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Recém-formado, ele entregou a medalha de honra ao pai vendedor ambulante com deficiência assim que a cerimônia acabou, dizendo que se o pai tem orgulho dele, ele tem ainda mais orgulho do pai

Recém-formado, ele entregou a medalha de honra ao pai vendedor ambulante com deficiência assim que a cerimônia acabou, dizendo que se o pai tem orgulho dele, ele tem ainda mais orgulho do pai

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Recém-formado, ele entregou a medalha de honra ao pai vendedor ambulante com deficiência assim que a cerimônia acabou, dizendo que se o pai tem orgulho dele, ele tem ainda mais orgulho do pai

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 07/08/2026 às 15:12

Atualizado em 07/08/2026 às 15:23

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Recém-formado no ensino médio, Rico Leguro entregou a medalha de honra ao pai com deficiência que vende comida na rua para sustentar a família.

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Rico Leguro, de 17 anos, terminou o ensino médio em Atimonan, na província de Quezon, nas Filipinas, e destinou a medalha de honra ao pai, Reynante Leguro, que tem deficiência e vende comida na comunidade. O pai não pôde ir à formatura porque estava trabalhando.

Ele decidiu antes mesmo de a medalha chegar às suas mãos. Recém-formado no ensino médio aos 17 anos, Rico Leguro sabia que a honraria não ficaria com ele, e sim com o pai, Reynante Leguro, uma pessoa com deficiência que passou anos vendendo comida na comunidade para sustentar a família, conforme reportagem publicada pelo INQUIRER.net em 3 de julho de 2026.

O gesto foi registrado em vídeo e circulou amplamente nas redes sociais. Para quem assistiu de fora, foi uma demonstração de gratidão entre pai e filho. Para Rico, era o reconhecimento de anos de sacrifício e perseverança que nenhuma medalha consegue mensurar. “Eu queria retribuir todos os sacrifícios que ele fez por mim. Se você tem orgulho de mim, pai, eu tenho ainda mais orgulho de você”, disse ele ao INQUIRER.net.

O pai não estava na cerimônia

Recém-formado no ensino médio, Rico Leguro entregou a medalha de honra ao pai com deficiência que vende comida na rua para sustentar a família.

O detalhe que muitos não perceberam ao assistir ao vídeo é que Reynante não presenciou a colação. Ele não pôde comparecer porque ainda tinha que trabalhar naquele dia. A venda de comida não permitia uma folga, mesmo na formatura do filho.

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Quem representou a família no auditório foi o avô de Rico, de 82 anos. Foi ele quem acompanhou o recebimento do diploma e das homenagens. A medalha, portanto, não mudou de pescoço no palco: mudou quando o filho chegou em casa. Rico já sabia exatamente onde ela ficaria antes de sair da escola.

A rotina de quem vende do amanhecer à noite

O trabalho de Reynante tem três turnos e um cardápio que muda ao longo do dia. Pela manhã, ele vende puto e outras iguarias locais. Ao meio dia, oferece turon, palitaw e geladinho. À noite, sai com balut, o ovo cozido com embrião que é um clássico de rua nas Filipinas.

A maior parte desses produtos não é feita por ele. Os vizinhos confiam a mercadoria e ele fica com apenas uma parte do lucro das vendas. É um modelo que reduz o risco de perda, mas também limita o ganho. Vender o dia inteiro, em três horários diferentes, para ficar com uma fração do que passou pelas suas mãos.

Entre 150 e 300 pesos nos dias bons

A situação financeira da casa era frequentemente precária. Nos dias bons, Reynante ganhava entre 150 e 300 pesos filipinos, quantia que precisava cobrir alimentação, transporte e as demais despesas diárias da família. Nos dias que não eram bons, o valor era menor.

Houve épocas em que não havia arroz para cozinhar. A família passava o dia com mandioca, com os vegetais cultivados pelo avô de Rico ou com um simples mingau. Foi nesse contexto que o filho cursou o ensino médio, com dias em que mal tinha dinheiro para o transporte e a alimentação. Às vezes ele faltava à aula simplesmente porque não havia dinheiro para as despesas escolares.

O filho quis parar de estudar e o pai não deixou

Em algum momento, Rico propôs desistir. Ele contou ao pai que pararia de ir à escola para que o dinheiro fosse usado em comida. Era uma conta que fazia sentido dentro da lógica de sobrevivência da casa.

Reynante recusou todas as vezes. Segundo o relato do filho, o pai continuava insistindo que ele seguisse estudando porque queria vê lo terminar a escola. A decisão de manter o filho na sala de aula veio de quem tinha o maior motivo prático para tirá lo de lá. É esse contexto que dá peso à medalha entregue depois.

Uma deficiência que nunca virou justificativa

Reynante nasceu com uma deficiência que dificulta a locomoção e o uso de uma das mãos. Segundo Rico, o pai também tem dificuldade para compreender algumas coisas em comparação com a maioria das pessoas.

Nada disso interrompeu o trabalho. Nas palavras do filho, ele tem dificuldade para andar e se locomover, mas nunca desistiu de apoiar a família, e continuou trabalhando mesmo quando a vida ficou difícil porque queria que os filhos seguissem estudando. A caminhada diária pela comunidade, com dificuldade de locomoção, era o próprio meio de subsistência da casa.

A integridade que impressionou o filho mais do que o esforço

O que Rico destaca com mais ênfase não é a resistência física do pai, e sim a conduta. Ao longo de anos de dificuldade, segundo ele, Reynante nunca recorreu a meios desonestos para sustentar a família.

O filho resumiu assim: por mais difícil que a vida se tornasse, o pai nunca ensinou nada errado, nunca enganou ninguém e sempre escolheu ganhar a vida honestamente. Em um cenário de escassez real, com dias sem arroz em casa, essa é a parte da história que o vídeo viral não mostra. É também o que explica por que a medalha, para ele, pertencia a outra pessoa.

A separação dos pais e a casa de dois homens

O arranjo familiar tem origem em uma dificuldade concreta. Os pais de Rico se separaram por causa de problemas financeiros, e ele e o irmão mais novo passaram a ser criados principalmente pelo pai e pelo avô.

A vida seguiu incerta, mas os dois homens mais velhos fizeram o que puderam para manter a casa de pé. É por isso que o avô de 82 anos ocupar a cadeira na formatura não foi um detalhe protocolar. Os dois adultos que criaram Rico estavam representados naquela cerimônia, um presente e outro trabalhando.

O que vem depois do ensino médio

Rico se formou pela Atimonan National Comprehensive High School e pretende cursar uma graduação em tecnologia da informação. O plano imediato, porém, não é a matrícula: ele está focado em trabalhar e juntar dinheiro suficiente para voltar a estudar.

Ele já trabalha. Tornou se ajudante em um restaurante de pares em Cabuyao, na província de Laguna, e considera a jornada exaustiva um sacrifício pequeno diante do que o pai enfrentou. O objetivo declarado vai além do diploma universitário: ele quer dar à família uma vida sem a preocupação financeira constante, e espera que um dia o pai não precise mais passar dias inteiros caminhando de um lado para outro só para garantir a próxima refeição de casa.

A cena de Rico Leguro circulou porque toca em algo que atravessa qualquer país: a percepção de que uma conquista individual quase nunca é só individual. A medalha diz respeito às notas dele, mas o percurso até ali envolveu um pai que se recusou a deixá lo abandonar a escola.

Conta nos comentários: existe alguém que você considera dono de uma conquista sua, mesmo que o nome no diploma seja o seu? E se pudesse entregar uma medalha a essa pessoa hoje, o que diria na hora de pendurá la no pescoço dela?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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