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Rota de 20% do petróleo mundial vira vulnerabilidade estratégica e faz governos do Golfo investir em uma nova rede de portos, oleodutos e corredores terrestres

Rota de 20% do petróleo mundial vira vulnerabilidade estratégica e faz governos do Golfo investir em uma nova rede de portos, oleodutos e corredores terrestres

17 min de leitura

Rota de 20% do petróleo mundial vira vulnerabilidade estratégica e faz governos do Golfo investir em uma nova rede de portos, oleodutos e corredores terrestres

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 31/08/2026 às 17:04

Atualizado em 31/08/2026 às 17:19

Petróleo e Gás

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Arábia Saudita estuda adicionar até 2 milhões de barris por dia ao oleoduto que leva petróleo ao Mar Vermelho, Emirados reforçam Fujairah fora do Golfo Pérsico e governos transformam rotas alternativas em prioridade após conflito expor dependência de um dos maiores gargalos energéticos do planeta.

A guerra com o Irã está levando países do Golfo a redesenhar uma infraestrutura construída durante décadas ao redor de uma premissa agora considerada perigosa: depender do Estreito de Ormuz para transportar petróleo, gás e mercadorias. A passagem marítima concentra cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo, e as interrupções provocadas pelo conflito fizeram governos acelerar investimentos em oleodutos, portos, terminais, ferrovias e corredores terrestres capazes de contornar a região, segundo reportagem publicada pela Reuters em 28 de agosto de 2026.

A mudança já aparece em projetos concretos.

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A Arábia Saudita avalia ampliar seu gigantesco oleoduto Leste-Oeste, que leva petróleo até o Mar Vermelho.

Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, reforçam a infraestrutura conectada a Fujairah, localizada fora do Estreito de Ormuz.

Além disso, governos discutem novas conexões ferroviárias e corredores terrestres que poderiam ligar o Golfo ao Mediterrâneo e à Europa.

Portanto, a guerra não está mudando apenas as rotas dos navios.

Ela começa a mudar o próprio mapa físico do comércio e da energia no Oriente Médio.

Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo

Poucos pontos do planeta possuem tanta importância energética quanto o Estreito de Ormuz.

A passagem estreita conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, posteriormente, ao Oceano Índico.

Por ela seguem exportações de gigantes energéticos como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Qatar.

Consequentemente, qualquer interrupção atinge muito mais do que os países da região.

Refinarias na Ásia e na Europa dependem desses carregamentos.

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Da mesma forma, indústrias, transportadoras e consumidores sentem o impacto quando o risco geopolítico aumenta preços, fretes e seguros.

A guerra tornou essa vulnerabilidade impossível de ignorar.

Assim, governos do Golfo passaram a tratar rotas alternativas não apenas como infraestrutura complementar, mas como ativos estratégicos de segurança econômica.

Guerra muda cálculo de investimento dos países do Golfo

Antes do conflito, construir infraestrutura redundante podia parecer caro.

Afinal, oleodutos, ferrovias e terminais exigem bilhões de dólares, anos de engenharia e extensos processos de licenciamento.

Entretanto, uma interrupção prolongada em Ormuz muda completamente essa conta.

Se um país perde capacidade de exportar petróleo porque navios não conseguem atravessar o estreito, a infraestrutura alternativa deixa de representar apenas custo.

Ela passa a funcionar como seguro contra uma crise geopolítica.

Por isso, governos agora avaliam quanto custa não possuir uma segunda rota.

Esse raciocínio influencia tanto projetos energéticos quanto infraestrutura comercial.

Portos no Mar Vermelho, Golfo de Omã e Mar da Arábia ganham importância.

Ao mesmo tempo, oleodutos capazes de atravessar territórios nacionais podem permitir que o petróleo chegue diretamente a esses terminais.

Arábia Saudita possui oleoduto capaz de transportar até 7 milhões de barris por dia

A Arábia Saudita já conta com uma das principais alternativas existentes a Ormuz.

O East-West Pipeline, também conhecido como Petroline, atravessa o território saudita.

Ele recebe petróleo no leste do país e transporta o produto até Yanbu, na costa do Mar Vermelho.

Sua capacidade chega a aproximadamente 7 milhões de barris por dia.

Dessa forma, a Arábia Saudita consegue deslocar enormes volumes de petróleo sem utilizar o Estreito de Ormuz.

