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Soldado americano entrou em mina alemã para proteger tesouros medievais no fim da guerra, levou manuscritos com joias ao Texas e décadas depois seus herdeiros receberam US$ 2,75 milhões para devolver as peças

Soldado americano entrou em mina alemã para proteger tesouros medievais no fim da guerra, levou manuscritos com joias ao Texas e décadas depois seus herdeiros receberam US$ 2,75 milhões para devolver as peças

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Soldado americano entrou em mina alemã para proteger tesouros medievais no fim da guerra, levou manuscritos com joias ao Texas e décadas depois seus herdeiros receberam US$ 2,75 milhões para devolver as peças

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 11/08/2026 às 20:28

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Tesouros medievais de Quedlinburg desapareceram de uma mina alemã no fim da Segunda Guerra Mundial

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Tesouros medievais de Quedlinburg desapareceram de uma mina alemã no fim da Segunda Guerra Mundial, foram ligados ao soldado americano Joe T. Meador, cruzaram o Atlântico e só retornaram décadas depois, após uma disputa encerrada com o pagamento de US$ 2,75 milhões aos herdeiros.

No fim da Segunda Guerra Mundial, tropas aliadas encontraram uma coleção de arte e objetos medievais dentro de uma mina perto de Quedlinburg, na Alemanha. O material foi colocado sob a guarda de uma unidade do Exército dos Estados Unidos. Poucos dias depois, parte daquele tesouro medieval havia desaparecido.

Entre os objetos procurados estavam manuscritos religiosos com centenas de anos de história. Um deles tinha uma capa coberta por joias. O desaparecimento abriu um mistério que atravessaria décadas até surgir uma conexão com Joe T. Meador, integrante da unidade americana responsável pela guarda.

Centre du droit de l’art, centro da Universidade de Genebra dedicado ao direito da arte, registra que Meador foi responsável pelo furto ocorrido em 1945. A conduta atribuída a ele foi individual e não representa a atuação das forças aliadas ou dos militares americanos em conjunto.

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O tesouro escondido na mina desapareceu poucos dias depois de ser colocado sob guarda americana

Em abril de 1945, forças aliadas encontraram na mina um conjunto de arte medieval e objetos valiosos ligado à igreja de Quedlinburg. O acervo ficou sob a proteção do 87º Batalhão de Artilharia de Campo Blindado dos Estados Unidos.

Poucos dias depois, peças já estavam desaparecidas. Em junho de 1945, autoridades da igreja comunicaram a falta de objetos que ficariam conhecidos como Tesouros de Quedlinburg.

O tesouro escondido na mina desapareceu poucos dias depois de ser colocado sob guarda americana

Entre eles estava o Evangelho de Samuhel, manuscrito latino iluminado do século IX protegido por uma capa cravejada de joias. Outro objeto citado era o Evangeliar, obra impressa de 1513 que também possuía uma capa ornamentada.

O Exército dos Estados Unidos investigou o desaparecimento, mas o trabalho terminou em 1949, quando Quedlinburg passou a fazer parte da Alemanha Oriental. O paradeiro dos objetos continuou sem solução pública por décadas.

As peças cruzaram o Atlântico e permaneceram ligadas à família de Joe T. Meador

Joe T. Meador morreu em 1980. Seu testamento não mencionava os Tesouros de Quedlinburg. Seus bens foram distribuídos entre a irmã, Jane Meador Cook, e o irmão, Jack Meador.

Nos anos seguintes, os manuscritos começaram a chamar atenção fora da família. Entre 1983 e 1988, os herdeiros e o advogado John S. Torigian procuraram avaliadores para examinar antigos manuscritos decorados com joias e tentaram negociá los.

Essas movimentações despertaram dúvidas entre pessoas ligadas ao mercado de livros raros. A origem dos objetos começou a ser questionada, assim como uma possível ligação com obras que haviam desaparecido da Alemanha no fim da guerra.

Durante esse período, tornou se conhecido que o Evangeliar de 1513 havia sido vendido a um consórcio da Alemanha Ocidental por US$ 11,7 milhões na Sotheby’s de Londres, em 1983.

