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Sem terra própria e sem dinheiro para comprar uma fazenda, cerca de 320 mil mulheres indianas formaram quase 60 mil grupos, alugaram áreas ociosas, abriram contas coletivas e passaram a cultivar arroz, frutas e hortaliças

Sem terra própria e sem dinheiro para comprar uma fazenda, cerca de 320 mil mulheres indianas formaram quase 60 mil grupos, alugaram áreas ociosas, abriram contas coletivas e passaram a cultivar arroz, frutas e hortaliças

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Sem terra própria e sem dinheiro para comprar uma fazenda, cerca de 320 mil mulheres indianas formaram quase 60 mil grupos, alugaram áreas ociosas, abriram contas coletivas e passaram a cultivar arroz, frutas e hortaliças

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 04/08/2026 às 16:24

Atualizado em 04/08/2026 às 16:25

Economia

Canal

Sem terra própria e sem condições de comprar uma fazenda, cerca de 320 mil mulheres indianas encontraram uma saída na organização coletiva.

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Em Kerala, a agricultura coletiva permitiu arrendar propriedades privadas e usar terrenos públicos ociosos, abrir contas bancárias em nome dos grupos, buscar crédito rural e dividir custos, trabalho, alimentos e receita.

Sem terra própria e sem condições de comprar uma fazenda, cerca de 320 mil mulheres indianas encontraram uma saída na organização coletiva. Elas formaram grupos, alugaram áreas improdutivas e passaram a cultivar arroz, frutas e hortaliças.

A informação foi publicada por Transformative Cities, plataforma que reúne experiências de transformação social pelo mundo. O levantamento, publicado em 2018, contabilizou quase 60 mil coletivos ligados à rede comunitária Kudumbashree, no estado de Kerala.

O modelo permitiu reunir dinheiro, trabalho e conhecimento em uma mesma operação agrícola. Cada coletivo podia manter uma conta bancária em nome do grupo, contratar crédito e dividir tanto os gastos quanto os resultados da produção.

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Mulheres cultivavam alimentos, mas não tinham terra registrada em seus nomes

Trabalhar no plantio e na colheita não significa ser dona da área cultivada. Muitas mulheres participam da agricultura indiana, mas não possuem um documento formal que comprove a propriedade da terra.

Mulheres cultivavam alimentos, mas não tinham terra registrada em seus nomes

A falta desse título cria uma barreira para quem precisa de financiamento. Sem uma propriedade para apresentar como garantia, uma agricultora com poucos recursos encontra dificuldades para conseguir crédito rural individual e iniciar o próprio cultivo.

Kerala também enfrentava uma contradição. Áreas cultiváveis permaneciam ociosas porque seus proprietários não consideravam a agricultura suficientemente rentável, enquanto mulheres dispostas a produzir não tinham onde plantar.

A atuação coletiva aproximou esses dois lados. As participantes conseguiram cultivar sem comprar a propriedade, embora o arrendamento não tenha transferido a posse definitiva da terra para elas.

Pequenos grupos assumiram juntos a responsabilidade pelo cultivo e pelo crédito

As participantes eram reunidas a partir dos grupos comunitários de vizinhança ligados à Kudumbashree. Elas escolhiam representantes, procuravam uma área disponível e definiam como o cultivo seria organizado.

Esses coletivos receberam o nome de grupos de responsabilidade conjunta. Na prática, isso significa que as participantes assumem juntas os compromissos financeiros, em vez de deixar toda a dívida e todos os riscos com apenas uma mulher.

Pequenos grupos assumiram juntos a responsabilidade pelo cultivo e pelo crédito

Depois da escolha da área, o contrato era preparado em nome do grupo. O proprietário e o coletivo participavam do arrendamento. Em alguns casos, representantes da Kudumbashree e da administração local também assinavam o documento.

Uma estrutura comunitária verificava o grupo, o terreno e o cultivo planejado. Esse acompanhamento ajudava as mulheres a chegar aos bancos e aos programas agrícolas que dificilmente seriam acessados de forma individual.

Arrendamento coletivo transformou terrenos ociosos em áreas de produção

Os grupos podiam alugar propriedades privadas sem uso, reunir pequenas áreas pertencentes às integrantes ou utilizar terrenos públicos ociosos. A produção começava sem exigir a compra de uma fazenda.

Transformative Cities, plataforma que reúne experiências de transformação social pelo mundo, registrou o cultivo de arroz, frutas e hortaliças em milhares de hectares que estavam improdutivos.

A colheita não era destinada somente à comercialização. Uma parte dos alimentos atendia às famílias das agricultoras, enquanto o excedente podia ser vendido nos mercados das comunidades.

Dessa maneira, o arrendamento de terras ajudava a recuperar áreas sem cultivo e ampliava o acesso das famílias aos alimentos. A venda da produção restante também criava uma possibilidade de receita para as participantes.

Conta bancária coletiva abriu acesso ao crédito rural

Cada grupo podia abrir uma conta bancária em nome do coletivo. Os empréstimos, os pagamentos e as movimentações da atividade agrícola ficavam vinculados à organização, não apenas à conta pessoal de uma integrante.

Arrendamento coletivo transformou terrenos ociosos em áreas de produção

A responsabilidade compartilhada facilitava a negociação com os bancos. As participantes podiam solicitar financiamento sem apresentar individualmente uma propriedade agrícola como garantia.

Dentro da estrutura de apoio, um empréstimo agrícola com taxa de 7% podia receber um subsídio de 5%. A parte restante dos juros correspondia a 2%, desde que o grupo cumprisse as condições exigidas.

O benefício não era liberado automaticamente para todos. O subsídio dependia da contratação do empréstimo agrícola, enquanto outros incentivos estavam ligados ao tipo de plantação e às regras dos programas públicos disponíveis.

Dividir despesas não garantia lucro igual para todos os grupos

As integrantes compartilhavam gastos com arrendamento, sementes, insumos e preparação da terra. O trabalho e a receita obtida depois da colheita também eram divididos entre as participantes.

Isso não significa que todos os grupos apresentavam a mesma rentabilidade. Os resultados variavam entre os coletivos, pois cada experiência envolvia cultivos, terrenos, despesas e condições de arrendamento diferentes.

Alguns contratos tinham duração curta ou pouca segurança formal. Essa situação podia dificultar investimentos em recuperação do solo, irrigação e outras melhorias que precisam de uso prolongado da área.

O financiamento facilitava o início da produção, mas precisava ser pago. A organização coletiva distribuía custos e responsabilidades, porém não eliminava os riscos da agricultura.

O modelo garantiu acesso à produção sem entregar a propriedade

As mulheres não receberam fazendas e não se tornaram donas das áreas cultivadas. A principal mudança foi conquistar acesso temporário à terra, ao banco e aos programas agrícolas por meio de uma organização coletiva.

A dimensão registrada em 2018, com cerca de 320 mil participantes e quase 60 mil grupos, mostrou como a união permitiu produzir sem exigir a compra inicial da propriedade. O modelo também recuperou terrenos ociosos e levou alimentos às famílias e aos mercados locais.

Se existem terras improdutivas e pessoas dispostas a cultivar, o que ainda impede modelos semelhantes de unir arrendamento, crédito e produção de alimentos em outros países? Deixe sua opinião nos comentários.

Fonte

Transformative Cities


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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