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Profissão com menos de 17 mil trabalhadores nos Estados Unidos resiste à automação, envelhece rapidamente e recebe 200 candidatos para apenas 15 vagas

Profissão com menos de 17 mil trabalhadores nos Estados Unidos resiste à automação, envelhece rapidamente e recebe 200 candidatos para apenas 15 vagas

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Profissão com menos de 17 mil trabalhadores nos Estados Unidos resiste à automação, envelhece rapidamente e recebe 200 candidatos para apenas 15 vagas

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 21/08/2026 às 21:30

Atualizado 21/08/2026 às 21:52

Economia

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A escassez de alfaiates nos Estados Unidos expõe uma profissão com idade mediana de 54 anos, forte presença de trabalhadores nascidos no exterior, aprendizado que exige prática e demanda renovada por ajustes de roupas compradas prontas ou pela internet.

Curvado sobre uma máquina de costura em Manhattan, Kil Bae termina a barra de um vestido quando recebe uma jaqueta vintage que precisa ser ajustada ao corpo do cliente. A peça custou US$ 20, mas o proprietário aceita pagar US$ 280 pelo trabalho manual necessário para deixá la no tamanho desejado.

A informação foi publicada pela Associated Press, agência internacional de notícias fundada nos Estados Unidos. O país tinha menos de 17 mil alfaiates, costureiros sob medida e profissionais de confecção personalizada empregados em estabelecimentos, uma queda de 30% em uma década.

Uma profissão que envelheceu enquanto os jovens escolheram outros caminhos

A idade mediana entre costureiros, modistas e alfaiates chegou a 54 anos no ano anterior à publicação da reportagem. Nesse cálculo, foram incluídos profissionais autônomos e trabalhadores de residências particulares.

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A diferença para o restante do mercado de trabalho é expressiva. Esses profissionais eram 12 anos mais velhos do que a idade mediana de toda a população empregada. Isso significa que uma parcela importante pode se aposentar sem encontrar alguém preparado para continuar o serviço.

Uma profissão que envelheceu enquanto os jovens escolheram outros caminhos

A mão de obra estrangeira sustenta parte considerável do setor. Cerca de 40% desses trabalhadores nasceram fora dos Estados Unidos, com presença relevante de pessoas vindas do México, da Coreia do Sul, do Vietnã e da China.

A Associated Press, agência internacional de notícias fundada nos Estados Unidos, reuniu também os dados de remuneração. Em maio de 2024, o salário médio anual era de US$ 44.050, enquanto a média para todos os trabalhadores alcançava US$ 68.000.

Por que faltam alfaiates mesmo quando existe procura por ajustes

O problema começa na relação entre esforço, aprendizado e remuneração. Trabalhar durante horas inclinado sobre tecidos, observar detalhes pequenos e desfazer costuras exige concentração e cobra um preço físico. Ao mesmo tempo, o pagamento médio permanece abaixo da média geral do país.

Grande parte dos cursos de moda prepara profissionais para a produção em escala. O aprendizado dentro de uma oficina, com roupas diferentes e clientes de corpos variados, recebe menos espaço. Assim, poucos iniciantes chegam com a prática necessária para assumir serviços complexos.

Kil Bae começou a aprender alfaiataria aos 17 anos, na Coreia do Sul. Ele passou cinco anos trabalhando com os irmãos antes de seguir para encomendas personalizadas, criação de modelos e experiências com marcas de moda.

O percurso mostra que um curso curto pode abrir uma porta, mas não transforma imediatamente um iniciante em mestre alfaiate. A formação completa depende de repetição, acompanhamento e contato com tecidos, máquinas e formatos de corpo muito diferentes.

Curso de nove semanas recebeu 200 interessados para apenas 15 vagas

A Nordstrom, rede de lojas de departamentos, criou uma resposta prática para a falta de trabalhadores. A empresa firmou uma parceria com o Fashion Institute of Technology, instituto de moda de Nova York, para oferecer um programa de nove semanas sobre costura avançada e ajustes.

A primeira turma recebeu 200 inscrições para apenas 15 estudantes. O treinamento foi desenvolvido para preparar os participantes para trabalhar com os serviços oferecidos pela varejista.

A Nordstrom emprega aproximadamente 1.500 profissionais de alfaiataria e ajustes. Eles fazem barras de calças, reparam rasgos, ajustam ternos e modificam vestidos de festa. Dos 15 participantes da primeira turma, dez foram contratados ou estavam em processo de contratação.

Curso de nove semanas recebeu 200 interessados para apenas 15 vagas

O resultado ajuda a explicar por que grandes varejistas investem em formação. Sem novos profissionais, as lojas podem vender uma peça cara, mas não conseguem oferecer o ajuste necessário para que ela realmente sirva no cliente.

O limite da automação diante de uma peça de roupa

Para Kil Bae, esse trabalho “não pode ser feito por inteligência artificial”. A declaração representa a opinião de um profissional com décadas de experiência, não uma conclusão técnica de que nenhuma etapa poderá ser automatizada.

A inteligência artificial já participa da modelagem, processo usado para desenhar os formatos que orientam o corte do tecido. Entretanto, o ajuste final ainda envolve observar postura, proporções, movimento e preferência pessoal.

Uma máquina pode repetir medidas, mas o alfaiate precisa decidir quanto tecido retirar, onde reposicionar uma costura e como preservar o desenho original da roupa. Uma alteração errada pode comprometer uma peça que não permite recuperar o material cortado.

Os anúncios de emprego para esses profissionais recuaram aproximadamente 2% entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2026. No mesmo período, vagas de marketing e programação caíram quase 30%. A comparação indica estabilidade maior, mas não significa que o ofício esteja protegido de toda mudança tecnológica.

Comércio eletrônico e roupas usadas renovam a procura por ajustes

O comércio eletrônico facilita a compra, mas impede que o consumidor experimente a roupa antes de recebê la. Quando o tamanho não corresponde ao corpo, um ajuste pode evitar a devolução e transformar uma peça comum em algo confortável.

A procura também vem de consumidores interessados em recuperar roupas usadas, personalizar peças prontas ou prolongar a vida do guarda roupa. O serviço deixa de ser associado apenas a ternos e vestidos formais e passa a incluir jeans, jaquetas, camisas e pequenos reparos.

Outras redes perceberam esse movimento. A Brooks Brothers testou a alfaiataria feminina personalizada em cinco unidades e depois ampliou o serviço para mais 40 lojas. Isso mostra que o varejo enxerga espaço comercial onde faltam profissionais qualificados.

Para o público brasileiro, a situação lembra as antigas alfaiatarias de bairro que perderam espaço com a popularização das roupas prontas. Ainda assim, costureiras e alfaiates continuam sendo procurados quando uma barra precisa subir, uma cintura precisa diminuir ou uma roupa importante não veste corretamente.

Um ofício raro que continua necessário dentro e fora das grandes lojas

A redução para menos de 17 mil trabalhadores empregados em estabelecimentos não significa que a alfaiataria deixou de ter clientes. O envelhecimento da categoria, a aposentadoria dos profissionais mais experientes e a falta de formação prática ajudam a explicar a escassez.

Os 200 interessados em 15 vagas de curso revelam que existe disposição para aprender. O desafio está em transformar esse interesse em aprendizado contínuo, condições de trabalho atraentes e profissionais capazes de realizar decisões manuais que a automação ainda não reproduz por completo.

Na sua cidade ainda existe uma alfaiataria de bairro ou está cada vez mais difícil encontrar quem faça bons ajustes? Conte sua experiência nos comentários e compartilhe esta história.

Fonte

Associated Press


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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