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Sem pregos nem parafusos, prédio de 11 mil m² usa madeira colada com adesivos, preserva 38 mil m² de vegetação, recebe 580 painéis solares e conquista prêmio nacional de sustentabilidade
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 29/08/2026 às 09:36
Atualizado em 29/08/2026 às 09:41
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Henkel Inspiration Center, em Jundiaí, reúne edifício administrativo para 252 posições de trabalho e 27 laboratórios; estrutura em madeira engenheirada busca reduzir resíduos, acelerar a montagem e armazenar carbono
Um complexo empresarial de 11 mil m² em Jundiaí, no interior de São Paulo, chama atenção por uma solução estrutural pouco comum: a equipe usou madeira engenheirada e adesivos industriais nas ligações destacadas pelo projeto, sem recorrer a pregos e parafusos. Além disso, o empreendimento preserva 38 mil m² de vegetação nativa e recebeu o Master Imobiliário na categoria Comercial Sustentabilidade, conforme informações publicadas pelo Terra, com conteúdo do Estadão.
O Henkel Inspiration Center ocupa um terreno de 49 mil m². Enquanto a construção utiliza 11 mil m², a equipe manteve a maior parte da área coberta por vegetação. No telhado, o projeto ainda instalou 580 painéis fotovoltaicos.
Porém, a principal curiosidade está dentro da própria estrutura. A Henkel fornece os adesivos que unem as lâminas de madeira engenheirada. Assim, um produto fabricado pela empresa também ajuda a sustentar o prédio onde ela trabalha.
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Madeira engenheirada substitui conexões tradicionais na estrutura
O projeto usa CLT, sigla para cross laminated timber, ou madeira laminada cruzada.
Nesse sistema, fabricantes organizam diferentes camadas de madeira em direções distintas e depois unem essas lâminas para formar elementos estruturais.
No Henkel Inspiration Center, os adesivos da própria Henkel fazem parte dessa união. Dessa forma, o material industrial deixa de aparecer apenas em laboratórios ou demonstrações e entra fisicamente na construção.
Segundo Ivo Wohnrath, CEO da Athié Wohnrath, “o produto do cliente está literalmente dentro da construção”. A equipe escolheu essa solução para buscar três objetivos: armazenar carbono na madeira, reduzir resíduos da obra e acelerar a montagem.
A própria estrutura, portanto, vira uma vitrine em escala real para a tecnologia empregada no edifício.
Projeto deixa vigas e madeira à mostra em vez de escondê-las
A equipe também fez outra escolha importante.
Em vez de esconder os componentes estruturais atrás de revestimentos, o projeto deixa a madeira engenheirada aparente. Com isso, vigas, pilares e superfícies de madeira também participam da identidade visual dos ambientes.
Essa decisão aproxima arquitetura e engenharia.
Primeiro, a madeira cumpre função estrutural. Depois, o mesmo material ajuda a criar a estética dos espaços internos.
Consequentemente, o edifício não precisa adicionar tantos elementos apenas para esconder aquilo que sustenta a construção.
Além disso, a presença visual da madeira reforça a proposta de associar o complexo a uma construção de menor impacto ambiental.
Terreno de 49 mil m² mantém 38 mil m² de vegetação nativa
Os números da ocupação do terreno também chamam atenção.
A área total soma 49 mil m². Desses, a equipe destinou 11 mil m² às construções e manteve 38 mil m² com vegetação nativa.
Na prática, a área preservada supera em mais de três vezes a área construída.
Assim, o projeto não concentrou sua proposta sustentável apenas no material estrutural.
A organização do terreno também entrou nessa estratégia.
Além disso, manter uma parcela tão grande do espaço com vegetação reduz a necessidade de ocupar integralmente a área disponível.
580 painéis fotovoltaicos ocupam o telhado do complexo
A geração de eletricidade aparece como outro eixo.
O telhado recebeu 580 painéis fotovoltaicos, que passam a produzir energia solar dentro do próprio empreendimento.
A publicação, entretanto, não informa a potência total instalada.
Por isso, não é possível afirmar quanto da demanda do complexo os módulos atenderão nem se o sistema consegue tornar o prédio autossuficiente.
Ainda assim, o número mostra a escala da instalação.
São centenas de módulos integrados a um edifício que já utiliza madeira engenheirada, preservação de vegetação e soluções construtivas ligadas à própria atividade da Henkel.
Ao mesmo tempo, grandes projetos em outros setores também tentam ampliar a produção com novas soluções industriais.
Complexo reúne 252 posições de trabalho e 27 laboratórios
O Henkel Inspiration Center não funciona apenas como uma demonstração arquitetônica.
O complexo possui dois edifícios.
Um deles abriga a área administrativa, com 252 posições de trabalho. O outro concentra 27 laboratórios de alta tecnologia.
Portanto, centenas de pessoas utilizam diariamente uma construção que incorpora parte das soluções que a própria empresa desenvolve.
Esse detalhe ajuda a diferenciar o empreendimento de um protótipo experimental.
A estrutura precisa atender atividades corporativas, pesquisa e desenvolvimento em uma operação real.
