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Santa Catarina produz apenas 2 milhões de toneladas de milho por ano, mas consome 8 milhões, busca outras 6 milhões principalmente no Centro-Oeste a mais de 1.500 km e agora quer ampliar compras do Paraguai, a cerca de 300 km, para reduzir em até 15% os custos e baratear carne e leite

Santa Catarina produz apenas 2 milhões de toneladas de milho por ano, mas consome 8 milhões, busca outras 6 milhões principalmente no Centro-Oeste a mais de 1.500 km e agora quer ampliar compras do Paraguai, a cerca de 300 km, para reduzir em até 15% os custos e baratear carne e leite

SC

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Santa Catarina produz apenas 2 milhões de toneladas de milho por ano, mas consome 8 milhões, busca outras 6 milhões principalmente no Centro-Oeste a mais de 1.500 km e agora quer ampliar compras do Paraguai, a cerca de 300 km, para reduzir em até 15% os custos e baratear carne e leite

Escrito por Carla Teles

Publicado em 12/08/2026 às 12:06

Atualizado em 12/08/2026 às 12:14

Agronegócio

Milho de Santa Catarina pode ganhar nova Rota do Milho com o Paraguai para reduzir dependência logística do Centro-Oeste.

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O milho virou ponto central na estratégia de Santa Catarina para reduzir custos logísticos: o Estado produz 2 milhões de toneladas, consome 8 milhões, depende de outras 6 milhões e quer ampliar compras do Paraguai, mais próximo que o Centro-Oeste, com potencial de diminuir despesas anuais em cerca de 15%.

Santa Catarina produz cerca de 2 milhões de toneladas de milho por ano, mas consome aproximadamente 8 milhões de toneladas, criando uma diferença de 6 milhões que precisa ser suprida com compras externas. Hoje, boa parte desse volume vem principalmente do Centro-Oeste brasileiro, a mais de 1.500 quilômetros de distância, enquanto o governo catarinense busca ampliar a importação do grão produzido no Paraguai, localizado a cerca de 300 quilômetros do Estado.

As informações foram publicadas pela NSC Total em 11 de agosto de 2026, após uma missão do governo de Santa Catarina ao Paraguai realizada nos dias 6 e 7 de agosto para discutir parcerias comerciais e logísticas. Entre os principais temas esteve a criação da chamada Rota do Milho, iniciativa que pretende aproximar o produtor paraguaio do mercado catarinense e reduzir o peso do transporte sobre cadeias como carnes e leite.

Santa Catarina consome quatro vezes mais milho do que produz

Imagem: Reprodução/IA.

A diferença entre produção e consumo ajuda a explicar por que o abastecimento do grão se tornou uma questão estratégica. Enquanto a produção estadual gira em torno de 2 milhões de toneladas por ano, a demanda chega a aproximadamente 8 milhões, especialmente por causa da força das cadeias de proteína animal.

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Isso significa que Santa Catarina precisa buscar fora do Estado cerca de 6 milhões de toneladas de milho todos os anos. Esse déficit estrutural não representa necessariamente falta do produto no país, mas cria uma dependência logística significativa, porque grande parte da oferta adicional precisa percorrer longas distâncias até chegar às regiões consumidoras catarinenses.

Centro-Oeste está a mais de 1.500 quilômetros de distância

Segundo as informações divulgadas pelo governo catarinense, uma parcela relevante do milho que chega ao Estado vem do Centro-Oeste brasileiro. O problema está justamente na distância: algumas origens ficam a mais de 1.500 quilômetros de Santa Catarina, ampliando consideravelmente o peso do frete rodoviário.

Quando o transporte ocupa uma parcela elevada do custo total, o preço final do grão pode subir mesmo que o milho na origem esteja competitivo. Para indústrias que consomem grandes volumes diariamente, pequenas diferenças no valor por tonelada podem se transformar em impactos expressivos ao longo do ano.

Paraguai aparece como alternativa a cerca de 300 quilômetros

Imagem: Reprodução/IA.

A proximidade geográfica é o principal argumento em favor da ampliação das compras paraguaias. O governo catarinense calcula que determinadas regiões produtoras do país vizinho ficam a aproximadamente 300 quilômetros de Santa Catarina, uma diferença considerável em relação ao Centro-Oeste brasileiro.

Essa distância menor pode reduzir gastos com transporte e tornar o milho paraguaio mais competitivo para determinados compradores. A estimativa apresentada pelo governador Jorginho Mello é de redução de cerca de 15% nos custos, caso a nova rota comercial consiga operar nas condições esperadas.

Rota do Milho virou prioridade na missão ao Paraguai

A chamada Rota do Milho esteve entre os principais temas discutidos durante a missão catarinense ao país vizinho. O objetivo é criar condições comerciais e logísticas que facilitem a entrada do produto paraguaio no mercado de Santa Catarina.

A discussão envolveu representantes do governo estadual, da Federação das Indústrias de Santa Catarina e autoridades paraguaias. A aproximação busca ampliar um fluxo comercial que já existe, mas que ainda pode ganhar escala diante da demanda elevada da indústria catarinense.

Milho já é o principal produto paraguaio comprado por SC

A proposta não começa do zero. Segundo a Fiesc, o milho já é o principal produto adquirido por Santa Catarina do Paraguai, mostrando que existe uma relação comercial estabelecida entre os dois mercados.

Em 2025, o grão respondeu por 15,2% das importações catarinenses provenientes do Paraguai, movimentando US$ 70,5 milhões. Esse volume ajuda a explicar por que o governo estadual enxerga espaço para ampliar ainda mais a participação paraguaia no abastecimento catarinense.