Durante a crise, essa infraestrutura ganhou importância ainda maior.

O país passou a redirecionar carregamentos para o oeste.

Assim, o petróleo pode chegar ao Mar Vermelho e seguir por outras rotas marítimas.

Entretanto, a guerra mostrou que a capacidade existente talvez não seja suficiente para um cenário prolongado de interrupção.

Sauditas estudam adicionar até 2 milhões de barris por dia ao oleoduto

A escala do novo planejamento aparece nos números.

A Arábia Saudita considera aumentar a capacidade do sistema em 1 milhão a 2 milhões de barris por dia.

Se o projeto avançar no limite superior, o ganho equivaleria a uma quantidade de petróleo maior do que a produção total diária de vários países produtores.

Além disso, a expansão exigiria bilhões de dólares em investimentos e poderia levar anos para ficar pronta.

Ainda assim, a guerra tornou esse tipo de gasto mais justificável.

O objetivo é simples: criar capacidade suficiente para retirar ainda mais petróleo do Golfo por terra e entregá-lo ao Mar Vermelho.

Com isso, o país reduz parte da exposição a Ormuz.

Kuwait, Bahrain e Qatar também podem entrar na discussão

A expansão saudita pode ter importância regional.

Isso acontece porque alguns países vizinhos possuem poucas alternativas independentes ao Estreito de Ormuz.

Kuwait, Bahrain e Qatar, por exemplo, enfrentam uma exposição maior ao corredor marítimo.

Por isso, autoridades sauditas já discutiram possibilidades de infraestrutura regional com vizinhos.

Uma rede compartilhada poderia, no futuro, transportar petróleo ou derivados através de outros territórios até portos fora da zona mais vulnerável.

Entretanto, projetos desse porte exigem acordos políticos, comerciais e técnicos complexos.

Os países precisam definir capacidade, tarifas, propriedade, operação e segurança.

Além disso, cada nova conexão precisa atravessar centenas ou milhares de quilômetros.

Portanto, a solução não surgirá rapidamente.

Ainda assim, a guerra criou um incentivo que não existia com a mesma intensidade antes.

Emirados possuem vantagem estratégica com oleoduto até Fujairah

Os Emirados Árabes Unidos chegam à crise em uma posição diferente.

O país já possui infraestrutura capaz de levar petróleo diretamente a Fujairah, no Golfo de Omã.

A localização faz toda a diferença.

Fujairah fica fora do Estreito de Ormuz.

Consequentemente, o petróleo que chega ao terminal não precisa atravessar o gargalo para alcançar o Oceano Índico.

O sistema atual consegue movimentar aproximadamente 1,5 milhão de barris por dia.

Durante a guerra, essa rota permitiu aos Emirados aumentar exportações pelo lado oriental do país enquanto o tráfego através de Ormuz enfrentava fortes restrições.

Assim, uma infraestrutura construída antes da crise ganhou valor estratégico enorme quando o conflito começou.

Novo projeto pode ampliar ainda mais capacidade de Fujairah

Os Emirados não pretendem parar na infraestrutura existente.

O país acelera investimentos para ampliar a quantidade de petróleo que consegue enviar à costa oriental.

Um novo oleoduto paralelo ao atual pode adicionar mais de 1,2 milhão de barris por dia à capacidade de transporte até Fujairah.

O projeto envolve aproximadamente 300 quilômetros de tubulação e investimentos estimados em cerca de US$ 3 bilhões.

Com isso, os Emirados poderiam aumentar significativamente a quantidade de petróleo exportada sem depender de Ormuz.

Além disso, Fujairah já possui infraestrutura de armazenamento, abastecimento marítimo e movimentação de combustíveis.

Portanto, a expansão não cria apenas uma nova tubulação.

Ela fortalece um hub energético completo fora do Golfo Pérsico.

Portos passam de infraestrutura comercial a ativos de segurança nacional

A guerra também alterou a maneira como governos enxergam os portos.

Durante décadas, terminais marítimos competiram principalmente por eficiência, localização e volume de carga.

Agora, outro critério ganhou peso: resiliência geopolítica.

Um porto localizado fora de uma zona vulnerável pode garantir que petróleo, alimentos, equipamentos industriais e produtos essenciais continuem circulando durante uma crise.

