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Quando as compras chegam sem dar trégua, porteiro recebe 100 pacotes por dia na guarita, empilha caixas e envelopes entre interfones e câmeras, até resumir com humor a rotina que transformou a portaria em balcão de encomendas do condomínio residencial
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 18/08/2026 às 10:18
Atualizado em 18/08/2026 às 10:19
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Philippe aparece uniformizado diante de uma bancada tomada por entregas, diz receber 100 pacotes por dia na guarita e alcança 173,3 mil visualizações, enquanto o volume nacional de pedidos online chega a 438,9 milhões em 2025 e obriga condomínios a rever registro, retirada, espaço e segurança nas portarias do país
Em 17 de agosto de 2026, a revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios publicou uma reportagem de Felipe Lessa sobre um vídeo do perfil Philippe O porteiro no TikTok. A gravação, postada aproximadamente quatro dias antes, mostra o profissional uniformizado recebendo cerca de 100 pacotes por dia na guarita, movimentando caixas e envelopes sobre a bancada. O conteúdo havia ultrapassado 173,3 mil visualizações quando a matéria saiu. O nome completo de Philippe, a cidade, o condomínio e uma contagem independente das encomendas não foram informados.
O vídeo incorporado pela PEGN, a base de mercado da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e Comércio Eletrônico, atual denominação da ABComm, o artigo 22 da Lei 6.538/1978, uma página dos Correios sobre caixas inteligentes e materiais de gestão do SíndicoNet, da Graiche e da MyCond sustentam o contexto. A Abiacom registra 438,92 milhões de pedidos online em 2025, ante 414,86 milhões em 2024, e projeta faturamento de R$ 259,08 bilhões para 2026. Pedido, pacote e entrega não são medidas idênticas, por isso os totais nacionais servem como dimensão do comércio eletrônico, não como prova do volume relatado no condomínio.
Philippe empilha caixas enquanto continua de olho no interfone e nas câmeras
Philippe aparece dentro de uma guarita com uniforme de trabalho, um quadro de força ao fundo e uma bancada ocupada por embalagens de tamanhos diferentes. As mãos puxam pacote, ajeitam envelope e reorganizam o espaço enquanto uma música ritmada acompanha a sequência. A cena reconhece qualquer portaria de prédio num dia movimentado: o telefone toca, o entregador chama e outra caixa chega antes que a anterior encontre o morador.
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Philippe olha para as embalagens e usa humor para resumir a mudança de função percebida no cotidiano. “Já nem sou porteiro mais, sou recebedor de encomendas”, diz o profissional no vídeo. As encomendas na portaria aparecem como trabalho contínuo, e não como uma interrupção ocasional entre duas tarefas de segurança.
A gravação não mostra cem entregadores diferentes nem acompanha um dia inteiro. O número de 100 pacotes por dia na guarita entra como estimativa declarada pelo próprio profissional. A quantidade combina com relatos públicos de condomínios grandes, mas o endereço filmado não teve número de unidades, livro de registros ou relatório de recebimento divulgado. As encomendas na portaria são visíveis; a contagem diária permanece como relato de Philippe.
Cem pacotes ocupam duas horas de cadastro mesmo com atendimento de um minuto
Os 100 volumes relatados formariam uma chegada a cada 14 minutos e 24 segundos se fossem distribuídos igualmente pelas 24 horas. Uma janela mais realista de 12 horas concentraria o recebimento de pacotes em uma ocorrência a cada 7 minutos e 12 segundos, ou 8,3 por hora. A conta não descreve os horários reais do prédio, porque transportadoras costumam chegar em blocos e o movimento varia durante o dia.
Um atendimento de apenas um minuto por volume consumiria uma hora e 40 minutos para conferir destinatário, unidade e condição externa da embalagem. Dois minutos elevariam a tarefa para três horas e 20 minutos. O recebimento de pacotes vira uma parte grande do turno mesmo antes de contar interfone, aviso ao morador, organização, retirada e eventual procura por uma caixa extraviada.
Trinta dias seguidos nesse ritmo produziriam três mil volumes; um ano completo alcançaria 36,5 mil. Esses totais são projeções matemáticas, não um balanço do condomínio de Philippe. Faz a conta: uma guarita pequena precisaria girar o equivalente à população de uma cidade de médio porte em caixas ao longo de alguns anos, caso o ritmo diário permanecesse constante.