Projeto busca três certificações ligadas a sustentabilidade e bem-estar
A equipe também desenhou o complexo para buscar uma combinação de certificações.
O plano inclui LEED Platinum para os interiores, LEED Gold para a edificação e WELL Gold.
Aqui existe uma ressalva importante.
A fonte afirma que o projeto busca obter essas certificações. Portanto, não devemos tratá-las como conquistas já concluídas com base apenas nessa publicação.
O reconhecimento confirmado é o Master Imobiliário na categoria Comercial Sustentabilidade.
Assim, o prêmio já faz parte da trajetória do projeto, enquanto as certificações permanecem como objetivos ligados ao desempenho ambiental e ao bem-estar nos ambientes internos.
Adesivo deixa de ser produto invisível e vira parte da arquitetura
Normalmente, o usuário de um edifício não pensa nos adesivos que mantêm componentes estruturais unidos.
Nesse projeto, porém, esse detalhe ganhou importância estratégica.
A Henkel atua justamente no mercado de adesivos e tecnologias industriais. Assim, colocar esses produtos na própria estrutura cria uma conexão direta entre o que a empresa vende e o prédio que ocupa.
Wohnrath destacou esse aspecto como um dos diferenciais mais fortes do ponto de vista de comunicação.
Portanto, a construção funciona ao mesmo tempo como sede, centro de pesquisa e demonstração prática.
O edifício não exibe apenas uma amostra do adesivo.
Ele utiliza o produto em sua própria estrutura.
Madeira busca reduzir resíduos e acelerar a montagem
A Athié Wohnrath também associa a escolha da madeira engenheirada a ganhos durante a obra.
Segundo o CEO, o sistema busca reduzir resíduos e acelerar a montagem, além de manter carbono armazenado no material.
A publicação, entretanto, não informa quantas toneladas de resíduos a obra evitou.
Também não divulga quantos dias a equipe economizou no cronograma nem quantas toneladas de carbono a estrutura armazena.
Por isso, esses pontos permanecem como objetivos e características apresentadas pelos responsáveis.
Ainda assim, o sistema evidencia uma mudança na lógica construtiva.
Em vez de preparar grande parte dos componentes diretamente no canteiro, a madeira engenheirada permite maior controle sobre a fabricação das peças e sua posterior montagem.
Consequentemente, o projeto busca diminuir improvisações e desperdícios durante a execução.
Estrutura transforma um material tradicional em produto de engenharia
A palavra “madeira” pode sugerir uma construção convencional.
Porém, o CLT segue outra lógica.
Fabricantes produzem painéis estruturais a partir de camadas organizadas e coladas de forma controlada. Assim, transformam um material natural em componente de engenharia com dimensões e características previamente definidas.
Essa abordagem permite utilizar madeira em construções de maior escala.
Além disso, o adesivo assume uma função essencial porque mantém as lâminas integradas.
Dessa forma, o Henkel Inspiration Center une dois produtos muito diferentes: madeira e química industrial.
A combinação produz uma estrutura que busca resistência, velocidade de montagem e menor geração de resíduos.
Prêmio também reconhece projeto residencial do mesmo grupo
A Athié Wohnrath não recebeu reconhecimento apenas pelo Henkel Inspiration Center.
A incorporadora AW Realty, criada pelo grupo, também conquistou o Master Imobiliário na categoria Residencial com o Natus Braz Leme, em Santana, na zona norte de São Paulo.
O empreendimento possui duas torres e 144 unidades, com apartamentos entre 74 m² e 255 m².
Além disso, o preço médio informado chega a cerca de R$ 15 mil por metro quadrado. Já uma cobertura teria hoje valor aproximado de R$ 4,5 milhões, segundo a publicação.
Porém, o desafio arquitetônico era diferente.
O projeto precisava respeitar um limite de 28 metros de altura.
Assim, os responsáveis concentraram parte da estratégia na relação entre o edifício, a vista para a região do Campo de Marte e as fachadas biofílicas.
Prédio de 11 mil m² transforma a própria estrutura em demonstração de sustentabilidade
No Henkel Inspiration Center, os números ajudam a resumir a proposta.
O terreno possui 49 mil m².
A equipe construiu 11 mil m².
Além disso, preservou 38 mil m² de vegetação nativa e colocou 580 painéis fotovoltaicos no telhado.
Internamente, o complexo reúne 252 posições de trabalho e 27 laboratórios.
Porém, o elemento mais incomum continua escondido — ou quase — nas próprias ligações estruturais.
A equipe usou madeira engenheirada e adesivos industriais para compor um prédio no qual o produto da Henkel participa diretamente da construção.
Essa integração entre arquitetura, engenharia e desenvolvimento tecnológico ajudou o projeto a conquistar reconhecimento nacional na categoria de sustentabilidade.
Agora, o edifício funciona como uma demonstração em escala real de uma ideia simples de explicar, mas muito menos comum de executar: usar o próprio produto industrial da empresa para ajudar a construir a sede onde ela trabalha e pesquisa.
Você confiaria em um grande edifício cuja estrutura de madeira utiliza adesivos industriais nas ligações em vez dos pregos e parafusos que estamos acostumados a imaginar?
Fonte
Terra
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

