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Sem anestesia, sem luvas e com amputações em apenas 30 segundos: como eram as cirurgias no século 19, quando Robert Liston transformou velocidade em técnica e viveu a chegada do éter que mudaria para sempre a medicina

Sem anestesia, sem luvas e com amputações em apenas 30 segundos: como eram as cirurgias no século 19, quando Robert Liston transformou velocidade em técnica e viveu a chegada do éter que mudaria para sempre a medicina

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Sem anestesia, sem luvas e com amputações em apenas 30 segundos: como eram as cirurgias no século 19, quando Robert Liston transformou velocidade em técnica e viveu a chegada do éter que mudaria para sempre a medicina

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 20/08/2026 às 15:25

Atualizado em 20/08/2026 às 15:26

Ciência e Tecnologia

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Representação de uma cirurgia no século 19, período em que procedimentos eram acompanhados por estudantes em anfiteatros e a rapidez do cirurgião era fundamental para reduzir o sofrimento.

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Antes da anestesia moderna e das práticas de assepsia, pacientes enfrentavam dor extrema, hemorragias e infecções, enquanto cirurgiões como Robert Liston recorriam à velocidade para reduzir o sofrimento durante as operações.

As cirurgias no século 19 eram realizadas em condições muito diferentes das encontradas nos hospitais atuais.

Anestésicos modernos ainda não faziam parte da rotina médica, enquanto os métodos de assepsia eram desconhecidos.

O papel dos microrganismos nas infecções também não era compreendido.

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Por isso, entrar em uma sala de operação poderia significar enfrentar dor intensa, hemorragias e elevado risco de morte.

Pacientes frequentemente preferiam conviver com tumores ou membros gangrenados em vez de enfrentar uma cirurgia.

James Y. Simpson chegou a comparar, em 1869, os riscos hospitalares aos enfrentados por soldados na Batalha de Waterloo.

Medicina e cirurgia seguiam caminhos diferentes

A organização da medicina também era muito diferente no início do século 19.

Médicos frequentavam universidades e estudavam química, fisiologia e anatomia.

Cirurgiões, por sua vez, desenvolviam principalmente habilidades manuais e aprendiam o ofício diretamente com profissionais mais experientes.

O conhecimento cirúrgico era transmitido de mestre para aprendiz, principalmente entre trabalhadores sem formação universitária formal.

Essa estrutura começou a mudar em 1800, com a criação por Carta Real do Royal College of Surgeons in London.

A instituição contribuiu para tornar a formação cirúrgica mais organizada.

Hospitais dedicados ao ensino também ganharam espaço posteriormente.

O University College Hospital, em Londres, abriu em 1834 e se tornou um importante centro ligado ao treinamento médico.

Robert Liston transformou velocidade em técnica

Robert Liston nasceu na Escócia em 1794 e ficou conhecido pela rapidez com que realizava amputações.

O cirurgião tinha aproximadamente 1,90 metro de altura e começou a estudar medicina aos 14 anos.

Aos 22 anos, já ministrava aulas de anatomia.

Suas operações eram realizadas em anfiteatros acompanhados por estudantes, professores e espectadores.

Liston costumava desafiar o público a marcar o tempo das intervenções.

Uma amputação abaixo do joelho podia durar aproximadamente 30 segundos.

A retirada completa de um membro levava cerca de dois minutos e meio.

As condições de trabalho, porém, ainda estavam muito distantes dos padrões atuais.

Liston operava sem luvas, utilizava diretamente as mãos para conter artérias e, em determinadas situações, segurava instrumentos com a boca.

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Viviane Alves

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Velocidade também gerou relatos de acidentes

A rapidez utilizada por Liston contribuiu para sua fama, mas também originou histórias sobre acidentes durante operações.

Um relato afirma que o médico teria removido acidentalmente um testículo de um paciente durante uma intervenção na coxa.

Outra história ficou ainda mais conhecida.

Liston teria cortado dois dedos de um assistente durante uma amputação de perna.

A faca também teria atingido a roupa de um espectador, que sofreu um colapso e morreu.

Paciente e assistente teriam falecido posteriormente devido a infecções.

A história passou a ser conhecida como uma operação com “300% de mortalidade”.

Historiadores, entretanto, apontam que não existem registros documentais sólidos capazes de comprovar integralmente esse episódio.

O relato, portanto, deve ser entendido como uma narrativa histórica controversa ligada à reputação de Liston.

Resultados de Liston eram melhores que a média atribuída à época

Apesar das histórias sobre acidentes, os resultados atribuídos a Robert Liston eram melhores que a média registrada naquele período.

Procedimentos cirúrgicos gerais apresentavam aproximadamente uma morte para cada quatro pacientes.

Liston, segundo os dados citados, registrava aproximadamente um óbito para cada dez casos.

O cirurgião também desenvolveu instrumentos utilizados posteriormente na prática médica.

Entre eles estava a pinça bulldog, criada para controlar o fluxo sanguíneo em veias e artérias.

Outro desenvolvimento foi uma tala voltada à imobilização de fraturas no fêmur.

Anestesia começou a transformar as cirurgias

Uma mudança decisiva ocorreu em 21 de dezembro de 1846.

Naquela data, Robert Liston realizou no University College Hospital uma amputação utilizando éter como anestésico.

O Royal College of Anaesthetists registra o episódio como a primeira demonstração pública britânica de uma grande operação sob anestesia.

A University College London também reconhece o procedimento como um marco importante da história cirúrgica europeia.

Robert Liston morreu em 1847, após o rompimento de um aneurisma.

Sua carreira terminou justamente quando a anestesia começava a modificar profundamente a medicina e as cirurgias no século 19.

A velocidade, que durante décadas havia sido uma das principais maneiras de reduzir o sofrimento dos pacientes, começava finalmente a perder esse papel.

O que mais chama sua atenção nesse período da medicina: a velocidade das amputações, a ausência de anestesia ou os riscos enfrentados pelos pacientes? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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