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Rússia abre caminho pelo gelo e gás chega à China: navios sancionados cruzam o Ártico e colocam a Rota do Mar do Norte no centro do comércio

Rússia abre caminho pelo gelo e gás chega à China: navios sancionados cruzam o Ártico e colocam a Rota do Mar do Norte no centro do comércio

4 min de leitura

Rússia abre caminho pelo gelo e gás chega à China: navios sancionados cruzam o Ártico e colocam a Rota do Mar do Norte no centro do comércio

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 15/08/2026 às 15:10

Atualizado em 15/08/2026 às 15:15

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Navio-tanque atravessa águas congeladas do Ártico acompanhado por um quebra-gelo, cenário que ilustra o transporte de gás russo pela Rota do Mar do Norte em direção à China.

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Rota controlada por Moscou ganha importância no transporte de gás russo para a China, enquanto embarcações sancionadas atravessam águas congeladas e ampliam o movimento pelo corredor marítimo do Ártico.

A Rota do Mar do Norte está ganhando relevância no transporte de gás russo para a China, em meio às sanções impostas pelos Estados Unidos contra operações energéticas de Moscou.

No fim de maio, o navio-tanque Christophe de Margerie iniciou a primeira viagem da temporada pela rota. Antes disso, a embarcação havia parado em um porto conectado ao Arctic LNG-2, instalação russa de gás natural liquefeito sancionada pelos EUA.

Com o gelo ainda espesso, o navio precisou ser acompanhado por um quebra-gelo durante grande parte do percurso. Assim, avançou milhares de milhas pelas águas do Ártico e pelo Mar de Bering.

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Navio atravessa o Ártico com auxílio de quebra-gelo

A viagem do Christophe de Margerie durou aproximadamente duas semanas. Ao final da travessia, o navio chegou à Península de Kamchatka, localizada no Extremo Oriente russo.

Na região, a embarcação entrou em uma baía isolada que anteriormente abrigou um assentamento militar soviético.

Imagens de satélite analisadas pela CNN mostraram o navio encostado em uma grande unidade flutuante de armazenamento.

A disposição observada é característica de operações de transferência de carga entre embarcações. Portanto, aparentemente, o Christophe de Margerie descarregou sua carga antes de iniciar o retorno ao Ártico.

Dados do MarineTraffic indicaram posteriormente que o navio voltou a navegar em direção ao norte.

Vladimir Putin e Xi Jinping aparecem em encontro diplomático cercados pelas bandeiras da Rússia e da China, países que ampliam sua ligação comercial e energética pela Rota do Mar do Norte, no Ártico.

Arctic Mulan chega à mesma área um dia depois

Enquanto o Christophe de Margerie deixava Kamchatka, outra embarcação sancionada pelos Estados Unidos se aproximava da mesma região.

Apenas um dia depois, o Arctic Mulan chegou à entrada da baía.

O navio permaneceu na área durante vários dias. Posteriormente, foi rebocado até a mesma unidade flutuante de armazenamento utilizada anteriormente pelo Christophe de Margerie.

Durante esse período, o dispositivo de rastreamento do Arctic Mulan ficou desligado por aproximadamente um dia, conforme mostram os dados de transponder.

Depois que o equipamento voltou a transmitir, a embarcação começou a seguir em direção ao porto chinês de Beihai.

Uma imagem de satélite capturada 11 dias depois foi avaliada pela CNN como mostrando o Arctic Mulan atracado no porto do sul da China.

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Caio Aviz

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Operação foi repetida em julho

Posteriormente, dados de navegação mostraram que a transferência envolvendo as mesmas embarcações voltou a acontecer em julho.

A repetição reforçou o papel da Rota do Mar do Norte, conhecida pela sigla NSR, como caminho para o transporte até a China do combustível russo sancionado pelos Estados Unidos.

Apesar disso, atravessar esse corredor permanece uma operação complexa.

Durante grande parte do ano, o gelo torna determinadas áreas intransponíveis. Além disso, a navegação sem quebra-gelos fica limitada a uma curta janela durante o verão.

China ganha protagonismo na Rota do Mar do Norte

Desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, o trânsito internacional pela rota passou por mudanças importantes.

Uma análise da CNN sobre dados de navegação compilados pelo Centre for High North Logistics (CHNL), da Noruega, mostra o protagonismo chinês.

Nesse período, o trânsito internacional pela Rota do Mar do Norte foi dominado pelo comércio com um único ator estrangeiro: a China.

Consequentemente, a movimentação ajuda a sustentar a economia russa durante o conflito. Ao mesmo tempo, o comércio reforça a segurança energética chinesa.

Além disso, o avanço ocorre paralelamente à expansão das operações chinesas de navegação na região.

Presença chinesa no Ártico também desperta atenção do Ocidente

A crescente presença da China no Ártico, entretanto, também provoca preocupação entre países ocidentais.

Existe receio de que essa expansão possa anteceder uma futura utilização militar chinesa na região.

Enquanto isso, Moscou mantém o controle da Rota do Mar do Norte, corredor que atravessa uma área cada vez mais observada como espaço de rivalidade entre grandes potências.

Assim, entre gelo, quebra-gelos, navios sancionados e transferências de gás, a rota ganha importância na ligação energética entre Rússia e China.

Ao mesmo tempo, as operações do Christophe de Margerie e do Arctic Mulan mostram como o corredor ártico passou a integrar esse fluxo comercial.

E você, acredita que a Rota do Mar do Norte pode se consolidar como um corredor estratégico para o comércio de gás entre Rússia e China nos próximos anos?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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