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Sem cursinho e morando em uma república com outros 22 estudantes, jovem que estudou a vida inteira em escola pública conciliava o trabalho na Secretaria de Finanças, tirou 880 na redação do Enem e, aos 19 anos, passou em quatro faculdades públicas de Medicina de uma só vez

Sem cursinho e morando em uma república com outros 22 estudantes, jovem que estudou a vida inteira em escola pública conciliava o trabalho na Secretaria de Finanças, tirou 880 na redação do Enem e, aos 19 anos, passou em quatro faculdades públicas de Medicina de uma só vez

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Sem cursinho e morando em uma república com outros 22 estudantes, jovem que estudou a vida inteira em escola pública conciliava o trabalho na Secretaria de Finanças, tirou 880 na redação do Enem e, aos 19 anos, passou em quatro faculdades públicas de Medicina de uma só vez

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 02/08/2026 às 01:17

Atualizado em 02/08/2026 às 01:26

Curiosidades

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Rotina dividida entre trabalho, estudos e uma república lotada cercou a preparação de um jovem de escola pública que decidiu disputar vagas em Medicina sem cursinho, alcançando desempenho elevado no Enem e resultados simultâneos em quatro universidades públicas da Bahia.

Wester Silva Vieira tinha 19 anos quando reuniu quatro aprovações em cursos públicos de Medicina, mesmo sem ter frequentado cursinho pré-vestibular e depois de construir toda a formação básica em escolas da rede pública da Bahia.

Ao mesmo tempo em que se preparava para o Enem, ele trabalhava na Secretaria de Finanças da Prefeitura de Vitória da Conquista e transformava os intervalos disponíveis entre as tarefas do expediente em momentos de leitura, revisão e resolução de exercícios.

O desempenho abriu vagas em quatro instituições diferentes: Universidade Federal da Bahia, Universidade Estadual de Feira de Santana, Universidade do Estado da Bahia e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, que mantém campus em Vitória da Conquista.

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Na mesma temporada de seleção, o jovem passou por uma universidade federal e três estaduais, resultado que ampliou suas possibilidades de escolha e confirmou a eficácia de uma preparação desenvolvida fora da estrutura tradicional dos cursos pré-vestibulares.

Nota de 880 na redação do Enem

Na redação do Enem, o estudante alcançou 880 pontos, enquanto a média obtida nas provas objetivas chegou a 735, pontuações usadas naquele período nos processos seletivos que garantiram as quatro aprovações em cursos públicos de Medicina.

Segundo reportagem do UOL Educação, responsável por entrevistar Wester após a divulgação dos resultados, os números refletiam uma rotina baseada em estudo autônomo, organização pessoal e aproveitamento constante do tempo disponível ao longo do dia.

Sem condições de incluir uma mensalidade de cursinho no orçamento, ele organizava sozinho os conteúdos que precisava reforçar e recorria, quando necessário, a aulas específicas de exatas, redação, gramática e biologia, sem frequentar uma preparação completa.

Em vez de concentrar todo o esforço nos meses anteriores às provas, o jovem distribuiu o aprendizado ao longo de vários anos, identificou pontos fracos e intensificou a revisão das matérias que ainda exigiam maior domínio.

Trabalho e estudo na Secretaria de Finanças

Jovem de escola pública concilia trabalho e estudos, tira 880 no Enem e conquista quatro aprovações em Medicina sem cursinho na Bahia.

Parte da preparação acontecia dentro da própria repartição, onde ele aproveitava períodos sem tarefas pendentes para revisar conteúdos durante o expediente, prática aceita pelos colegas e incorporada à rotina desde que havia assumido o cargo público municipal.

Concursado desde julho de 2014, Wester precisou ajustar horários, ritmo de leitura e volume diário de exercícios até encontrar uma divisão viável entre as responsabilidades do trabalho e as exigências de uma seleção altamente concorrida.

A preparação, contudo, não começou apenas na fase final do ensino médio, pois ele fazia o Enem desde 2009, quando deixou Condeúba, no sudoeste baiano, e se mudou para Vitória da Conquista em busca de melhores oportunidades educacionais.

Já instalado na nova cidade, foi aprovado no Instituto Federal da Bahia e iniciou uma formação técnica em eletrônica, experiência que ampliou seu contato com disciplinas de exatas e ajudou a definir a escolha profissional nos anos seguintes.

Preparação para Medicina sem cursinho

Com o acúmulo de várias edições do exame, o estudante passou a compreender melhor os critérios da prova e recebeu de uma professora orientações sobre a redação, especialmente em relação à estrutura e às expectativas dos corretores.

Essa preparação gradual permitiu que ele reforçasse conteúdos específicos sem abandonar o descanso, já que reservava parte do tempo para assistir a séries e reduzir a ansiedade nos períodos mais próximos das provas decisivas realizadas naquele período.

República com outros 22 estudantes

A moradia também integrava uma estrutura coletiva criada por estudantes do interior, pois Wester vivia em uma casa de Vitória da Conquista dividida com outros 22 jovens que também haviam saído de Condeúba para estudar.

Ao todo, 23 estudantes da mesma cidade compartilhavam o endereço, conciliando horários, cursos e rotinas diferentes enquanto buscavam formação longe de casa e tentavam aproveitar com mais facilidade as oportunidades disponíveis em um centro regional maior.

Embora a república facilitasse a permanência em Vitória da Conquista, o cotidiano acadêmico acontecia em um espaço intensamente compartilhado, no qual o jovem precisava preservar a concentração sem abandonar as responsabilidades do trabalho público municipal.

Antes de direcionar a preparação para Medicina, ele chegou a considerar Engenharia por influência de familiares e por duvidar da própria capacidade de conquistar uma vaga no curso que realmente desejava desde o início da preparação.

Da eletrônica ao curso de Medicina

A formação técnica em eletrônica, no entanto, mostrou que uma carreira concentrada em exatas não correspondia ao que buscava, levando-o a retomar o interesse pela área médica e reorganizar os estudos em torno desse objetivo.

Seu histórico escolar começou nas escolas municipais Eleutério Tavares e Alcides Cordeiro, em Condeúba, e prosseguiu no Instituto Federal da Bahia, já em Vitória da Conquista, onde encontrou uma estrutura de ensino mais ampla e diversificada.

Ao relembrar o percurso, Wester atribuiu importância ao apoio recebido de professores da rede pública, tanto no ensino fundamental quanto na formação técnica, especialmente nos momentos em que precisava definir prioridades e fortalecer conteúdos específicos.

As quatro aprovações garantiram ingresso em 2015 e reuniram, no mesmo processo seletivo, uma universidade federal e três estaduais, mantendo intacto o núcleo da trajetória de um estudante que trabalhou, estudou sozinho e viveu em uma república lotada.

Quatro aprovações em universidades públicas da Bahia

Entre as alternativas disponíveis, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia mantinha ligação direta com a cidade onde ele já morava e trabalhava, enquanto as demais opções ampliavam as possibilidades para Salvador, Feira de Santana e outras regiões.

Ao falar sobre a carreira, o jovem defendeu uma formação médica mais humana e a presença de profissionais também em localidades afastadas das capitais, preocupação ligada à própria origem em uma cidade do interior baiano.

Quantos outros estudantes poderiam alcançar resultados semelhantes se encontrassem condições concretas para estudar, trabalhar e permanecer longe de casa sem abandonar o objetivo de ingressar em um curso tão concorrido quanto Medicina em universidades públicas?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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