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Rio Tietê volta a ficar coberto por espuma branca: imagens de drone mostram água escondida pela camada de poluentes
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 18/08/2026 às 19:36
Atualizado em 18/08/2026 às 19:37
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Rio Tietê voltou a ser coberto por espuma branca em Salto, fenômeno relacionado a poluentes, detergentes e às corredeiras do trecho.
Uma extensa camada de espuma branca voltou a ocupar o Rio Tietê em Salto, no interior de São Paulo, no domingo, 16 de agosto. Imagens feitas por drone no Complexo da Cachoeira mostram pontos em que o material se espalhou praticamente por toda a superfície, tornando difícil até visualizar a correnteza que passa sob a massa branca.
O episódio é pelo menos o terceiro registrado na cidade em 2026, depois de ocorrências em maio e julho. Embora o cenário fique especialmente evidente em Salto, a explicação não está restrita ao município: a poluição acumulada ao longo da bacia encontra nas corredeiras e quedas d’água locais as condições para se transformar na espuma que chama atenção de moradores e visitantes.
Espuma branca fica mais visível quando o Rio Tietê encontra as corredeiras
A geografia de Salto ajuda a transformar substâncias presentes na água em uma camada volumosa. Quando o Rio Tietê atravessa áreas de correnteza intensa e quedas d’água, a movimentação mistura água e ar de maneira muito mais agressiva.
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Se essa água carrega materiais capazes de reduzir sua tensão superficial, a turbulência facilita a criação das bolhas. Detergentes e outros produtos de limpeza estão entre os resíduos associados a esse processo, juntamente com matéria orgânica proveniente de despejos sem tratamento adequado.
Em ocorrência semelhante registrada em julho, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apontou justamente a vazão e a movimentação da água como fatores que podem favorecer a formação da espuma nesse trecho.
Poluição chega a Salto depois de percorrer outros municípios
A Prefeitura de Salto relaciona o fenômeno principalmente à carga poluidora que alcança a cidade depois de passar pela Região Metropolitana de São Paulo. Isso significa que a espuma branca visível no município funciona como uma manifestação local de um problema produzido em diferentes pontos do rio.
O caminho que transforma resíduos em espuma pode ser entendido por uma sequência de fatores:
- detergentes, matéria orgânica e outros poluentes chegam ao sistema hídrico;
- períodos com menos água podem elevar a concentração dessas substâncias;
- mudanças de vazão transportam essa carga pelo Rio Tietê;
- ao alcançar as corredeiras de Salto, a água é intensamente agitada e incorpora ar;
- os surfactantes presentes favorecem a formação e a permanência das bolhas na superfície.
Por isso, retirar apenas a espuma já formada não resolveria a origem do problema. A redução dos episódios depende principalmente de diminuir a quantidade de poluentes lançados antes de a água alcançar Salto.
2026 já teve episódios em maio e julho
A ocorrência de agosto não surgiu isoladamente. Em maio, o Complexo da Cachoeira também apareceu tomado por uma grande camada branca depois de um período de estiagem seguido de chuva.
Naquela ocasião, segundo a Cetesb, a mudança das condições do rio havia aumentado a vazão, enquanto as características das corredeiras contribuíam para que os poluentes presentes na água formassem espuma.
Pouco mais de dois meses depois, em julho, o material reapareceu entre o Parque das Lavras e o complexo turístico. Informações divulgadas naquele episódio apontaram novamente para a influência dos períodos secos, nos quais a redução do volume de água pode concentrar substâncias poluentes.
Registros de anos anteriores mostram que esse padrão acompanha Salto há bastante tempo. Quanto menor a quantidade de água disponível para diluir a carga existente, mais evidente pode se tornar o problema quando o fluxo volta a ser agitado.
Rio Tietê percorre cerca de 1,1 mil quilômetros pelo estado
A dimensão do desafio aparece no próprio percurso do Rio Tietê. Ele nasce em Salesópolis, atravessa aproximadamente 1,1 mil quilômetros do território paulista e segue até encontrar o Rio Paraná.
Nesse trajeto, recebe contribuição de afluentes e também cargas de poluição provenientes de diferentes áreas urbanizadas. A SOS Mata Atlântica relaciona a formação da espuma à presença acumulada desses contaminantes, especialmente resíduos de produtos de limpeza e esgoto que chegam ao sistema hídrico.
Assim, a cena registrada no interior paulista não significa necessariamente que todo o material tenha sido lançado próximo ao Complexo da Cachoeira. Parte do que aparece em Salto pode ter percorrido uma distância considerável antes de chegar ao município.
Contato direto com a espuma já foi desaconselhado
Apesar do aspecto visual curioso, a espuma branca não deve ser tratada como um fenômeno meramente paisagístico. Ela aparece associada a água de baixa qualidade ambiental e funciona como sinal perceptível da existência de substâncias indesejadas no rio.
Em episódios anteriores, a Defesa Civil chegou a recomendar que a população evitasse contato direto com a espuma. A orientação ganha importância porque a aparência branca e volumosa não revela quais contaminantes estão presentes naquela água nem em quais concentrações.
A avaliação das condições do Rio Tietê, portanto, depende de monitoramento técnico e análise da água, e não apenas da quantidade de espuma observada na superfície.
Cetesb passou a acompanhar cerca de mil quilômetros por satélite
O monitoramento do rio combina atividades realizadas em campo com novas ferramentas. A Cetesb mantém vistorias e coletas de água e, desde 2026, passou também a utilizar imagens de satélite para acompanhar aproximadamente mil quilômetros do Tietê.
A estratégia amplia a capacidade de observar mudanças ao longo de uma bacia extensa e de identificar áreas que demandem investigação. O acompanhamento também integra iniciativas que tentam localizar as principais fontes responsáveis pela degradação da qualidade da água.
Salto participa dessas discussões por meio de fóruns e comitês de bacia e integra o FIAR-Tietê, associado ao Programa Integra Tietê, do governo estadual. Em fevereiro de 2026, uma reunião da Câmara Técnica Rio Tietê realizada no município discutiu ações do programa e diagnósticos ambientais de microbacias do Médio Tietê.
Redução da espuma depende principalmente de saneamento
O reaparecimento da camada branca reforça uma característica difícil de resolver apenas no ponto onde ela se torna visível. Como o Rio Tietê atravessa diversas cidades, a melhoria da água depende de medidas adotadas em diferentes trechos da bacia.
Entre elas, a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto ocupa posição central. Quanto menos detergentes, matéria orgânica e outros resíduos alcançarem diretamente o sistema hídrico, menor será a quantidade de substâncias disponíveis para participar da formação da espuma.
A espuma branca observada em Salto, portanto, é a parte mais visível de um processo que começa quilômetros antes das cachoeiras. Enquanto o rio continuar recebendo uma carga elevada de poluentes ao longo de seu percurso, a combinação entre água contaminada, períodos de baixa vazão e forte turbulência continuará criando condições para que o fenômeno volte a aparecer.
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Fonte
ig
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