Importações do Paraguai cresceram 390,5% em dez anos

A relação comercial entre Santa Catarina e Paraguai também cresceu de maneira significativa em um horizonte mais longo. Entre 2015 e 2025, as importações catarinenses de produtos paraguaios aumentaram 390,5%, segundo os dados apresentados na reportagem.

Em 2025, essas compras chegaram a aproximadamente US$ 464 milhões. O avanço indica que a integração econômica já vinha se intensificando antes da atual discussão sobre uma rota específica para o milho.

Frete pode custar mais do que o próprio produto

Um dos pontos mais fortes apresentados pelo governo catarinense está no peso do transporte sobre o preço do grão. De acordo com a declaração do governador reproduzida pela NSC Total, em determinadas situações o frete pode custar mais do que o próprio milho transportado.

Essa relação ajuda a entender por que a distância entre origem e destino se tornou tão importante. Se o produto comprado no Centro-Oeste precisa percorrer mais de 1.500 quilômetros, enquanto uma origem paraguaia pode ficar a cerca de 300 quilômetros, a diferença logística pode alterar diretamente a competitividade do insumo.

Milho é essencial para produção de carne

O milho ocupa posição central na alimentação animal e, por isso, influencia diretamente cadeias econômicas nas quais Santa Catarina possui forte presença. Suínos e aves, por exemplo, dependem de grandes volumes de ração ao longo de toda a produção.

Quando o preço do grão sobe, o custo de alimentar os animais também aumenta, pressionando produtores, cooperativas, frigoríficos e demais participantes da cadeia. A redução do custo logístico pode, portanto, ter efeitos que ultrapassam o próprio mercado de milho.

Leite também pode sentir efeito de redução nos custos

A pecuária leiteira é outra atividade dependente da alimentação animal. Milho e derivados entram na composição de dietas utilizadas em diferentes sistemas produtivos, o que faz com que mudanças relevantes no preço do grão também possam afetar o custo da produção de leite.

O governo catarinense aposta que um milho mais barato poderia melhorar a competitividade de diferentes cadeias. A expectativa apresentada é que a redução do custo do insumo contribua para tornar carne e leite mais competitivos, embora o preço final desses produtos dependa de diversos outros componentes.

Redução de 15% não significa automaticamente alimento 15% mais barato

Video: Redes sociais/jorginhomello.

A estimativa de aproximadamente 15% apresentada pelo governo está relacionada à possibilidade de reduzir custos com a mudança da origem e da rota de abastecimento. Isso não significa que o consumidor necessariamente verá uma queda de igual proporção no preço da carne ou do leite.

Os valores pagos pelo consumidor dependem também de energia, mão de obra, processamento, impostos, margens comerciais, transporte final e outras matérias-primas. O milho é apenas uma das partes da estrutura de custos, ainda que seja uma das mais relevantes para a produção animal.

Portos catarinenses também entraram na negociação

A missão não discutiu somente a importação de milho. Entre os temas apresentados esteve a possibilidade de ampliar o uso dos portos de Santa Catarina pelo Paraguai, criando uma relação logística mais ampla entre o Estado brasileiro e o país vizinho.

Também foram debatidas transferências de tecnologias para a agricultura e possíveis investimentos paraguaios no litoral catarinense. A estratégia, portanto, tenta transformar a proximidade geográfica em uma integração comercial que vá além de um único produto.

Sete propostas de parceria foram apresentadas

Ao todo, a missão tratou de sete propostas de parceria entre Santa Catarina e Paraguai. Além da Rota do Milho e do uso dos portos catarinenses, foram discutidos temas ligados ao agronegócio, infraestrutura e integração econômica.

Entre as propostas aparecem compartilhamento de tecnologias agrícolas, instalação de um cabo submarino que poderia atender o Paraguai e realização de encontros voltados a negócios imobiliários. Também foram discutidas novas formas de aproximar o país vizinho dos mercados internacionais.

Nova ligação rodoviária também está em estudo

Outro projeto mencionado envolve uma futura ligação rodoviária entre Santa Catarina, a província argentina de Misiones e o Paraguai. A ideia é diminuir barreiras físicas e tornar a circulação entre os três territórios mais eficiente.

Uma reunião está prevista para novembro, em Florianópolis, com representantes catarinenses, paraguaios e do governo de Misiones. A intenção é construir um planejamento estratégico de integração, embora a proposta ainda esteja em fase de discussão.

Milho mostra como distância interfere na competitividade

O caso evidencia como a geografia pode ser tão importante quanto o preço do produto na origem. Santa Catarina possui uma indústria de proteína animal altamente demandante de milho, mas não produz quantidade suficiente para atender ao próprio consumo.

Por isso, reduzir centenas de quilômetros no trajeto do milho pode representar uma vantagem econômica relevante, sobretudo quando milhões de toneladas precisam ser transportadas todos os anos. A Rota do Milho surge justamente como tentativa de atacar esse custo estrutural.

Santa Catarina busca transformar déficit de milho em vantagem logística

Santa Catarina continuará precisando comprar grandes volumes fora de suas fronteiras enquanto produzir aproximadamente 2 milhões de toneladas e consumir perto de 8 milhões. O desafio está em encontrar fornecedores e rotas capazes de atender essa diferença de forma competitiva e previsível.

A aposta no Paraguai nasce dessa lógica: substituir parte de uma viagem superior a 1.500 quilômetros por trajetos próximos de 300 quilômetros e tentar reduzir os custos em cerca de 15%. Para você, essa aproximação com o Paraguai pode realmente ajudar a reduzir o preço da carne e do leite ou o efeito ficará concentrado na indústria? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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