O comércio eletrônico acrescentou 24 milhões de pedidos ao fluxo nacional em um ano
As compras pela internet somaram 414,86 milhões de pedidos online em 2024 e 438,92 milhões em 2025. A diferença alcança 24,06 milhões de compras, alta aproximada de 5,8%. A média de 2025 ficou perto de 1,2 milhão de pedidos por dia no país, embora datas promocionais, fins de semana e períodos de pagamento provoquem oscilações fortes.
Os pedidos online não viram automaticamente o mesmo número de caixas. Uma compra pode ser dividida por vendedores, centros de distribuição ou datas; vários itens também podem viajar juntos. Retirada em loja, ponto parceiro e locker reduz parte das entregas residenciais. O avanço das compras pela internet aumenta a pressão logística, mas o total nacional não revela quantos volumes chegaram às encomendas na portaria de um prédio específico.
As compras pela internet podem movimentar R$ 259,08 bilhões em 2026 pela projeção disponível, mas o valor mede faturamento, não quantidade de pacotes. Preço médio, categoria comprada e frete alteram essa relação. A rotina do porteiro sente o movimento pelo número físico de entregadores, etiquetas e objetos; o mercado mede vendas em reais e pedidos aprovados.
A rotina do porteiro ganhou uma operação de entrada, guarda e retirada
O entregador chega ao portão, informa a transportadora e apresenta uma etiqueta com nome e unidade. O porteiro precisa manter o controle de acesso, confirmar o destinatário, decidir onde deixar a embalagem e registrar a entrada sem perder o movimento de moradores, prestadores de serviço e visitantes. Uma segunda entrega pode parar atrás da primeira, e um carro aguarda a liberação da garagem no mesmo minuto.
A rotina do porteiro já incluía interfone, câmeras, chaves, cadastro e vigilância dos acessos. O recebimento de pacotes acrescentou conferência, armazenamento temporário, aviso e entrega ao morador. Cada caixa cria duas passagens pelo balcão: uma quando entra no condomínio e outra quando sai para as mãos do destinatário.
Os pacotes grandes ocupam espaço; os pequenos somem com facilidade entre envelopes; alimentos e remédios podem exigir retirada rápida. O controle de encomendas precisa funcionar nos horários de maior movimento sem transformar a guarita em depósito improvisado. Philippe brinca com a mudança, mas a bancada cheia mostra uma tarefa operacional que compete por atenção com a função original.
O registro precisa acompanhar cada pacote da transportadora até o morador
O controle de encomendas começa com data, horário, transportadora, nome do destinatário, apartamento e identificação de quem recebeu. Uma foto da etiqueta ou leitura de código acelera o cadastro, mas exige cuidado com dados pessoais. A notificação ao morador reduz o tempo de permanência e libera espaço para as próximas encomendas na portaria.
O morador precisa confirmar a retirada por assinatura, código, aplicativo ou outro mecanismo definido pelo condomínio. Essa segunda marca fecha a cadeia de custódia e permite verificar quem ficou com o objeto. O recebimento de pacotes sem registro cria uma pilha anônima; com entrada e saída documentadas, cada volume conserva um caminho verificável.
A convenção e o regimento interno podem definir horários, tamanhos aceitos, tratamento de perecíveis, prazo para retirada e procedimento para itens de alto valor. O controle de encomendas também precisa separar mercadorias destinadas a moradores de compras comerciais feitas por terceiros ou de remessas incompatíveis com o espaço disponível. Regras conhecidas evitam que o porteiro improvise uma decisão diante de cada entregador.
A lei postal credencia responsáveis pelo edifício, mas não resolve toda entrega privada
O artigo 22 da Lei 6.538, de 22 de junho de 1978, credencia administradores, gerentes, porteiros, zeladores ou empregados a receber objetos de correspondência destinados às unidades do edifício e prevê responsabilidade por extravio ou violação. A redação nasceu dentro da legislação dos serviços postais e continua em vigor.
