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Sem dinheiro para pagar aluguel, moradores de Sausalito transformaram barcos abandonados em casas flutuantes e criaram uma comunidade alternativa que resistiu por décadas

Sem dinheiro para pagar aluguel, moradores de Sausalito transformaram barcos abandonados em casas flutuantes e criaram uma comunidade alternativa que resistiu por décadas

4 min de leitura

Sem dinheiro para pagar aluguel, moradores de Sausalito transformaram barcos abandonados em casas flutuantes e criaram uma comunidade alternativa que resistiu por décadas

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 06/08/2026 às 18:48

Atualizado em 06/08/2026 às 18:49

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Sem dinheiro para pagar aluguel, moradores de Sausalito transformaram barcos abandonados, madeira, sucata e materiais encontrados em casas flutuantes.

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Em Sausalito, Gate 5 nasceu da adaptação de barcos abandonados, reuniu moradores fora das marinas e enfrentou falta de serviços, pressão imobiliária e ameaça de despejo ao longo de décadas

Sem dinheiro para pagar aluguel, moradores de Sausalito transformaram barcos abandonados, madeira, sucata e materiais encontrados em casas flutuantes. Assim nasceu Gate 5, uma comunidade alternativa formada por pessoas que procuravam uma maneira diferente de viver perto da água.

A KQED, veículo público de comunicação da Califórnia, publicou em 22 de maio de 2013 uma apuração sobre o morador Ale Ekstrom, que vivia em um barco havia 50 anos.

A vida sobre a água oferecia mais autonomia e custos menores, mas também trazia problemas com água potável, esgoto, segurança contra incêndio, acesso, manutenção e risco de despejo.

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Como nasceram as casas flutuantes de Gate 5

Nas décadas de 1950 e 1960, Sausalito ainda tinha ruínas, barcos antigos e áreas pouco ocupadas perto da água. O cenário atraiu artistas, músicos e pessoas que procuravam viver longe dos modelos tradicionais de moradia.

Alguns moradores compravam embarcações antigas e faziam melhorias. Outros aproveitavam barcos abandonados, madeira e objetos encontrados na região para construir espaços onde pudessem dormir, cozinhar e guardar seus pertences.

Barcos abandonados viraram moradia em Sausalito

A comunidade cresceu durante a década de 1970 e ganhou características de uma ocupação coletiva. Cada moradia tinha um formato, um tamanho e um nível de conservação diferente.

Barcos abandonados viraram moradia em Sausalito

Os barcos abandonados deixaram de ser apenas estruturas sem uso. Com reformas improvisadas, passaram a receber divisões internas, móveis, cozinhas e áreas de convivência.

As casas flutuantes não seguiam um único padrão. Algumas mantinham aparência de embarcação, enquanto outras recebiam construções sobre o casco e ficavam parecidas com pequenas casas instaladas na água.

A transformação exigia trabalho constante. Limpeza, reparos, proteção contra a umidade e cuidados com o casco faziam parte da rotina de quem dependia da própria embarcação para morar.

Moradores ancorados e casas atracadas tinham realidades diferentes

Nem todos os moradores de Gate 5 viviam da mesma maneira. Algumas casas flutuantes permaneciam atracadas em docas, enquanto outras ficavam ancoradas fora das marinas.

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Os moradores ancorados precisavam usar uma embarcação para chegar até suas casas. Essa distância dificultava o transporte de pessoas, alimentos, ferramentas e equipamentos de emergência.

A KQED, veículo público de comunicação da Califórnia, registrou que o número de barcos ancorados fora das docas passou de cerca de 100 para 150 depois da recessão de 2007.

A principal diferença estava na localização e na situação legal. As embarcações atracadas ficavam dentro da estrutura portuária, enquanto os barcos ancorados fora das marinas eram considerados ilegais.

O conflito com as autoridades e o risco de despejo

A expansão da comunidade provocou uma disputa entre moradores, interesses ligados às terras e autoridades. O espaço ocupado por casas flutuantes passou a ser cobiçado por projetos imobiliários e novas formas de uso do litoral.

O conflito ficou conhecido como Guerras das Casas Flutuantes. A disputa foi longa e terminou com os incorporadores mais favorecidos, reduzindo parte do espaço ocupado pelos moradores.

A falta de regularização aumentava a insegurança. Para quem vivia fora das marinas, permanecer na água dependia de regras locais e da possibilidade de enfrentar novas medidas de fiscalização.

Liberdade na água ou insegurança permanente?

Ale Ekstrom vivia em um navio naval de busca e resgate construído em 1942, com aproximadamente 30 pés de comprimento e uma pequena casa instalada sobre o casco.

A embarcação tinha cozinha, sala, banheiro, aquecedor, 500 galões de água doce e um gerador. Mesmo assim, o conforto era limitado quando ventos fortes, marés e mudanças no tempo afetavam a estabilidade do barco.

O conflito ficou conhecido como Guerras das Casas Flutuantes.

Aos 76 anos, Ekstrom vivia com a previdência e não conseguia juntar dinheiro suficiente para fazer uma limpeza completa na parte inferior da embarcação. O barco apresentava sinais de deterioração e exigia cuidados permanentes.

A rotina também consumia tempo e energia. Manter a casa flutuando, acompanhar as condições da água e resolver emergências eram tarefas indispensáveis para continuar vivendo longe do aluguel convencional.

Gate 5 nasceu quando barcos abandonados e materiais reaproveitados foram transformados em moradias por pessoas que buscavam autonomia diante do alto custo da habitação em Sausalito.

A comunidade mostrou que viver sobre a água podia reduzir despesas e criar vínculos entre moradores, mas também expôs dificuldades com infraestrutura, segurança, manutenção e reconhecimento legal.

Você trocaria uma casa convencional por uma moradia flutuante construída sobre um barco abandonado, mesmo sabendo que a liberdade viria acompanhada de riscos e incertezas? Compartilhe sua opinião.

Fonte

KQED


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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