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Revoltado com a falta de peças e o pós-venda, dono de BYD Dolphin cobre o carro com frases como “não compre”, “não tem peças” e “zero pós-venda” e transforma o veículo em um protesto ambulante contra a montadora
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 17/08/2026 às 09:54
Atualizado em 17/08/2026 às 09:55
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Dono de BYD Dolphin transforma o próprio carro em protesto contra a montadora após reclamar de falta de peças e problemas no pós-venda, cobrindo o veículo com frases como “não compre”, “não tem peças” e “zero pós-venda” e chamando atenção nas ruas.
Um BYD Dolphin coberto por mensagens contra a própria fabricante virou um protesto sobre rodas após aparecer circulando com frases como “BYD nunca mais”, “não tem peças”, “não compre” e “zero pós-venda”. O proprietário transformou praticamente toda a área visível do veículo em espaço para expor sua insatisfação com peças de reposição e atendimento.
Segundo o ContilNet, que publicou o caso em 10 de agosto de 2026, o motorista não foi identificado e também não foram divulgados o componente que motivou a manifestação nem o período de espera. O episódio chama ainda mais atenção porque, em fevereiro de 2025, a própria BYD informava possuir 718 mil peças em seu centro logístico brasileiro.
BYD Dolphin vira um enorme painel de protesto nas ruas
Nas imagens compartilhadas nas redes sociais, as críticas não aparecem em um pequeno adesivo colocado no vidro. As mensagens ocupam traseira, laterais e outras partes visíveis do automóvel, fazendo com que a reclamação seja percebida imediatamente por quem passa pelo veículo.
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“BYD nunca mais”, “não tem peças” e “não compre” estão entre as inscrições reproduzidas pela reportagem do ContilNet. Outras publicações do mesmo registro mostram expressões como “péssima qualidade”, “sem pós-venda” e “zero pós-venda”, reforçando que o alvo da manifestação não seria apenas o automóvel, mas também a experiência posterior à compra.
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O resultado é visualmente difícil de ignorar. Em vez de recorrer apenas às redes sociais ou a um canal de reclamações, o dono colocou a insatisfação no próprio produto adquirido e passou a circular com as críticas expostas, transformando o Dolphin em um outdoor móvel contra sua fabricante.
“Não tem peças” se tornou a mensagem central do protesto
Entre todas as frases escritas no veículo, a afirmação sobre peças de reposição é a que ajuda a explicar o núcleo da manifestação. O ContilNet informou que as mensagens indicam uma reclamação relacionada à disponibilidade de componentes e ao serviço de pós-venda oferecido pela empresa.
A reportagem, entretanto, não identificou qual componente teria sido solicitado pelo proprietário. Também não informou se o veículo havia sofrido acidente, apresentado defeito mecânico ou necessitado de algum item de carroceria, acabamento, eletrônica ou outro sistema.
Vídeo do BYD Dolphin foi associado a Vitória no Espírito Santo
Diversas publicações que reproduziram o vídeo identificaram o carro como um BYD Dolphin circulando em Vitória, no Espírito Santo. Postagens em Instagram, Facebook e LinkedIn repetiram essa localização ao apresentar as imagens do automóvel coberto pelas mensagens.
BYD anunciou estoque de 718 mil peças em Cariacica
Em 28 de fevereiro de 2025, a BYD divulgou números detalhados sobre sua operação de pós-venda. Segundo a fabricante, seu Centro de Partes e Peças em Cariacica, no Espírito Santo, havia elevado o estoque de aproximadamente 370 mil para 718 mil componentes em um ano.
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O crescimento informado pela empresa foi de 94%. A expansão ocorreu enquanto a BYD aumentava rapidamente sua presença no mercado brasileiro e ampliava a variedade de veículos oferecidos aos consumidores, criando também uma demanda maior por componentes e atendimento.
De um lado, um proprietário escreve “não tem peças” em letras enormes no próprio BYD; do outro, a fabricante havia anunciado publicamente um estoque com centenas de milhares de componentes destinado a sustentar sua rede de pós-venda.
Centro de peças da BYD cresceu de 4 mil para cerca de 24 mil m²
A ampliação não ocorreu apenas na quantidade de componentes armazenados. Em reportagem publicada em fevereiro de 2025, a Quatro Rodas mostrou que a área destinada ao estoque estava passando de aproximadamente 4 mil m² para 24 mil m² dentro da estrutura logística de Cariacica.
