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Radar da NASA revela cidade secreta da Guerra Fria enterrada sob 30 metros de gelo na Groenlândia, com 21 túneis e cerca de 3 quilômetros de corredores, enquanto o derretimento futuro pode expor diesel, esgoto, PCBs e resíduos radioativos deixados no local desde 1967
Escrito por Carla Teles
Publicado em 06/08/2026 às 10:16
Ciência e Tecnologia
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A cidade secreta Camp Century foi localizada por radar da NASA no norte da Groenlândia, onde 21 túneis e cerca de 3 quilômetros de corredores permanecem sob 30 metros de gelo, junto a 200 mil litros de diesel, esgoto, PCBs, resíduos biológicos e material radioativo de baixa atividade desde 1967.
Uma cidade secreta construída pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria voltou a aparecer sob a camada de gelo da Groenlândia depois que um radar da NASA registrou estruturas enterradas a mais de 30 metros de profundidade. Conhecida como Camp Century, a antiga base reúne 21 túneis e aproximadamente 3 quilômetros de corredores subterrâneos, além de resíduos deixados no local após sua desativação em 1967.
As informações foram publicadas pelo Daily Galaxy em 6 de agosto de 2026, com base em imagens obtidas durante um voo realizado em abril de 2024 e em estudos anteriores sobre o acampamento. A descoberta ocorreu por acaso, enquanto cientistas e engenheiros testavam um radar instalado em uma aeronave Gulfstream III, a cerca de 240 quilômetros a leste da Base Espacial Pituffik.
Radar procurava a base da camada de gelo
A equipe da NASA não realizava uma busca específica pelo antigo complexo militar. O objetivo do voo era calibrar e validar o UAVSAR, um radar de abertura sintética desenvolvido para observar as camadas internas do gelo e a interface entre a cobertura congelada e o terreno localizado abaixo dela.
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Durante o levantamento, os pesquisadores identificaram sinais incomuns vindos do subsolo. A cidade secreta apareceu no radar como uma rede de estruturas paralelas, levando os cientistas a comparar os novos registros com mapas históricos de Camp Century até confirmar a correspondência com os túneis construídos décadas antes.
Imagem revelou detalhes inéditos da base
Levantamentos anteriores já haviam encontrado indícios da instalação, mas os radares convencionais apontavam diretamente para baixo e produziam imagens bidimensionais pouco detalhadas. Nesses registros, a base aparecia principalmente como uma perturbação nas camadas normalmente regulares do gelo.
O UAVSAR consegue observar tanto para baixo quanto lateralmente, produzindo mapas com informações adicionais sobre a disposição das estruturas. Os novos dados permitiram visualizar partes individuais da cidade secreta de uma maneira que ainda não havia sido alcançada, embora a utilidade científica completa da imagem continue sendo avaliada.
Camp Century começou a ser construída em 1959
O Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos iniciou a construção de Camp Century em 1959, no noroeste da Groenlândia. A instalação foi escavada em uma camada relativamente próxima da superfície, formando uma rede subterrânea destinada oficialmente à pesquisa polar e ao funcionamento de equipes em condições extremas.
A base acabou recebendo o apelido de “cidade sob o gelo” por reunir alojamentos, áreas técnicas e longos corredores dentro da massa congelada. Os 21 túneis somavam cerca de 3 quilômetros de extensão, criando uma infraestrutura incomum em uma região marcada pelo frio intenso, pelo isolamento e pela movimentação constante da camada de gelo.
Projeto também envolvia objetivos militares
Embora a finalidade pública estivesse ligada à ciência, pesquisadores apontaram que Camp Century também foi utilizada para estudar a viabilidade de instalar e lançar mísseis balísticos a partir do gelo do Ártico. O planejamento fazia parte das estratégias militares desenvolvidas durante a Guerra Fria.
A ideia envolvia aproveitar o território congelado para ocultar uma rede de lançamento, mas as condições geológicas e a movimentação do gelo dificultavam a manutenção das estruturas. A cidade secreta representava uma tentativa de combinar pesquisa polar, presença militar e planejamento estratégico em uma área distante dos grandes centros urbanos.
Base foi abandonada em 1967
Camp Century foi desativada em 1967 depois de menos de uma década de operação. A retirada ocorreu de maneira limitada, baseada na suposição de que a neve continuaria se acumulando e enterraria permanentemente as instalações e os materiais deixados no local.
Com o passar das décadas, novas camadas de neve e gelo cobriram os túneis e empurraram as estruturas para uma profundidade superior a 30 metros. O congelamento funcionou como uma barreira natural, isolando os resíduos do ambiente externo e sustentando a expectativa de que o complexo permaneceria inacessível indefinidamente.
Resíduos permaneceram dentro dos túneis
A área utilizada para armazenar rejeitos ocupa aproximadamente 55 hectares, dimensão comparada a cerca de 100 campos de futebol. Entre os materiais abandonados estão aproximadamente 200 mil litros de óleo diesel e cerca de 240 mil litros de águas residuais, incluindo esgoto armazenado em estruturas sem revestimento.
Também foram deixados resíduos biológicos, bifenilos policlorados, conhecidos como PCBs, e fluido refrigerante radioativo de baixa atividade proveniente de um gerador nuclear portátil. A cidade secreta não guarda apenas equipamentos e corredores militares, mas um conjunto de contaminantes que pode representar riscos se voltar a entrar em contato com o ambiente.
PCBs estavam presentes nos materiais de construção
Os PCBs foram amplamente utilizados em equipamentos elétricos, isolantes e materiais industriais durante parte do século XX. Posteriormente, essas substâncias passaram a ser reconhecidas por sua persistência no ambiente e por seus potenciais efeitos tóxicos sobre pessoas e ecossistemas.
