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Professor de matemática vende a casa e o carro para investir numa sorveteria desconhecida no meio do Pará, distribui sorvete de graça no sinal de trânsito para sobreviver aos primeiros meses no vermelho, e hoje fatura R$ 38 milhões por ano como o maior franqueado do Brasil
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 02/08/2026 às 23:21
Indústria
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Professor de matemática vendeu casa e carro, investiu R$ 520 mil em uma franquia da Chiquinho Sorvetes no Pará e transformou a primeira loja em uma operação com 25 unidades, 240 funcionários e faturamento milionário.
Mário Sérgio da Silva, engenheiro agrônomo e professor de matemática, deixou a cidade de Sorriso, em Mato Grosso, vendeu a própria casa e o carro e decidiu investir cerca de R$ 520 mil em uma franquia da Chiquinho Sorvetes. A aposta começou em 2013, com uma unidade em Parauapebas, no Pará, e se transformou em uma operação de grande porte dentro da rede.
Segundo reportagem publicada pela Exame, Mário chegou a 25 lojas, tornou-se o maior franqueado individual da Chiquinho Sorvetes e passou a atuar também como master franqueado em Pernambuco. A mesma reportagem informou que a operação tinha expectativa de fechar 2024 com R$ 38 milhões de faturamento e R$ 12 milhões de lucro.
Professor de matemática vendeu casa e carro para abrir franquia da Chiquinho Sorvetes
A decisão de Mário Sérgio da Silva começou com uma ruptura completa. Ele morava em Sorriso, dava aulas de matemática e, mesmo sem experiência consolidada no varejo de alimentação, decidiu vender os bens que tinha para abrir a primeira loja.
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Com o dinheiro da casa e do carro, investiu cerca de R$ 520 mil na unidade de Parauapebas. A escolha da cidade não foi aleatória. À Exame, ele afirmou que já conhecia a região por causa de parentes da esposa e via ali uma demanda reprimida por franquias.
O empresário apostou em uma rede que tinha operação simples e forte apelo popular. Para ele, a Chiquinho Sorvetes combinava produtos prontos enviados pela fábrica, ticket médio acessível e uma estrutura de loja mais fácil de operar do que outros modelos de franquia.
Primeira loja em Parauapebas começou no vermelho antes de virar o jogo
Apesar da aposta alta, os primeiros meses da loja não foram lucrativos. A unidade de Parauapebas enfrentou um início difícil, colocando pressão sobre todo o capital investido por Mário na abertura do negócio.
Em vez de desistir, ele decidiu levar o produto diretamente ao público. Segundo relatou à Exame, havia estoque e confiança na qualidade dos sorvetes, mas as pessoas ainda precisavam conhecer a marca.
A solução foi distribuir sorvetes de baunilha e chocolate gratuitamente no semáforo e espalhar cupons pela cidade. A estratégia colocou o produto na mão dos consumidores e acelerou o boca a boca local.
Sorvete grátis no sinal levou a loja ao lucro em menos de seis meses
A ação de degustação gratuita funcionou como ponto de virada. De acordo com a Exame, a loja se tornou lucrativa em menos de seis meses, depois de uma fase inicial sem retorno financeiro.
Mário contou à reportagem que, no quinto mês, a unidade já registrava R$ 40 mil de lucro. O resultado confirmou a viabilidade da operação e deu ao franqueado segurança para reinvestir no próprio negócio.
A segunda loja veio um ano depois, em Marabá, também no Pará. Seis meses após essa expansão, ele abriu a terceira unidade, em Canaã dos Carajás, mantendo o crescimento concentrado em cidades com potencial de consumo e menor presença de franquias.
Expansão da franquia cresceu com gerentes treinados dentro da operação
A expansão não aconteceu apenas pela abertura de novas lojas. Desde o início, Mário estruturou uma gestão baseada na formação de pessoas de confiança para comandar cada unidade.
Segundo ele relatou à Exame, muitos dos gerentes foram funcionários que se destacaram e passaram a assumir cargos de liderança conforme novas lojas eram inauguradas. Essa estratégia permitiu que o empresário acompanhasse diferentes unidades sem centralizar toda a operação em si mesmo.
Outro movimento decisivo foi a negociação de exclusividade em municípios onde a Chiquinho Sorvetes ainda não estava presente. Mário pagou uma taxa para ser o único franqueado da marca em cinco cidades, ampliando sua vantagem regional dentro da rede.
De uma unidade no Pará a 25 lojas e master franqueado em Pernambuco
A partir da primeira loja em Parauapebas, Mário passou de uma expansão anual para um ritmo mais acelerado. Segundo a Exame, ele chegou a abrir cinco unidades por semestre e planejava encerrar 2024 com 30 lojas.
A trajetória o levou ao posto de maior franqueado individual da Chiquinho Sorvetes, com 25 unidades próprias. Além disso, tornou-se master franqueado em Pernambuco, função em que passou a abrir lojas, vender unidades e acompanhar franqueados na região.
Para sustentar a operação, Mário montou uma sede administrativa em Marabá, com cerca de 20 funcionários responsáveis por áreas como financeiro e recursos humanos. No total, sua operação reunia cerca de 240 colaboradores.
Chiquinho Sorvetes saiu de Frutal e passou de mil lojas no Brasil
A Chiquinho Sorvetes foi criada em 1980, em Frutal, Minas Gerais, por Francisco Olímpio de Oliveira, conhecido como Chiquinho. Segundo a página institucional da rede, a marca nasceu como uma pequena sorveteria e se transformou em franquia em 2010.
Em 2024, a Exame informou que a rede contava com 827 lojas e projetava alcançar o primeiro bilhão de reais de faturamento naquele ano. Já a página oficial da Chiquinho informa que, em 2025, a marca passou a ter mais de 1.007 lojas espalhadas pelo Brasil.
Esse crescimento ajuda a explicar a relevância do caso de Mário. Ele entrou na rede em uma fase anterior à escala atual e construiu sua posição apostando em cidades estratégicas do Pará e em um modelo de expansão baseado em gestão local.
Lucro das sorveterias abriu caminho para hotéis, fazendas e locadora de carros
O negócio que quase não deu certo nos primeiros meses passou a financiar outras frentes empresariais. Segundo a Exame, Mário também se tornou dono de dois hotéis no Pará, além de fazendas, cafeteria e locadora de carros no estado.
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A diversificação mostra como a franquia deixou de ser apenas uma loja de sorvetes para se tornar a base de um grupo empresarial regional. A primeira unidade, aberta com o dinheiro da casa e do carro, sustentou uma expansão que avançou para outros setores.
Ao olhar para a trajetória, Mário resumiu à Exame que nunca imaginou ser tão bem-sucedido com franquias. A história ganhou força justamente por mostrar uma aposta extrema: vender tudo, entrar em um mercado novo, enfrentar meses no vermelho e transformar uma única loja em uma operação milionária.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

