bebidas eram limitadas a água, eletrólitos, café preto e chá sem leite ou açúcar.
Em determinados momentos, o protocolo incluiu ainda jejuns de 48 horas consumindo somente água.
Amostras coletadas antes e depois permitiram acompanhar glicose, cetonas, colesterol, inflamação e outros indicadores relacionados ao metabolismo.
Todas as manhãs, Ho também realizava aproximadamente 90 minutos de treinamento cardiovascular ou exercícios de força.
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Viviane Alves
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Frequência cardíaca caiu de 65 para 46 batimentos
Ao longo do experimento, diferentes indicadores fisiológicos apresentaram mudanças.
A frequência cardíaca de repouso caiu de aproximadamente 65 para 46 batimentos por minuto, segundo os dados apresentados pela Universidade Nacional de Singapura.
O sono também mudou de maneira expressiva.
Antes do protocolo, Ho costumava dormir depois da meia-noite e acumulava aproximadamente cinco horas de descanso.
Durante a experiência, o professor passou a se deitar perto das 21h e chegou próximo de oito horas de sono.
Por cerca de oito meses, dispositivos da Whoop, Garmin e Apple monitoraram sono, frequência cardíaca, recuperação e desempenho físico.
Outro indicador acompanhado foi a flexibilidade metabólica. O período para alternar fontes de energia caiu de mais de 24 horas para aproximadamente 16,5 horas.
Inteligência artificial calculou idade biológica de 32 anos
A parte que mais chamou atenção surgiu quando os pesquisadores reuniram diferentes informações utilizando uma ferramenta de inteligência artificial.
Nesse cálculo experimental, os padrões fisiológicos de Ho foram associados aos de uma pessoa com aproximadamente 32 anos de idade biológica.
O número, contudo, não funciona como comprovação clínica de rejuvenescimento.
A própria equipe responsável pelo DELTA desenvolveu a ferramenta e apresentou sua utilização como exploratória.
Diferentes métodos de cálculo também podem produzir estimativas distintas de idade biológica para a mesma pessoa.
Um único participante não comprova reversão do envelhecimento
O principal limite do DELTA está justamente em sua estrutura: Dean Ho foi o único participante analisado.
Durante o período, jejum, exercícios, alimentação, sono e suplementação mudaram simultaneamente.
Essa combinação impede determinar com segurança qual intervenção respondeu individualmente por cada mudança registrada.
A ausência de um grupo de controle também impossibilita demonstrar que outras pessoas obteriam resultados semelhantes seguindo o mesmo protocolo.
Segundo o National Institute on Aging, ainda faltam evidências suficientes para recomendar jejum ou restrição calórica à população em geral.
Jejuns prolongados também podem envolver riscos e, por isso, não devem ser reproduzidos indiscriminadamente sem avaliação profissional.
O DELTA demonstra que Dean Ho melhorou diferentes indicadores enquanto seguia uma rotina intensamente monitorada.
Afirmar que o professor reverteu 15 anos de envelhecimento, entretanto, ultrapassa aquilo que um estudo com apenas um participante consegue demonstrar cientificamente.
Você encararia uma rotina com 20 horas diárias de jejum e 90 minutos de exercícios para acompanhar mudanças no próprio organismo?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

