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Quase metade de Salvador está com o nome sujo: mais de 1 milhão de moradores acumulam dívidas enquanto juros altos, baixos salários, cartões e empréstimos alimentam uma bola de neve financeira

Quase metade de Salvador está com o nome sujo: mais de 1 milhão de moradores acumulam dívidas enquanto juros altos, baixos salários, cartões e empréstimos alimentam uma bola de neve financeira

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Quase metade de Salvador está com o nome sujo: mais de 1 milhão de moradores acumulam dívidas enquanto juros altos, baixos salários, cartões e empréstimos alimentam uma bola de neve financeira

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 05/08/2026 às 21:23

Economia

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Com mais de 1 milhão de moradores de Salvador negativados, dívidas, cartões, empréstimos e parcelas pressionam o orçamento das famílias.

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Mais de 1 milhão de moradores de Salvador enfrentam inadimplência, enquanto dívida média de R$ 5,3 mil pressiona orçamento e impulsiona mercado de crédito.

Salvador enfrenta um cenário de endividamento que alcança uma parcela expressiva de seus moradores. Mais de 1 milhão de pessoas estão com o nome negativado em uma cidade com aproximadamente 2,5 milhões de habitantes, enquanto cada consumidor inadimplente acumula uma dívida média de cerca de R$ 5,3 mil.

O tamanho do problema chama atenção não apenas pela quantidade de CPFs negativados, mas pelas condições econômicas enfrentadas pelas famílias. Aluguel, alimentação, energia e água comprometem parte importante dos rendimentos, enquanto parcelas e juros disputam espaço no mesmo orçamento.

A situação também revela uma transformação na relação dos consumidores com o crédito. Cartões de lojas, parcelamentos, empréstimos e carnês ampliaram as possibilidades de compra, mas criaram compromissos que podem permanecer durante meses na renda familiar.

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Mais de 1 milhão de moradores de Salvador estão negativados e dívida média chega a R$ 5,3 mil

Os números colocam Salvador diante de um cenário relevante de inadimplência. Mais de 1 milhão de moradores possuem alguma dívida negativada, segundo dados da Serasa apresentados pelo Jornal Correio em julho de 2026.

Cada consumidor nessa situação deve aproximadamente R$ 5,3 mil. Bancos, financeiras e redes varejistas aparecem entre as principais origens das restrições registradas na capital baiana.

Na Bahia, o problema também alcança milhões de consumidores. Dados apresentados na reportagem apontam que 37% da população total do estado está inadimplente, mostrando que o fenômeno não está restrito à capital.

Baixos salários e despesas básicas ajudam a explicar pressão sobre orçamento das famílias

A renda disponível aparece como uma das peças centrais desse cenário. O professor Kauê Lopes dos Santos, da Unicamp, explica que o endividamento ganha outra dimensão quando ocorre em uma sociedade marcada por baixos salários.

O orçamento doméstico precisa absorver despesas que não podem simplesmente ser eliminadas. Aluguel, água, energia e alimentação consomem parte dos rendimentos antes mesmo que parcelas, empréstimos e cartões sejam considerados.

Casas alugadas por valores entre R$ 500 e R$ 600, já podem representar uma fatia relevante da renda de trabalhadores que recebem salários menores. Quando todas as despesas são somadas, quitar cada compromisso se torna mais difícil.

Cartão de crédito transformou maneira de comprar e ampliou espaço das parcelas no orçamento

A relação dos brasileiros com o consumo passou por uma transformação importante nas últimas décadas. Até os anos 1980, comprar determinados produtos frequentemente significava economizar durante meses antes de realizar o pagamento.

Esse comportamento mudou principalmente durante os anos 1990 e o início dos anos 2000. Grandes varejistas passaram a oferecer cartões próprios, permitindo que consumidores adquirissem produtos sem possuir todo o dinheiro disponível naquele momento.

A parcela passou a ocupar um papel central na decisão de compra. Em vez de observar apenas o preço total, muitas famílias começaram a avaliar se determinado valor mensal poderia ser encaixado no orçamento.