As compras pela internet de 2026 circulam também por marketplaces, aplicativos, transportadoras privadas, entregadores autônomos e lojas com frota própria. Contrato de trabalho, convenção, regimento, tipo de objeto e prática adotada pelo prédio influenciam a análise de cada situação. O artigo 22 não transforma sozinho qualquer mercadoria, tamanho ou horário numa obrigação ilimitada para um único porteiro.
O condomínio que assume a guarda precisa manter um procedimento capaz de mostrar entrada, armazenamento e retirada. Um caso de extravio depende das circunstâncias e não deve receber conclusão automática sem documentos. A rotina do porteiro ganha proteção quando a administração define atribuições, treina a equipe e mantém registros compatíveis com o movimento real.
Lockers e salas de entrega tiram caixas da bancada, mas exigem regra clara
Os Correios oferecem uma caixa inteligente voltada a condomínios residenciais sem portaria, capaz de receber objetos sem a presença do destinatário ou de um funcionário. Empreendimentos também adotam lockers de empresas privadas, salas de encomendas e armários com abertura por senha. A tecnologia desloca o armazenamento para um ponto controlado e envia o aviso diretamente ao morador.
O controle de encomendas digital pode fotografar etiqueta, registrar horário e disparar notificação. Câmeras cobrem o acesso, enquanto relatórios mostram objetos pendentes há mais tempo. A automação reduz etapas manuais do recebimento de pacotes, mas não substitui regras sobre volume, perecíveis, grandes eletrodomésticos, devoluções e prazo de retirada.
Os moradores também participam da solução quando retiram rapidamente o que chegou, acompanham o rastreamento e evitam usar a portaria como endereço permanente de atividade comercial. Um armário lotado bloqueia a próxima entrega do mesmo jeito que uma bancada cheia. A tecnologia organiza o espaço; a disciplina coletiva mantém o fluxo funcionando.
Outros porteiros, entregadores e moradores reconheceram a mesma pressão
Os comentários destacados na reportagem trouxeram experiências de lados diferentes do balcão. Um ex-porteiro de condomínio de alto padrão em São Paulo contou que recebia roupas, documentos, comida e supermercado durante o dia e gostava do ritmo acelerado. Uma entregadora relatou encontrar profissionais mal-humorados, embora não controle a quantidade de pedidos que precisa levar ao prédio.
Uma moradora afirmou que o condomínio dela discutia como lidar com 200 encomendas por dia, o dobro do volume mencionado por Philippe. O relato não veio acompanhado de relatório e também deve ser tratado como experiência pessoal. As encomendas na portaria juntam três pressões: o entregador quer terminar a rota, o porteiro precisa proteger o acesso e o morador espera encontrar a compra intacta.
Philippe transforma o recebimento de pacotes em uma observação sobre o próprio cargo e encontra identificação entre profissionais e moradores. A publicação não apresenta pedido de demissão, denúncia trabalhista, falha de segurança ou encomenda perdida. O porteiro mostra a pilha e descreve aproximadamente o volume, sem afirmar que deixou a função.
Cem volumes pedem protocolo antes que a guarita vire depósito
O condomínio pode começar pelo levantamento do fluxo: quantos objetos entram por dia, quais horários concentram entregadores, quanto tempo os moradores levam para retirar e quais tamanhos ocupam mais espaço. O controle de encomendas ganha uma base concreta quando a administração troca impressão por registro e mede o gargalo durante semanas comuns e datas promocionais.
A administração pode definir local, prazo, aviso, confirmação de retirada e tratamento de exceções. As compras pela internet não precisam parar, mas o prédio precisa ajustar a operação ao volume que aceita receber. A rotina do porteiro melhora quando cada morador conhece sua parte e a equipe não precisa escolher entre vigiar o portão e procurar uma caixa.
Os 100 pacotes por dia na guarita permanecem como relato de Philippe, não como auditoria do condomínio. O vídeo confirma a bancada ocupada, a sequência de embalagens e o desabafo bem-humorado; os dados de mercado mostram que as compras digitais cresceram, sem provar a quantidade daquele endereço.
Você acha que receber encomendas já virou a principal tarefa das portarias? Conte nos comentários quantos pacotes chegam ao seu condomínio e qual regra funciona melhor para retirar tudo com segurança.
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100 pacotes por dia na guarita
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

