A cadeia produtiva do cacau segue em processo de expansão no Acre. Durante entrevista ao ac24agro, na terceira noite da 51ª Expoacre 2026, realizada nesta segunda-feira (3), no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco, o coordenador do Núcleo do Cacau da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), Marcos Rocha, afirmou que a cultura vem se consolidando por meio da capacitação de técnicos, do mapeamento de áreas produtoras e da abertura de novos mercados.
Segundo ele, embora a cadeia ainda esteja em fase de estruturação, importantes avanços já foram alcançados.“É um retrato fiel dizer que a cadeia está se estruturando. Mas passos firmes já foram dados. Um deles foi a capacitação de 27 técnicos promovida pelo Governo do Estado, por meio da Seagri, em parceria com o Sebrae. Isso amplia nossa capacidade técnica e garante melhor orientação aos produtores nos municípios”, afirmou.
Capacitação fortalece assistência técnica
Rocha explicou que os 27 profissionais capacitados não representam, necessariamente, um técnico por município, já que algumas regiões concentram maior produção.
Ele destacou que o Vale do Juruá possui tradição no cultivo do cacau, mas ressaltou que outras regiões também vêm registrando crescimento. “Cruzeiro do Sul iniciou esse processo, mas hoje já temos municípios como Acrelândia, Xapuri e Porto Acre bastante firmes na cadeia produtiva.”
Vale do Juruá reúne melhores condições naturais
De acordo com o coordenador, fatores climáticos colocam o Vale do Juruá em posição de destaque para o desenvolvimento da cultura.“O Juruá possui maior volume de chuvas, melhor distribuição das precipitações, além de relevo e solo diferenciados. Isso favorece bastante o cultivo do cacau.”
Apesar disso, ele ressaltou que produtores de outras regiões do estado também conseguem obter bons resultados.“Mesmo com menor volume de chuva, municípios como Capixaba, Xapuri e Acrelândia têm apresentado excelente desenvolvimento da cultura. Com manejo adequado, calendário agrícola e irrigação, é possível superar essas diferenças.”
Novos produtores são descobertos em Acrelândia
Durante visita técnica realizada nesta segunda-feira, Rocha revelou uma novidade considerada importante para o setor.
Segundo ele, dois novos produtores foram identificados em Acrelândia e ainda não integravam o banco de dados da Rota do Cacau.
Um deles cultiva aproximadamente 12 hectares, enquanto outro possui quatro hectares plantados.“Foi uma surpresa muito positiva. Encontramos um produtor com 12 hectares e outro com quatro hectares que ainda não estavam mapeados. Isso mostra que a cadeia continua crescendo.”
Rota do Cacau mapeia produção em todo o estado
O coordenador explicou que a Rota do Cacau tem como objetivo identificar todas as áreas de cultivo existentes no Acre.
Durante o trabalho, as equipes registram coordenadas geográficas, área plantada, estágio da produção, destino da comercialização e outras informações técnicas.“Fazemos um diagnóstico completo da propriedade. Mapeamos áreas novas, áreas em produção e também o cacau nativo existente nas florestas”, comentou.
Cacau nativo também integra estratégia estadual
Além do cultivo comercial, a Seagri também trabalha com o aproveitamento do cacau nativo, encontrado em reservas extrativistas e terras indígenas.
Marcos Rocha destacou um projeto realizado junto ao povo Manchineri, na Terra Indígena Mamoadate, entre Assis Brasil e Sena Madureira.
Segundo ele, a iniciativa envolveu desde o manejo das árvores nativas até o beneficiamento e comercialização do produto.
“Foi um trabalho pioneiro. Fizemos o mapeamento das árvores, trabalhamos a qualidade do cacau, realizamos fermentação, secagem e conseguimos comercializar esse produto por um valor superior ao cacau commodity.”
Acre amplia mercados para o cacau
Rocha afirmou que Rondônia foi um dos primeiros estados a adquirir o cacau acreano, mas destacou que novos mercados já foram conquistados.
Segundo ele, atualmente o produto também segue para Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e até para compradores internacionais.“Hoje o Acre já comercializa cacau para diversos estados e também para outros países. O mercado está crescendo e o nosso objetivo é ampliar ainda mais essa rede.”
Agroindústria de chocolate deve iniciar atividades em agosto
Outro destaque da entrevista foi a implantação da primeira agroindústria voltada ao processamento de chocolate no Vale do Juruá.Segundo Marcos Rocha, o projeto recebeu investimento estimado em R$ 320 mil, com recursos do programa REM e contrapartida da comunidade, além de apoio da Seagri e do Sebrae.
A previsão é que a unidade entre em funcionamento ainda neste mês.“Nossa expectativa é iniciar as atividades no final de agosto. Já realizamos treinamentos e os equipamentos estão sendo ajustados.”
Durante a fase de testes, a equipe produziu aproximadamente 800 barras de chocolate, além de bombons, em menos de uma semana.
Comunidades indígenas também deverão produzir chocolate
Marcos Rocha afirmou que a meta da Secretaria é instalar pequenas agroindústrias em diferentes regiões do estado, incluindo comunidades indígenas.
Segundo ele, o povo Manchineri, em Assis Brasil, já manifestou interesse em avançar da venda de amêndoas para a fabricação do próprio chocolate.“Eles querem deixar de comercializar apenas a amêndoa e produzir o chocolate Manchineri. É um sonho que está muito próximo de se tornar realidade”, encerrou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