O problema aparece quando diferentes prestações permanecem ativas simultaneamente. Uma compra aparentemente pequena pode se juntar a outras despesas e comprometer parte da renda dos meses seguintes.

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Supermercados entraram no mercado de cartões e alimentos passaram a ser parcelados

O crédito parcelado também alcançou uma das despesas mais básicas das famílias. Nos últimos anos, supermercados passaram a oferecer cartões próprios e condições específicas para dividir o pagamento das compras.

A facilidade permite que alimentos sejam pagos em várias faturas. Uma família pode continuar quitando o supermercado do mês anterior enquanto precisa realizar uma nova compra para abastecer a casa.

Esse acúmulo cria uma situação particular. Três ou quatro parcelas de compras anteriores podem permanecer dentro do mesmo cartão enquanto uma nova despesa com alimentação precisa ser assumida.

Consumidores apresentados na reportagem relatam que já precisaram parcelar a própria fatura por causa dos gastos realizados em supermercados. O crédito deixa, nesse contexto, de financiar somente bens duráveis e passa a alcançar necessidades cotidianas.

Salvador ganhou 565 empresas de empréstimos desde 2018 enquanto crédito avançava pela cidade

O crescimento do endividamento também movimentou um mercado voltado justamente para quem precisa de dinheiro. Desde 2018, 565 empresas relacionadas a empréstimos foram abertas em Salvador, conforme os dados apresentados pelo Jornal Correio.

A presença desse tipo de serviço pode ser observada em regiões comerciais tradicionais da capital, incluindo a Avenida Sete. Ofertas de crédito aparecem em meio ao comércio e prometem acesso relativamente rápido ao dinheiro.

Uma das operações disponíveis utiliza o próprio cartão de crédito para liberar valores em espécie. O consumidor solicita determinada quantia, enquanto a operação incorpora custos da máquina e comissão da empresa.

A rapidez pode resolver uma necessidade imediata, mas cria outro compromisso financeiro. Sem espaço suficiente no orçamento, a nova parcela pode se juntar às anteriores e ampliar o endividamento.

Carnês voltaram às lojas como alternativa para consumidores que não conseguem cartão

Uma modalidade conhecida de outras gerações também reapareceu nesse cenário. Os carnês voltaram a ser utilizados por estabelecimentos interessados em vender para consumidores que encontram dificuldades na aprovação convencional de crédito.

O funcionamento permite dividir o preço do produto em boletos, sem depender diretamente de um cartão bancário. O CPF continua sendo analisado, mas algumas lojas oferecem essa modalidade quando outras formas de crédito não são aprovadas.

Os parcelamentos podem ser longos. Há estabelecimentos citados no material oferecendo divisões em 10, 12, 14 ou até 20 prestações, criando uma alternativa para clientes interessados em comprar a prazo.

A procura também pode ser significativa. Relatos apresentados na reportagem indicam estabelecimentos realizando aproximadamente 10 ou 15 carnês por dia, dependendo do movimento da loja.

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Inadimplência em Salvador revela relação entre renda, consumo parcelado e acesso ao crédito

A situação encontrada em Salvador reúne mudanças construídas ao longo de décadas. Cartões próprios ganharam espaço no varejo, supermercados ampliaram suas operações financeiras, empresas de empréstimos cresceram e carnês voltaram ao comércio.

Essas modalidades facilitaram o acesso de consumidores a produtos e serviços que dificilmente seriam pagos integralmente de uma única vez. Ao mesmo tempo, cada parcela assumida compromete uma parte da renda futura.

O problema ganha maior dimensão quando essa estrutura encontra salários baixos e despesas essenciais elevadas. Famílias precisam continuar pagando aluguel, alimentação, água e energia mesmo quando dívidas anteriores permanecem abertas.

Mais de 1 milhão de moradores negativados e uma dívida média próxima de R$ 5,3 mil mostram a dimensão desse desafio na capital baiana. O cenário revela como renda limitada, crédito e consumo parcelado podem se encontrar dentro do mesmo orçamento.

Na sua opinião, o que pesa mais nesse cenário: os baixos salários, os juros elevados ou a facilidade de comprar parcelado?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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