Por isso, fundos soberanos e governos do Golfo direcionam capital para instalações que ofereçam rotas alternativas.

Fujairah, nos Emirados, representa um exemplo.

Yanbu e Jeddah, na Arábia Saudita, oferecem acesso ao Mar Vermelho.

Sohar e Duqm, em Omã, ampliam as possibilidades no Mar da Arábia.

Assim, cada terminal acrescenta uma saída potencial ao sistema regional.

Arábia Saudita redireciona comércio para o Mar Vermelho

O petróleo não representa a única carga afetada.

Empresas também precisam transportar contêineres, equipamentos, matérias-primas, alimentos e produtos industriais.

Consequentemente, a Arábia Saudita passou a explorar mais intensamente seus portos no Mar Vermelho.

Mercadorias podem desembarcar no oeste do país e seguir por caminhão ou ferrovia para regiões orientais.

O movimento inverso também funciona.

Produtos fabricados ou armazenados perto do Golfo podem atravessar o território saudita por terra antes de embarcar em outro litoral.

Dessa maneira, o país transforma sua geografia em vantagem.

Em vez de depender exclusivamente da costa do Golfo, a Arábia Saudita utiliza seu enorme território como uma ponte entre dois mares.

Infraestrutura vira peça central da nova estratégia energética

A dimensão dessa mudança ajuda a explicar por que grandes grupos de engenharia ganham espaço em mercados que buscam redes mais resilientes.

Projetos de oleodutos, ferrovias, terminais, geração e transmissão exigem companhias capazes de administrar obras durante anos.

No Brasil, por exemplo, a expansão da PowerChina em energia e infraestrutura mostra como grandes empresas internacionais combinam diferentes áreas de engenharia para disputar projetos complexos.

No Golfo, a lógica agora envolve uma urgência adicional.

As obras não servem apenas para aumentar capacidade.

Elas precisam criar redundância.

Se uma rota parar, outra precisa continuar funcionando.

Portanto, a guerra transformou infraestrutura duplicada em parte da estratégia de segurança.

Ferrovias podem criar rota terrestre do Golfo até a Europa

Oleodutos resolvem parte do problema energético.

Entretanto, eles não transportam contêineres, máquinas ou passageiros.

Por isso, projetos ferroviários também ganharam importância.

Arábia Saudita e Turquia discutem uma conexão ferroviária que passaria por Jordânia e Síria.

A proposta pode criar uma ligação terrestre entre o Golfo e a rede ferroviária turca.

Depois, cargas poderiam seguir em direção à Europa.

O plano considera um horizonte de aproximadamente três a quatro anos para estabelecer a conexão, embora grandes projetos internacionais estejam sujeitos a atrasos e mudanças.

Além disso, outros países do Golfo poderiam entrar posteriormente.

Entre eles aparecem Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar e Omã.

Trens poderiam transportar petróleo, gás, mercadorias e passageiros

A proposta ferroviária não se limita a contêineres.

Autoridades turcas afirmaram que a ligação poderia transportar mercadorias, petróleo, gás natural e passageiros.

Isso amplia significativamente seu valor estratégico.

Uma rede terrestre conectada ao Mediterrâneo e à Europa ofereceria ao Golfo outra opção em momentos de crise marítima.

Além disso, ferrovias podem integrar portos, zonas industriais e centros logísticos.

Portanto, o projeto não substitui Ormuz sozinho.

Entretanto, ele adiciona mais uma camada de redundância.

Quanto maior o número de alternativas, menor o impacto de uma interrupção isolada.

Guerra transforma mapa logístico do Oriente Médio

A transformação pode ser visualizada como uma rede.

No leste, permanecem os tradicionais portos do Golfo.

No oeste, Yanbu e Jeddah ganham peso no Mar Vermelho.

Ao sudeste, Fujairah, Sohar e Duqm oferecem acesso fora de Ormuz.

Ao norte, corredores ferroviários podem conectar a região a Jordânia, Síria, Turquia e Europa.

Entre esses pontos surgem oleodutos, rodovias, ferrovias e terminais.

Assim, o objetivo deixa de ser encontrar uma única substituição para o Estreito de Ormuz.

Os governos tentam criar uma malha de alternativas.

Essa diferença é importante.

Nenhuma rota individual consegue reproduzir facilmente toda a capacidade marítima de Ormuz.