No caso de Camp Century, os compostos permaneceram associados aos materiais de construção enterrados. A estabilidade proporcionada pelo gelo reduziu temporariamente a possibilidade de dispersão, mas o futuro afinamento da cobertura congelada pode modificar as condições que mantêm esses resíduos isolados.
Gerador nuclear abastecia a instalação
A base utilizava um reator nuclear portátil, identificado como PM-2A, para fornecer energia às operações. A instalação permitia manter iluminação, aquecimento e equipamentos em funcionamento em uma região onde o abastecimento convencional seria extremamente difícil.
Após o encerramento da base, o reator foi retirado, mas fluidos radioativos de baixa atividade permaneceram no local. A existência desses resíduos amplia a preocupação ambiental, mesmo que o material não corresponda ao núcleo completo de um reator ou a grandes quantidades de combustível nuclear abandonado.
Derretimento pode remover a proteção natural
Um estudo publicado em 2016 utilizou modelos climáticos para analisar como o aquecimento do Ártico poderia afetar Camp Century. Em um cenário de emissões elevadas, os pesquisadores consideraram plausível que a região passe de um balanço de acumulação de gelo para um processo de perda líquida nas próximas décadas.
Esse processo, chamado de ablação líquida, combina derretimento, evaporação e erosão provocada pelo vento. Se a perda de gelo superar a formação de novas camadas, a barreira que cobre a cidade secreta poderá ficar progressivamente mais fina, aproximando os resíduos da superfície e aumentando o risco de exposição.
Exposição não é considerada imediata
Os estudos não afirmam que os túneis e rejeitos estejam prestes a surgir na superfície em curto prazo. A previsão depende da evolução das temperaturas, das emissões de gases de efeito estufa, do comportamento regional do gelo e de outros fatores climáticos que possuem diferentes graus de incerteza.
As estimativas apontam para um possível processo ao longo de várias décadas, e não para uma emergência imediata. O radar ajuda a compreender a localização e a profundidade das estruturas, fornecendo dados que podem melhorar projeções sobre quando e em quais condições os materiais poderiam ser novamente expostos.
Camada de gelo continua em movimento
O gelo da Groenlândia não é uma estrutura imóvel. Ele se acumula, deforma, flui e reage às mudanças de temperatura e precipitação, movimentando também os objetos e construções presos em seu interior ao longo do tempo.
Por isso, a posição atual dos túneis não corresponde exatamente à profundidade e ao formato existentes na década de 1960. As estruturas da cidade secreta sofreram pressão e deformação, tornando a interpretação das imagens de radar mais complexa e exigindo comparação com mapas antigos e modelos físicos.
Descoberta ajuda a testar o radar da NASA
Apesar do interesse provocado pelas imagens, o objetivo principal da missão era avaliar os limites do UAVSAR na observação de camadas internas do gelo. A tecnologia poderá ser utilizada em futuras campanhas na Groenlândia, na Antártica e em outras regiões congeladas do planeta.
Compreender a espessura e a organização das camadas é essencial para prever como as grandes massas de gelo reagirão ao aquecimento dos oceanos e da atmosfera. Sem informações detalhadas sobre essas estruturas, torna-se mais difícil calcular a contribuição futura do derretimento para a elevação do nível do mar.
Linha vista acima da base exige interpretação
Uma das imagens de radar mostra uma linha longa aparentemente posicionada acima de Camp Century. A formação, entretanto, não representa uma estrutura existente próxima à superfície nem outro túnel ligado ao complexo militar.
Segundo a explicação apresentada, o sinal corresponde à base da camada de gelo, localizada a pelo menos 1,5 quilômetro abaixo da superfície. O efeito ocorre porque o radar registra uma seção distante do gelo, demonstrando que imagens desse tipo precisam ser analisadas por especialistas antes de receber interpretações definitivas.
Groenlândia guarda marcas da Guerra Fria
Camp Century permanece como exemplo de como projetos militares do século XX deixaram estruturas e resíduos em ambientes remotos. Durante sua construção, acreditava-se que o gelo seria capaz de esconder e preservar o local por tempo indefinido.
O avanço das mudanças climáticas passou a desafiar essa premissa. Uma decisão tomada em 1967 pode produzir consequências ambientais muitas décadas depois, especialmente se os contaminantes abandonados alcançarem a superfície, a água de degelo ou áreas próximas da costa.
Responsabilidade futura pode gerar debate
A eventual necessidade de remover ou tratar os resíduos pode criar discussões sobre custos, responsabilidade e cooperação internacional. A base foi construída pelos Estados Unidos em território pertencente à Groenlândia, que integra o Reino da Dinamarca e possui autonomia política em diferentes áreas.
Qualquer intervenção exigiria análise técnica, planejamento logístico e acordos entre governos. Retirar materiais enterrados sob dezenas de metros de gelo seria uma operação complexa, principalmente em uma região remota e sujeita a condições meteorológicas extremas.
Cidade secreta permanece isolada sob o gelo
Por enquanto, Camp Century continua enterrada e inacessível diretamente, com seus corredores deformados pela pressão e cobertos por mais de 30 metros de gelo. O novo radar não abriu a base nem removeu resíduos, mas ofereceu a representação mais detalhada já obtida de suas estruturas.
A descoberta liga tecnologia espacial, história militar e mudanças climáticas em um mesmo local. Na sua opinião, Estados Unidos e Dinamarca deveriam iniciar desde já um plano para retirar os resíduos da cidade secreta ou esperar até que exista risco comprovado de exposição? Compartilhe sua visão nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