O mercado revelou o segredo e o rastro dos manuscritos levou novamente à Alemanha

Outra peça importante voltou a aparecer em abril de 1990. O Evangelho de Samuhel foi negociado por John S. Torigian, em nome de um vendedor americano não identificado, com uma fundação cultural privada alemã.

A operação envolveu uma chamada taxa de localização de US$ 3 milhões. O reaparecimento das obras ajudou a tirar o caso do silêncio em que havia permanecido desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Em junho de 1990, entrevistas com especialistas em arte, advogados e pessoas que conheciam Meador produziram evidências que apontaram para ele como autor do furto de 1945. Sua identidade acabou ligada publicamente ao desaparecimento.

O mercado revelou o segredo e o rastro dos manuscritos levou novamente à Alemanha

A igreja de Quedlinburg abriu então uma ação civil contra os herdeiros em Whitewright, no Texas, buscando recuperar os Tesouros de Quedlinburg que ainda não haviam retornado à Alemanha.

A igreja tinha argumento sobre a propriedade, mas enfrentava um problema criado pelo tempo

A disputa tinha um ponto aparentemente simples. Uma pessoa que furta um objeto não se torna sua proprietária legítima apenas porque conseguiu mantê lo durante muitos anos. Assim, a passagem dos bens aos herdeiros não criava automaticamente um direito de propriedade sobre eles.

O problema estava no prazo de prescrição, expressão jurídica usada para indicar o limite de tempo para apresentar determinadas ações à Justiça. No Texas, o prazo relacionado à disputa civil era de apenas dois anos.

Centre du droit de l’art, centro da Universidade de Genebra dedicado ao direito da arte, detalha que essa regra favorecia a posição dos Meador no processo. Mesmo com a questão da propriedade pesando contra os herdeiros, o tempo transcorrido tornava o resultado judicial menos seguro.

Essa combinação explica por que os dois lados seguiram para uma negociação. A disputa não dependia apenas de descobrir quem deveria ser dono das peças. Também envolvia saber se a Justiça ainda permitiria cobrar judicialmente sua devolução décadas depois do desaparecimento.

Por que a vítima pagou US$ 2,75 milhões para receber de volta objetos considerados roubados

Em 7 de janeiro de 1991, as partes anunciaram que haviam chegado a um acordo para devolver os tesouros a Quedlinburg. A solução evitou que a disputa sobre os objetos restantes dependesse de um julgamento final.

O acordo previa o pagamento de US$ 2,75 milhões da Alemanha aos herdeiros de Meador em troca da restituição das peças. Esse detalhe é importante porque o valor não significava que os herdeiros haviam sido reconhecidos como proprietários legítimos.

A solução é classificada como restituição condicionada. Em linguagem simples, os objetos voltariam para Quedlinburg após o cumprimento da condição financeira definida no acordo. Não se tratava simplesmente de reconhecer uma venda comum ou uma recompra feita de proprietários legítimos.

O caso criou uma situação difícil de compreender à primeira vista: bens considerados furtados precisaram ser recuperados por meio de um acordo milionário. A razão estava no risco jurídico provocado pelo longo tempo transcorrido e pelo prazo civil existente no Texas.

Os tesouros voltaram a Quedlinburg quase meio século depois do desaparecimento

O acordo ainda levou as peças a uma exposição no Museu de Arte de Dallas antes do retorno à Alemanha. No ano seguinte, os objetos também foram apresentados em Berlim.

Em setembro de 1993, os tesouros finalmente retornaram a Quedlinburg. A trajetória iniciada dentro de uma mina em 1945 havia passado pelos Estados Unidos, pelo mercado internacional de arte, por uma disputa judicial e por uma negociação de milhões de dólares.

O caso dos Tesouros de Quedlinburg terminou com a restituição das peças, mas deixou uma questão incomum: a propriedade dos objetos e a possibilidade prática de recuperá los na Justiça não produziram a mesma resposta, o que abriu espaço para o acordo de US$ 2,75 milhões.

Se um objeto roubado continua pertencendo à vítima, você considera justo que ela precise aceitar um pagamento milionário aos herdeiros de quem o levou para conseguir recuperá-lo décadas depois?

Fonte

Centre du droit de l’art


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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