Porém, várias rotas combinadas podem reduzir o tamanho do choque.

Engenharia offshore mostra escala necessária para sustentar novos corredores energéticos

Construir uma rede energética resiliente também exige uma cadeia industrial enorme.

Oleodutos precisam de aço, estações de bombeamento, sistemas de controle e terminais.

Portos exigem dragagem, quebra-mares, guindastes e áreas de armazenamento.

Além disso, conexões offshore demandam embarcações altamente especializadas.

Essa escala aparece em outros segmentos da infraestrutura energética. O parque eólico offshore Baltica 2, que concluiu 111 fundações de até 100 metros e 1.900 toneladas, mostra como grandes projetos modernos dependem de logística pesada antes mesmo de iniciar a operação comercial.

No Golfo, a tecnologia muda.

Entretanto, o desafio de engenharia permanece semelhante: movimentar volumes gigantescos de materiais e energia com confiabilidade.

Dependência de um único gargalo mostrou custo econômico

A crise não atingiu apenas exportadores de petróleo.

Refinarias, indústrias, turismo e comércio sentiram as consequências.

A interrupção energética também atingiu economias fortemente dependentes de hidrocarbonetos.

O Qatar, por exemplo, registrou contração de 7% do PIB no primeiro trimestre de 2026, em comparação anual, em meio ao impacto da guerra sobre a produção energética.

Portanto, o custo de uma interrupção vai muito além do preço de um barril.

Quando exportações diminuem, receitas públicas caem.

Empresas reduzem atividade.

Além disso, cadeias industriais enfrentam falta de matéria-prima.

Com isso, governos passam a comparar bilhões gastos em infraestrutura com bilhões potencialmente perdidos durante uma paralisação.

Tráfego por Ormuz continua muito abaixo do padrão anterior à guerra

A crise também aparece no movimento dos navios.

Antes da guerra, o estreito recebia um fluxo muito maior de embarcações.

Seis meses depois do início do conflito, o tráfego permanecia severamente reduzido.

Dados da Kpler citados em reportagens regionais indicaram queda de aproximadamente 88 navios por dia antes da guerra para cerca de 16 por dia no fim de agosto.

Além disso, os fluxos de petróleo sofreram quedas dramáticas.

A situação reforçou a percepção de que uma recuperação parcial não elimina o risco.

Afinal, empresas precisam planejar contratos, entregas e investimentos com meses ou anos de antecedência.

Por isso, uma rota que funciona de maneira irregular continua representando um problema.

Emirados aumentaram uso da rota fora de Ormuz

Os números dos Emirados mostram na prática o valor de possuir uma alternativa.

Enquanto as exportações através do estreito diminuíram, os carregamentos a partir de Fujairah ganharam importância.

O país conseguiu direcionar mais petróleo ao Golfo de Omã usando seu oleoduto terrestre.

Assim, a infraestrutura funcionou exatamente como uma rota de contingência deveria funcionar.

Ela não eliminou os impactos da guerra.

Entretanto, reduziu parte da dependência do corredor bloqueado.

Essa experiência agora influencia o planejamento de outros governos.

Se um oleoduto existente consegue manter milhões de barris circulando durante uma crise, construir capacidade adicional passa a parecer economicamente mais racional.

Oleoduto saudita opera como corredor energético entre dois litorais

A Arábia Saudita possui uma vantagem geográfica diferente.

Seu território conecta o Golfo ao Mar Vermelho.

O Petroline explora exatamente essa característica.

O sistema atravessa o país e leva petróleo até Yanbu.

Assim, a Arábia Saudita consegue escolher por qual litoral pretende exportar parte da produção.

Essa flexibilidade possui enorme valor durante conflitos.

Entretanto, a guerra também expôs um problema.

Mesmo rotas alternativas podem enfrentar ameaças.

O Mar Vermelho e o estreito de Bab el-Mandeb também sofreram tensões e ataques.

Portanto, simplesmente trocar um corredor marítimo por outro não elimina todo o risco.

É por isso que governos procuram combinar oleodutos, portos, ferrovias e rotas terrestres, em vez de apostar tudo em uma única solução.

Petróleo pode percorrer distâncias maiores para evitar zonas de conflito

Quando rotas mais curtas deixam de ser seguras, navios precisam percorrer trajetos maiores.

