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Professora aposentada de Florianópolis termina a carreira em sala de aula e, em vez de descansar, oferece a própria garagem há mais de 20 anos para alfabetizar de graça idosos que nunca aprenderam a ler
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 27/08/2026 às 12:45
Atualizado em 27/08/2026 às 12:46
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Zenita Chamone, professora aposentada de Florianópolis, transformou a garagem de casa, no bairro Coqueiros, em sala de alfabetização para idosos. Há 20 anos, ela reúne semanalmente alunos que não puderam estudar quando jovens, ensinando leitura, escrita e matemática, enquanto fortalece autoestima, autonomia e amizade entre todos os participantes da turma.
Zenita Chamone dedicou a vida à pedagogia e, depois de se aposentar, decidiu continuar ensinando ao transformar a garagem de sua casa, no bairro Coqueiros, em Florianópolis, em uma sala de alfabetização para idosos. O projeto já completava 20 anos de encontros quando a história foi apresentada pela televisão catarinense.
Segundo reportagem do G1 SC, publicada em abril de 2016 a partir de uma matéria exibida pelo Jornal do Almoço, os alunos de Zenita são pessoas que não tiveram oportunidade de frequentar a escola quando jovens. Nas aulas, eles aprendem a ler, escrever e fazer contas, além de conviver e criar vínculos com os colegas.
Zenita dedicou a vida à pedagogia e continuou ensinando após se aposentar
A trajetória profissional de Zenita foi construída na educação.
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Quando chegou a aposentadoria, a professora decidiu não abandonar a atividade que havia marcado sua vida e organizou um projeto de alfabetização voltado especificamente aos idosos.
A garagem de casa passou, então, a receber os encontros da turma.
Projeto de alfabetização já tinha 20 anos de encontros
A iniciativa completava 20 anos de funcionamento quando foi mostrada pela reportagem.
Durante esse período, Zenita manteve uma rotina de encontros dedicada a pessoas que chegaram à velhice sem terem recebido a oportunidade de estudar na juventude.
O aprendizado envolve conteúdos básicos de leitura, escrita e matemática.
Turma se encontra uma vez por semana em Coqueiros
Os alunos vão uma vez por semana à casa da professora, no bairro Coqueiros.
Antes de começarem a aula, eles tomam café da manhã juntos e aproveitam o encontro para conversar e rir.
Depois, o grupo segue para as atividades preparadas por Zenita.
Quatro alunos somavam mais de 300 anos de experiência
Entre os participantes estavam Olívia, Atacília, Maurino e Vanilda, descrita como a caçula da turma.
Juntos, os quatro somavam mais de 300 anos de experiência de vida.
A convivência semanal fazia com que a atividade ultrapassasse o conteúdo escolar e também se transformasse em um espaço de amizade.
Ideia nasceu de projeto apresentado em congresso internacional
A iniciativa de alfabetização de idosos surgiu a partir de um projeto apresentado em um congresso internacional.
Zenita explicou que a proposta previa que a experiência pudesse ser reproduzida por outras pessoas.
“A intenção é que houvesse multiplicadores [do projeto]”, afirmou a professora.
Vanilda entrou no projeto aos 55 anos e permaneceu por 12 anos
Vanilda da Silva, de 67 anos, participava das aulas havia 12 anos quando a reportagem foi produzida.
Ela contou que sempre quis estudar, mas não teve essa oportunidade anteriormente.
A falta de alfabetização também afetou sua relação com a vida escolar dos próprios filhos.
Não conseguir ajudar os filhos nas tarefas era uma dificuldade
Vanilda lembrou que sofria quando os filhos chegavam da escola com atividades para fazer em casa.
“Não consegui estudar. Eu tinha sempre vontade de estudar, para ensinar os meus filhos. Quando os meus filhos chegavam da aula com os deveres para eles fazerem, para mim era uma tortura porque eu não tinha como ajudá-los”, relatou.
Depois das aulas com Zenita, Vanilda aprendeu a ler e escrever.
Olívia chegou aos 86 anos sem ter tido oportunidade de estudar
A aluna mais velha da turma era Olívia Nicolletti Fernandes, de 86 anos.
A história dela também foi marcada pela impossibilidade de frequentar a escola quando jovem.
Segundo a reportagem, Olívia se casou aos 11 anos, por determinação do pai, em uma época na qual esse tipo de situação era mais comum.
Aprender matemática deu mais autonomia a Olívia
Nas aulas de Zenita, Olívia passou a aprender também operações matemáticas.
Para ela, saber fazer as próprias contas significava depender menos da ajuda de outras pessoas.
“A gente aprende, como é que diz, fazer conta. A gente aprende muita coisa. Se eu souber, não preciso pedir para os outros. E não é importante isso? Para mim, é muito importante”, declarou.
Alfabetização também ajudava na autoestima e nas amizades
O projeto não se limitava à aquisição de conhecimentos escolares.
Segundo a reportagem, as atividades contribuíam para aumentar a autoestima dos alunos e proporcionavam novas amizades entre os participantes.
A rotina de café da manhã, conversa e aprendizado transformava o encontro semanal em um espaço de convivência para a turma.
Garagem continuou sendo sala de aula décadas depois da aposentadoria
Depois de uma carreira dedicada à pedagogia, Zenita manteve a própria casa como ponto de encontro para idosos que não haviam conseguido estudar na juventude.
Com 20 anos de projeto, alunos como Vanilda já haviam aprendido a ler e escrever, enquanto Olívia destacava a autonomia conquistada ao aprender matemática.
Para você, iniciativas de alfabetização para idosos como a criada por Zenita deveriam ser ampliadas para mais comunidades? Deixe sua opinião nos comentários.
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alfabetização de idosos
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

