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Senhor que perdeu o restaurante aos 66 anos e vivia de um cheque da previdência de US$ 105 por mês saiu de carro pelos Estados Unidos vendendo uma receita de frango frito, que virou o KFC, hoje com quase 32 mil lojas

Senhor que perdeu o restaurante aos 66 anos e vivia de um cheque da previdência de US$ 105 por mês saiu de carro pelos Estados Unidos vendendo uma receita de frango frito, que virou o KFC, hoje com quase 32 mil lojas

8 min de leitura

Senhor que perdeu o restaurante aos 66 anos e vivia de um cheque da previdência de US$ 105 por mês saiu de carro pelos Estados Unidos vendendo uma receita de frango frito, que virou o KFC, hoje com quase 32 mil lojas

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 04/08/2026 às 11:12

Atualizado em 04/08/2026 às 11:17

Curiosidades

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Senhor perdeu o restaurante aos 66 anos, ficou com US$ 105 por mês da previdência e saiu vendendo uma receita de frango que virou o KFC, com 32 mil lojas.

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Harland Sanders largou a escola na sétima série, trabalhou como abastecedor de locomotiva, vendedor de seguros e operador de balsa. Só virou cozinheiro profissional aos 40 anos, franqueou a receita aos 62 e vendeu a empresa aos 75, por US$ 2 milhões.

O senhor que criou o Kentucky Fried Chicken chegou aos 66 anos com uma renda mensal de US$ 105 vinda da previdência social, depois de vender com prejuízo o restaurante que mantinha em Corbin, no estado do Kentucky, conforme perfil publicado pelo Business Insider, assinado por Richard Feloni.

Harland Sanders morreu em 1980, aos 90 anos. Entre a perda do restaurante e a venda da empresa que ele construiu depois, passaram-se cerca de nove anos, e a rede que nasceu dessa segunda tentativa soma hoje quase 32 mil lojas em mais de 140 países.

A infância que o colocou na cozinha aos 7 anos

O contato dele com o fogão começou por necessidade, e não por vocação declarada. Ele nasceu em 1890 e cresceu em uma fazenda em Indiana, nos Estados Unidos.

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O pai morreu quando ele tinha 6 anos, deixando o menino responsável por cuidar do irmão e da irmã mais novos enquanto a mãe cumpria jornadas longas de trabalho. Uma dessas responsabilidades era alimentar os irmãos.

Aos 7 anos, segundo o perfil, ele já cozinhava razoavelmente bem. A habilidade que sustentaria a vida inteira dele nasceu de uma ausência, e não de treinamento formal ou de escolha profissional.

A saída de casa aos 12 e o abandono da escola

Harland Sanders in 1914

A configuração familiar mudou quando ele tinha 12 anos e a mãe se casou novamente. O padrasto não gostava da presença dos meninos.

O irmão foi morar com uma tia, e ele passou a trabalhar em uma fazenda a cerca de 130 quilômetros de distância. Foi ali que tomou a decisão que definiria a formação dele.

Percebendo que preferia trabalhar o dia inteiro a frequentar a escola, abandonou os estudos na sétima série. Ele passou o resto da vida sem qualquer diploma, e a lista de ocupações que veio depois reflete essa condição.

Uma sequência de empregos sem relação entre si

A primeira metade da vida dele foi ocupada por trabalhos temporários, sem qualquer linha comum entre eles. Houve também um período servindo no Exército em Cuba.

Entre as ocupações registradas estão abastecer locomotivas a vapor de trens por todo o sul dos Estados Unidos, vender seguros, vender pneus, fabricar sistemas de iluminação e operar uma balsa.

Vale registrar como essa lista costuma ser interpretada. Ela é frequentemente apresentada como uma coleção de fracassos, mas o perfil não descreve os desfechos de cada emprego, e a sequência é compatível com a realidade de quem trabalhava sem qualificação formal na primeira metade do século 20.

O posto de gasolina que virou restaurante

Senhor perdeu o restaurante aos 66 anos, ficou com US$ 105 por mês da previdência e saiu vendendo uma receita de frango que virou o KFC, com 32 mil lojas.

A virada aconteceu em 1930, quando ele adquiriu um posto de gasolina em Corbin, no Kentucky, e começou a servir pratos clássicos da culinária sulista aos viajantes que paravam ali.

A comida ganhou reputação própria e passou a atrair mais gente do que o combustível. Diante disso, ele acabou removendo a bomba de gasolina e transformando o local em restaurante completo.

Ele tinha 40 anos nesse momento. Foi a primeira vez que a cozinha deixou de ser habilidade doméstica e passou a ser profissão, quatro décadas depois de ter começado a cozinhar para os irmãos.

As 11 ervas e a panela de pressão em 1939

A descoberta técnica que definiu o produto veio nove anos depois. Em 1939, ele percebeu que fritar o frango com o tempero próprio, composto pelas conhecidas 11 ervas e especiarias, dentro de um aparelho novo à época, a panela de pressão, produzia a consistência que buscava.

O perfil registra que o equipamento era diferente das panelas usadas atualmente, detalhe relevante porque o método de cozimento sob pressão altera tempo e textura em relação à fritura convencional.

Foi essa combinação que se tornou o produto vendido depois. Tempero e método de preparo, e não uma ave especial ou um fornecedor exclusivo, formavam o conjunto que ele levaria na estrada.

O título de coronel que virou identidade visual

O restaurante prosperou ao longo da década seguinte. Em 1950, o governador do estado o nomeou coronel, a mais alta honraria concedida pelo Kentucky.

O título é honorário, sem qualquer relação com carreira militar. Ele passou a se vestir de acordo com a distinção, adotando o terno branco e a gravata que se tornariam a imagem associada à marca.