Em alguns casos, cargas podem contornar a África.

Em outros, empresas utilizam terminais no Mar Vermelho e rotas através do Canal de Suez.

Cada alternativa possui custo.

Viagens mais longas consomem mais combustível.

Além disso, navios permanecem ocupados por mais tempo.

Isso reduz a disponibilidade da frota e pode elevar fretes.

Seguradoras também cobram mais quando o risco militar aumenta.

Portanto, uma interrupção localizada no mapa consegue elevar custos logísticos a milhares de quilômetros de distância.

Petrobras mostra como infraestrutura de escoamento acompanha produção gigante

A mesma relação entre produção e logística aparece em grandes províncias petrolíferas fora do Oriente Médio.

Não basta possuir petróleo no subsolo.

É necessário processar, armazenar e transportar cada barril.

No Brasil, a Petrobras recebeu dois FPSOs gigantes com capacidade conjunta de acrescentar 450 mil barris por dia ao campo de Búzios.

O exemplo ajuda a dimensionar a questão do Golfo.

Produzir milhões de barris diariamente exige infraestrutura compatível em todas as etapas.

Se o gargalo aparece no porto ou na rota marítima, aumentar a produção sozinho não resolve o problema.

Fundos soberanos ganham papel decisivo nos novos projetos

Países do Golfo possuem outra ferramenta importante: fundos soberanos gigantescos.

Esses veículos controlam centenas de bilhões de dólares e conseguem financiar projetos de longo prazo.

Historicamente, governos utilizaram parte desse capital para diversificar economias, desenvolver cidades, turismo, tecnologia e indústria.

Agora, a segurança logística ganha prioridade.

Portos, corredores terrestres e infraestrutura energética oferecem uma vantagem diferente.

Eles protegem a capacidade de exportar justamente os produtos que financiam grande parte das economias regionais.

Assim, investir em infraestrutura significa também proteger receitas futuras.

Fujairah ganha valor porque está do outro lado do gargalo

A localização de Fujairah explica por que o emirado aparece repetidamente nas estratégias logísticas.

O terminal fica na costa oriental dos Emirados.

Portanto, navios que carregam petróleo ali já estão no Golfo de Omã.

Eles não precisam atravessar Ormuz para seguir em direção à Índia, China e outros mercados asiáticos.

Isso transforma Fujairah em uma espécie de porta de saída antecipada.

O petróleo atravessa os Emirados por tubulação em vez de contornar a península em um navio.

Depois, embarca no lado seguro do gargalo.

Quanto maior a capacidade dessa infraestrutura, maior a quantidade de barris que o país consegue proteger de uma interrupção no estreito.

Omã também ganha importância com Sohar e Duqm

A nova geografia logística favorece ainda Omã.

O país possui portos estratégicos voltados para rotas fora do Golfo Pérsico.

Sohar e Duqm aparecem entre os ativos que podem absorver parte do crescimento de corredores alternativos.

Duqm, particularmente, combina porto, indústria e projetos de refino.

Além disso, sua localização oferece acesso ao Mar da Arábia.

Consequentemente, novos corredores terrestres podem conectar países do interior do Golfo a terminais omanitas.

Esse movimento poderia reduzir ainda mais a dependência de Ormuz.

Entretanto, ele exige estradas, ferrovias, áreas logísticas e acordos transfronteiriços.

Mais uma vez, a solução envolve construir uma rede inteira.

Guerra transforma redundância em prioridade

Durante períodos de estabilidade, uma infraestrutura duplicada pode parecer ineficiente.

Uma empresa poderia perguntar por que financiar dois caminhos quando um já funciona.

A guerra oferece a resposta.

Quando a rota principal para, a segunda deixa de representar redundância cara e passa a garantir continuidade.

Essa lógica já aparece em sistemas elétricos, telecomunicações e data centers.

Agora, ela ganha força no transporte de petróleo e mercadorias do Golfo.

Por isso, governos querem evitar uma situação na qual um único estreito determine a capacidade de países inteiros exportarem energia.

Oleodutos não conseguem substituir completamente o Estreito de Ormuz

Apesar dos investimentos, existe uma limitação fundamental.

A capacidade de Ormuz é gigantesca.

Cerca de um quinto do petróleo mundial passa pela região.