A capacidade de armazenamento em pallets também mudou radicalmente. Segundo a publicação, o local tinha espaço para 5.600 pallets em fevereiro de 2024 e passaria a contar com 19.911 posições após a expansão.
O número de tipos diferentes de componentes armazenados também aumentou. A reportagem contabilizou 16.517 itens distintos, ante 9.602 um ano antes, enquanto o volume total disponível naquele levantamento chegava precisamente a 718.042 peças.
Expedição de peças saltou de 600 para 2.661 unidades por dia
A BYD também informou uma mudança expressiva na velocidade de saída dos componentes. A expedição diária do centro de Cariacica teria passado de aproximadamente 600 para 2.661 peças, crescimento divulgado pela fabricante como sendo de 343%.
A empresa relacionou essa expansão ao aumento da demanda por veículos eletrificados e afirmou que seguia contratando profissionais especializados em logística e pós-venda. Também anunciou um sistema de integração entre concessionárias e fornecedores para automatizar pedidos e permitir rastreamento das entregas.
Peça disponível no Brasil e peça importada podem seguir caminhos diferentes
A visita da Quatro Rodas ao centro de peças revelou outro ponto importante para entender a logística. Segundo a reportagem, o transporte entre Cariacica e São Paulo poderia levar entre 24 e 48 horas, enquanto a média de atendimento no Brasil informada na ocasião era de aproximadamente três dias.
A situação mudava quando determinado componente precisava chegar diretamente da China. Para esses casos, a publicação informou prazo de aproximadamente 15 dias, mostrando como o ponto de origem da peça pode alterar significativamente o tempo de reposição.
A BYD também determinava que suas concessionárias mantivessem estoques próprios de componentes de alta rotatividade. A estratégia buscava diminuir a necessidade de solicitar ao centro de distribuição itens utilizados com maior frequência nas oficinas da rede.
Pós-venda cresceu junto com a expansão acelerada da BYD
A estrutura de atendimento ao consumidor já vinha sendo ampliada antes do protesto viralizar. Em junho de 2024, a BYD informou que sua Central de Relacionamento registrava uma média de aproximadamente 3 mil consultas por mês, envolvendo vendas, marketing e pós-venda.
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Naquele momento, a empresa afirmava ter nível de serviço de 98% no atendimento por voz, tempo médio inferior a quatro horas para respostas em canais digitais e resolução de mais de 65% dos atendimentos no primeiro contato. Eram indicadores divulgados pela própria fabricante para sua operação naquele período.
Já em dezembro de 2025, a BYD dizia operar com mais de 200 concessionárias no país e projetava terminar aquele ano com 210 unidades abertas. O tamanho alcançado pela rede mostra como a expansão das vendas passou a exigir uma operação de assistência igualmente maior.
BYD também iniciou estratégia para nacionalizar mais componentes
Outro movimento da empresa envolve diminuir progressivamente a dependência de componentes vindos do exterior. Em agosto de 2025, a BYD anunciou como objetivo alcançar mais de 50% de nacionalização de partes e peças até 2027 nos veículos ligados à operação brasileira.
Na época, a fabricante informou que procurava fornecedores brasileiros para componentes como para-choques, pneus e baterias. O processo está conectado à expansão industrial da companhia em Camaçari, na Bahia, e à intenção de desenvolver uma cadeia local de suprimentos.
Meses antes, ao apresentar uma montagem experimental em Camaçari, a empresa havia informado que 106 companhias instaladas no Brasil estavam em processo de qualificação para fornecer peças à fábrica. A Continental Pneus, localizada em Camaçari, foi apresentada como a primeira fornecedora oficialmente homologada.
Protesto expõe o desafio de fazer o pós-venda acompanhar as vendas
O proprietário que cobriu seu Dolphin de críticas permanece sem identificação pública nas fontes que noticiaram o caso. Também continuam ausentes informações sobre a peça solicitada, eventual ordem de serviço, concessionária responsável e tempo exato de espera que antecedeu o protesto.
Até a publicação da reportagem do ContilNet, em 10 de agosto de 2026, também não havia um posicionamento da BYD especificamente sobre aquele automóvel. Isso impede atribuir à fabricante uma explicação para a situação individual mostrada no vídeo.
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O que as imagens deixam registrado é um contraste difícil de passar despercebido. Enquanto a BYD expandiu estoque, área logística, expedição de componentes, rede de concessionárias e planos de nacionalização, um cliente decidiu colocar sua própria experiência no centro da rua e usar o carro que comprou como suporte para uma mensagem direta: “não compre”, “não tem peças” e “zero pós-venda”.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