Essa decisão estética teve consequência comercial duradoura. A figura de terno branco virou ícone de cultura pop e permanece como logotipo da rede décadas depois da morte dele, algo raro em identidade visual de empresa.

O primeiro acordo de franquia, em 1952

O modelo de negócio que originaria a rede começou de forma modesta. Em 1952, ele fechou acordo com um amigo e dono de restaurante, Pete Harman, para vender o prato de frango sob o nome Kentucky Fried Chicken.

A remuneração era um royalty de 4 centavos por pedaço vendido. Depois que o prato se tornou um dos mais vendidos da casa, ele repetiu o mesmo formato com vários outros restaurantes locais.

Repare no desenho desse arranjo. Ele não vendia comida nem abria lojas: vendia o direito de usar a receita e cobrava por unidade, modelo de baixo investimento que dispensava capital para construir estrutura própria.

A rodovia que arruinou o restaurante

A operação principal seguia bem até que um fator externo derrubou tudo. Uma nova rodovia interestadual foi construída contornando o restaurante dele, o que eliminou o fluxo de viajantes que sustentava o negócio.

Ele vendeu o estabelecimento com prejuízo em 1956, ficando apenas com o cheque mensal de US$ 105 da previdência social como única renda.

Foi nesse ponto que ele tomou a decisão que define a história. Em vez de aceitar a aposentadoria, decidiu se dedicar integralmente ao projeto de franquias que havia começado quatro anos antes, e que até então era atividade secundária.

O carro cheio de panelas de pressão

O método de venda adotado a partir dali era artesanal e exaustivo. Ele pegou a estrada com a esposa, levando no carro panelas de pressão, farinha e as misturas de tempero.

A rotina consistia em entrar em um restaurante, oferecer para cozinhar o frango ali mesmo e, se o dono aprovasse o resultado, negociar o preço do acordo.

O resultado apareceu em poucos anos. Em 1963, ele já recebia pedidos de franquia sem precisar se esforçar muito, e havia mais de 600 restaurantes nos Estados Unidos e no Canadá vendendo o produto.

A venda de 1965 e o que ele recusou

Senhor perdeu o restaurante aos 66 anos, ficou com US$ 105 por mês da previdência e saiu vendendo uma receita de frango que virou o KFC, com 32 mil lojas.

Em outubro de 1963, ele foi procurado por John Y. Brown Jr., descrito à época como um jovem advogado ambicioso, e pelo investidor Jack C. Massey, interessados em comprar os direitos da franquia.

A resistência inicial durou semanas. Ele acabou concordando em vender por US$ 2 milhões em janeiro de 1965, com o negócio concretizado em março, valor que equivalia a cerca de US$ 15,1 milhões em poder de compra de 2015.

Senhor perdeu o restaurante aos 66 anos, ficou com US$ 105 por mês da previdência e saiu vendendo uma receita de frango que virou o KFC, com 32 mil lojas.

Os termos incluíam salário vitalício de US$ 40 mil, depois elevado para US$ 75 mil, assento no conselho administrativo, participação majoritária nas franquias canadenses e atuação como embaixador da marca. Ele tinha 75 anos e avaliou que era melhor ver a empresa crescer além da própria capacidade. Amigos consideraram que ele havia sido lesado no negócio, mas o perfil registra que ele recusou ações da empresa e não negociou preço mais alto.

O que realmente o movia

O detalhe que explica essa recusa aparece nas reclamações que ele fazia depois da venda. Ele criticava constantemente o molho produzido pela rede, mais lucrativo, porém de qualidade que considerava inferior.

Um executivo da empresa resumiu a lógica dele ao perfil: um franqueado que fizesse molho perfeito com pouco lucro seria considerado ótimo por ele, enquanto outro que gerasse muito lucro com molho apenas excelente seria visto como fracasso.

A conclusão apresentada é de que o objetivo dele nunca foi enriquecer, e sim ficar conhecido pela comida. Para o coronel, o que importava não era o dinheiro, era a execução do produto, avaliação que o próprio comportamento na negociação de venda sustenta.

Os últimos anos e o alcance atual

Ele passou o restante da vida dando entrevistas em programas de televisão e aparecendo em comerciais da marca. Segundo uma universidade que o homenageia em um salão da fama do setor de hospitalidade, até a morte, em 1980, ele percorria 250 mil milhas por ano visitando lojas e promovendo a rede.

O comprador dos direitos, Brown, vendeu a participação dele na empresa em 1971, por US$ 284 milhões, e se tornou governador do Kentucky em 1979.

Hoje a rede tem cerca de 32 mil unidades no mundo, número informado em levantamentos sobre o setor. É um alcance que ele provavelmente não imaginava quando pegou a estrada com um carro cheio de utensílios de cozinha, aos 66 anos e com um cheque de US$ 105 por mês.

Uma história de recomeço, com ressalvas

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O que essa trajetória oferece não é exatamente uma história de fracasso convertido em sucesso tardio. Ele operou um restaurante bem-sucedido por mais de duas décadas antes da rodovia arruinar o negócio.

O que houve foi um recomeço forçado por fator externo, aos 66 anos, feito sobre uma base que já existia: uma receita testada desde 1939, um modelo de franquia iniciado em 1952 e um nome que já circulava em mais de uma cidade.

Vale a ressalva de sempre nesse tipo de relato. Ele não começou do zero na velhice; ele recomeçou com o que havia acumulado até ali, e essa distinção importa para quem lê a história como incentivo pessoal.

E você, teria fôlego para recomeçar do zero depois dos 60, batendo de porta em porta com uma ideia? Acha que histórias assim inspiram ou criam expectativa injusta sobre quem não consegue? Conta nos comentários a maior virada de vida que você já viu de perto.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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