Além disso, o estreito movimenta grandes volumes de gás natural liquefeito e produtos derivados.

Portanto, nenhum oleoduto individual consegue absorver tudo.

Nem mesmo a combinação das principais rotas existentes substitui integralmente o corredor marítimo.

Essa realidade explica por que negociações diplomáticas para manter o estreito aberto continuam importantes.

Infraestrutura alternativa reduz exposição.

Porém, não elimina a necessidade de estabilidade regional.

Países mais dependentes precisam encontrar saídas compartilhadas

A diferença entre os países do Golfo ficou mais evidente durante a guerra.

Arábia Saudita possui acesso direto ao Mar Vermelho.

Emirados contam com Fujairah.

Omã possui longa costa voltada ao Mar da Arábia.

Já outros produtores enfrentam limitações geográficas maiores.

Por isso, Kuwait, Qatar e Bahrain podem depender de acordos com vizinhos para criar alternativas terrestres.

Esses projetos poderiam incluir oleodutos compartilhados, ferrovias e corredores rodoviários.

Entretanto, construir infraestrutura internacional exige confiança política.

Um oleoduto que atravessa outro país cria uma dependência nova.

Portanto, os governos precisam equilibrar dois riscos: depender de um estreito vulnerável ou depender da cooperação de um vizinho.

Ferrovias podem ligar Golfo, Levante e Turquia

A expansão ferroviária apresenta uma terceira possibilidade.

Em vez de mover tudo por navio ou tubulação, cargas podem seguir por terra.

A visão discutida por Arábia Saudita e Turquia conecta a Península Arábica ao Levante.

A rota passaria por Jordânia e Síria antes de alcançar a rede turca.

Depois, a carga poderia seguir para mercados europeus.

Além disso, futuras extensões poderiam integrar outros membros do Conselho de Cooperação do Golfo.

Se essa rede avançar, o Oriente Médio ganharia uma nova espinha dorsal logística norte-sul.

Entretanto, reconstruir e conectar ferrovias em vários países representa um projeto complexo.

Infraestrutura construída agora pode continuar útil depois da guerra

Talvez esse seja o ponto econômico mais importante.

Os novos portos, oleodutos e ferrovias não perderão necessariamente utilidade quando o conflito terminar.

Mesmo em tempos de paz, rotas alternativas podem reduzir congestionamentos, aproximar mercados e estimular novos polos industriais.

Além disso, empresas ganham opções para escolher o trajeto mais eficiente.

Portanto, governos conseguem justificar parte dos investimentos não apenas como resposta militar, mas como estratégia de desenvolvimento.

Uma ferrovia criada para contornar uma crise pode transportar cargas durante décadas.

Da mesma forma, um novo porto pode atrair fábricas, armazéns e centros de distribuição.

Guerra com Irã deixa uma lição de infraestrutura para o Golfo

A principal consequência da crise talvez permaneça muito depois do último confronto.

Durante décadas, o Estreito de Ormuz funcionou como uma artéria aparentemente inevitável do sistema energético mundial.

Agora, os países do Golfo tentam construir novas artérias ao redor dela.

A Arábia Saudita possui um oleoduto de até 7 milhões de barris por dia e estuda adicionar mais 1 milhão a 2 milhões de barris diários.

Os Emirados reforçam Fujairah e trabalham para ampliar a capacidade fora do estreito.

Além disso, Yanbu, Jeddah, Sohar e Duqm ganham importância.

Ao mesmo tempo, projetos ferroviários tentam conectar Arábia Saudita, Jordânia, Síria e Turquia, abrindo uma possível rota terrestre em direção à Europa.

Nenhuma dessas obras consegue substituir Ormuz isoladamente.

Porém, juntas, elas podem diminuir a dependência de um único ponto no mapa.

Assim, a guerra está produzindo uma consequência física que poderá permanecer por décadas: bilhões de dólares em oleodutos, portos, ferrovias e terminais projetados para garantir que petróleo e mercadorias continuem circulando mesmo quando uma das rotas marítimas mais importantes do planeta entrar novamente em crise.

Você acredita que os países do Golfo conseguirão reduzir de forma relevante a dependência do Estreito de Ormuz ou uma passagem que concentra cerca de 20% dos fluxos mundiais de petróleo continuará insubstituível?

Fonte

Reuters


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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