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Quais as chances de sobreviver a um raio? Descarga pode parar coração e respiração, mas reanimação rápida faz diferença

Quais as chances de sobreviver a um raio? Descarga pode parar coração e respiração, mas reanimação rápida faz diferença

5 min de leitura

Quais as chances de sobreviver a um raio? Descarga pode parar coração e respiração, mas reanimação rápida faz diferença

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 31/08/2026 às 17:27

Atualizado em 31/08/2026 às 17:28

Ciência e Tecnologia

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Os raios podem provocar parada cardíaca e respiratória, mas a maioria dos atingidos sobrevive. Entenda formas de impacto, riscos e atendimento às vítimas. Fonte: Canva.

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Os raios podem provocar parada cardíaca e respiratória, mas a maioria dos atingidos sobrevive. Entenda formas de impacto, riscos e atendimento às vítimas.

Ser atingido por uma descarga elétrica de enorme intensidade não significa necessariamente morrer. Dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, indicam que quase 90% das pessoas atingidas por raios naquele país sobrevivem.

No Brasil, onde aproximadamente 77,8 milhões de descargas alcançam o solo anualmente, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) estima cerca de 500 pessoas atingidas e aproximadamente 130 mortes por ano.

A sobrevivência depende de diferentes circunstâncias, inclusive da forma como a eletricidade alcança a vítima e do atendimento realizado depois do acidente.

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Há casos em que a corrente atravessa o organismo, outros em que chega pelo solo ou por um objeto próximo e situações nas quais parte relevante da descarga percorre a superfície corporal.

Ser atingido não significa receber o raio diretamente

Uma pessoa pode sofrer os efeitos dos raios mesmo sem estar exatamente no ponto onde o canal principal da descarga chega ao chão.

Uma das possibilidades é o impacto direto, quando a descarga efetivamente alcança o indivíduo. Porém, a eletricidade também pode partir de um objeto atingido nas proximidades e alcançar outra pessoa.

Há ainda acidentes provocados pela corrente que se espalha pelo solo depois que o raio toca a superfície ou por contato com estruturas que receberam a descarga.

Outro mecanismo descrito em estudos é o streamer ascendente, no qual uma descarga se desenvolve a partir do solo em direção ao canal principal.

Assim, os principais mecanismos incluem:

Essa diversidade ajuda a explicar por que acidentes envolvendo raios podem produzir lesões muito diferentes entre vítimas expostas ao mesmo temporal.

Corrente pode permanecer parcialmente na superfície do corpo

Um fenômeno conhecido como flashover pode influenciar a gravidade das lesões.

Nesse processo, parcela significativa da eletricidade percorre externamente a superfície corporal em vez de atravessar profundamente tecidos e órgãos.

Um estudo realizado na década de 1980 avaliou 140 vítimas e encontrou diferença importante entre pessoas nas quais havia sinais desse fenômeno e aquelas em que a corrente havia penetrado mais profundamente.

Os raios podem provocar parada cardíaca e respiratória, mas a maioria dos atingidos sobrevive. Entenda formas de impacto, riscos e atendimento às vítimas. Fonte: Canva.

Entre nove vítimas com evidências de passagem superficial da descarga, cinco sobreviveram. No grupo de 41 pessoas sem esses sinais, seis sobreviveram.

O resultado ajuda a mostrar por que dois acidentes aparentemente semelhantes podem terminar de maneiras muito distintas. O caminho percorrido pela eletricidade pode determinar quanto da energia alcança estruturas vitais.

Coração pode voltar a bater antes de a respiração retornar

Uma das consequências mais graves dos raios é a possibilidade de interrupção simultânea da atividade cardíaca e da respiração.

O comportamento posterior do organismo, entretanto, possui uma particularidade importante.

Um estudo da Wilderness Medical Society aponta que o coração pode recuperar sua atividade espontaneamente antes que a vítima volte a respirar.

O perigo aparece quando a respiração continua interrompida. Sem entrada adequada de oxigênio, a pessoa pode sofrer uma nova parada cardíaca posteriormente.

Isso torna a assistência imediata especialmente importante e ajuda a explicar uma orientação incomum aplicada a acidentes com múltiplas vítimas de descargas atmosféricas.

Raios criaram uma exceção curiosa nas prioridades de reanimação

Em emergências com muitas vítimas, normalmente há necessidade de selecionar quem receberá atendimento primeiro conforme as possibilidades de sobrevivência.

Nos acidentes provocados por raios, existe uma lógica conhecida como triagem reversa.

Pessoas que parecem estar mortas podem receber prioridade para reanimação justamente porque a parada respiratória decorrente da descarga pode ser reversível.

A possibilidade de o coração voltar a funcionar antes da respiração cria uma janela na qual ventilação e reanimação podem alterar o desfecho.

A vítima, portanto, não deve ser automaticamente considerada sem possibilidade de recuperação apenas pela ausência inicial de sinais aparentes de vida.

Sobreviver não significa sair sem consequências

A alta proporção de sobreviventes registrada pelo CDC não transforma uma descarga atmosférica em um acidente de baixo risco.

Quem sobrevive pode apresentar problemas que persistem depois do episódio.

As possíveis sequelas atingem diferentes sistemas do organismo e podem incluir alterações:

A intensidade e a duração desses efeitos não são necessariamente iguais para todos.

Por isso, observar somente o número de mortes não mostra toda a dimensão dos danos provocados pelos raios.

Os raios podem provocar parada cardíaca e respiratória, mas a maioria dos atingidos sobrevive. Entenda formas de impacto, riscos e atendimento às vítimas. Fonte: Canva.

Brasil registra dezenas de milhões de descargas por ano

A frequência de tempestades torna o território brasileiro especialmente exposto ao fenômeno.

O INPE calcula que aproximadamente 77,8 milhões de raios atingem o solo no país anualmente.

Outro levantamento do instituto encontrou 2.194 mortes entre 2000 e 2019, o que corresponde a uma média próxima de 110 óbitos por ano naquele intervalo.

Há ainda a estimativa de aproximadamente 500 brasileiros atingidos por ano, com cerca de 130 mortes, embora esses números tenham sido produzidos em períodos diferentes e não devam ser combinados como se pertencessem ao mesmo levantamento.

Segundo o INPE, a possibilidade de uma pessoa morrer após ser atingida por um raio ao longo da vida é estimada em aproximadamente uma em 25 mil.

Árvores e postes não são bons lugares para esperar a tempestade passar

A prevenção depende principalmente de não permanecer exposto quando as condições indicam atividade elétrica.

Os raios tendem a alcançar com maior facilidade estruturas altas ou isoladas. Por isso, ficar próximo a árvores, postes, mastros, torres e cercas durante uma tempestade aumenta o risco.

Campos abertos são igualmente problemáticos. Se uma pessoa se torna o elemento mais alto em uma área sem estruturas ao redor, sua exposição cresce.

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A orientação mais segura é procurar abrigo assim que a tempestade se aproxima, em vez de esperar o início de descargas muito próximas.

O fato de muitas vítimas sobreviverem não reduz a importância dessa precaução. Raios podem interromper coração e respiração em segundos, provocar lesões duradouras e atingir pessoas mesmo sem uma descarga direta sobre o corpo.

A possibilidade de sobrevivência é relevante para o atendimento médico, mas a melhor estratégia continua sendo reduzir ao máximo a exposição ao fenômeno.

Fonte

Revista Galileu


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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