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Somando mensalidade, livros, jaleco, estetoscópio, congressos e custo de vida, formar um médico numa faculdade particular de elite no Brasil chega perto de R$ 1,2 milhão, e existe engenharia cobrando R$ 8.300 por mês
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 01/08/2026 às 19:21
Curiosidades
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A mensalidade é só a parte visível da conta, e é justamente o que fica de fora dela que separa o valor anunciado do valor que a família realmente desembolsa até a formatura.
Uma mensalidade de R$ 8.300 parece ser a conta toda, e não é. Numa graduação em medicina de instituição privada de elite, somando livros, estetoscópio, jalecos, congressos e custo de vida ao longo de seis anos, o valor para se formar alcança a casa de R$ 1,2 milhão, segundo levantamento publicado pelo Gran Cursos.
O número assusta justamente porque ninguém enxerga a soma no momento da matrícula. A família decide olhando o valor do mês, e a conta real só aparece somando meia dúzia de rubricas que não estão no boleto.
Vale, então, colocar os valores na mesa, curso por curso, e separar o que a mensalidade cobre do que ela não cobre.
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Antes disso, uma observação que muda a leitura de tudo o que vem a seguir. Nenhum desses valores é obrigatório para obter o diploma, porque a rede pública oferece os mesmos cursos sem cobrança, e há casos de aprovação em gente que entrou na mesma universidade onde trabalhava na limpeza.
Onde estão as mensalidades mais altas
No topo da faixa aparece o Insper, em São Paulo. A instituição cobra R$ 8.300 mensais em Administração de Empresas, conforme compilação publicada pelo The University Journal.
O mesmo valor vale para as engenharias. Segundo o mesmo levantamento, o Insper pratica R$ 8.300 por mês nos cursos de Engenharia de Computação, Mecânica, Mecatrônica e de Produção em 2026.
Logo abaixo vêm outras duas instituições paulistas. A Escola de Negócios Saint Paul cobra R$ 7.900 mensais e a Fundação Getulio Vargas de São Paulo fica em R$ 7.850, ainda conforme a mesma compilação.
Medicina segue outra lógica de preço
O curso mais caro do país não é o de maior mensalidade unitária, é o mais longo. Medicina tem seis anos de duração, contra cinco da engenharia e quatro da administração.
As mensalidades variam entre R$ 5 mil e R$ 12 mil no Brasil, conforme o levantamento do Gran Cursos. A amplitude é grande porque o mercado vai de instituição regional recém-autorizada a escola tradicional de grande centro.
Multiplicando pelo tempo de curso, mesmo a ponta baixa dessa faixa produz um total elevado. É essa multiplicação, e não o valor do mês, que explica o número de sete dígitos.
O que a mensalidade não cobre
A lista de despesas paralelas é o ponto cego do planejamento familiar, e em medicina ela é maior que na média.
Entram material didático e livros técnicos, que custam caro e são atualizados por edição; instrumental de uso pessoal, como estetoscópio e esfigmomanômetro; jaleco e equipamento de proteção; e inscrição em congressos e cursos complementares, que pesam na formação de currículo.
Some-se a isso o custo de vida quando o curso é em outra cidade, item que costuma superar a própria mensalidade em capitais. É a soma de tudo isso que leva o total de uma formação de elite à casa citada pelo levantamento.
O mesmo diploma existe sem mensalidade
Nada disso é obrigatório para se tornar médico, engenheiro ou administrador no Brasil. A rede pública oferece os mesmos cursos sem cobrança, e o diploma tem exatamente o mesmo valor legal.
O funil é o vestibular, e ele é aberto a qualquer idade e trajetória. Há casos de mãe e filho aprovados juntos na mesma turma de Engenharia Elétrica de uma estadual, ela pelas vagas para pessoas com deficiência e ele na ampla concorrência.
Existem ainda rotas que dispensam a prova tradicional. Institutos federais vêm abrindo centenas de vagas gratuitas em cursos superiores com seleção feita apenas por redação, sem exigir nota do Enem.
O que a mensalidade alta costuma comprar
Faculdade cara não vende conteúdo, porque a ementa dos cursos regulados é parecida em qualquer lugar. O que a mensalidade compra é outra coisa.
Compra proporção de aluno por professor, laboratório equipado, professor em dedicação exclusiva e, principalmente, a rede de contato formada dentro da turma e o acesso a programa de estágio em empresa parceira.
O contraponto também é real. Instituição pública de ponta entrega pesquisa, hospital universitário e corpo docente com titulação que boa parte da rede privada não alcança, e em medicina o volume de atendimento do hospital-escola é um ativo difícil de comprar.
Como reduzir a conta sem sair da rede privada
Para quem opta pela particular, existem mecanismos que mudam o total de forma significativa, e eles precisam ser avaliados antes da matrícula, não depois.
O Programa Universidade para Todos oferece bolsa integral ou parcial em instituição privada conforme renda familiar e nota do Enem. O Fundo de Financiamento Estudantil parcela o custo com juros e carência, transferindo o pagamento para depois da formatura.
Há ainda bolsa por desempenho oferecida pela própria instituição e plataformas de desconto que negociam vaga ociosa. Nenhuma delas elimina o custo, e todas mudam a ordem de grandeza.
O custo de oportunidade que ninguém soma
Existe uma despesa invisível em qualquer graduação longa, e ela não aparece em tabela de mensalidade: o tempo que a pessoa passa sem renda de trabalho em tempo integral.
Em medicina isso é mais pesado, porque a carga horária e o internato praticamente inviabilizam emprego paralelo nos últimos anos. Em cursos noturnos de administração e engenharia, o estudante costuma trabalhar durante a graduação.
É por isso que comparar apenas mensalidades distorce a decisão. Duas faculdades com o mesmo boleto podem ter custos totais bem diferentes conforme o turno, a duração e a exigência de dedicação exclusiva.
O número que importa é o total, não o mês
A conclusão prática é simples de aplicar. Antes de assinar contrato, vale montar a soma completa: mensalidade multiplicada pela duração do curso, mais material, mais deslocamento ou moradia, mais atividades complementares.
Esse número final é o que deve ser comparado com a alternativa gratuita e com a renda esperada na profissão. Sem ele, a decisão fica ancorada num valor mensal que não descreve o compromisso assumido.
E vale lembrar que existe um preço alternativo para a mesma vaga, pago em horas de estudo em vez de mensalidade. É o caso da estudante que chegou a medicina numa federal estudando com livros doados e apagados a borracha, segundo a reportagem original.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

