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Submersível que explorou o Titanic desce 390 metros no mar, atravessa a escuridão do Atlântico e encontra o último navio de Shackleton coberto por corais, peixes e redes abandonadas, antes de iniciar uma réplica digital do naufrágio perdido desde 1962
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 01/08/2026 às 08:33
Curiosidades
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Encontrado por sonar em 2024 no mar do Labrador, o Quest foi visto de perto pela primeira vez em julho de 2026, quando câmeras revelaram o convés, as vigias e o mastro caído. O casco de madeira agora abriga peixes e corais, mas grandes redes de pesca abandonadas dificultaram o trabalho da expedição. Os registros serão usados para reconstruir digitalmente o navio ligado à última viagem de Ernest Shackleton
Uma expedição internacional conseguiu registrar as primeiras imagens aproximadas do naufrágio do Quest, último navio de exploração usado por Ernest Shackleton. O casco foi examinado a 390 metros de profundidade no mar do Labrador, no Atlântico Norte, pelo submersível tripulado Alvin e pelo veículo operado remotamente Falcon. Segundo o Woods Hole Oceanographic Institution, as imagens foram obtidas em julho de 2026 durante uma missão liderada pela Royal Canadian Geographical Society.
A descoberta do naufrágio, no entanto, não ocorreu agora. O Quest havia sido localizado em 9 de junho de 2024 por meio de um sonar de varredura lateral, que mostrou o navio apoiado sobre a quilha e com um dos mastros caído ao lado do casco.
De acordo com a Royal Canadian Geographical Society, os destroços estavam a apenas 2,5 quilômetros da última posição informada pela tripulação antes do afundamento, ocorrido em 1962.
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A nova etapa permitiu colocar pessoas diante do navio pela primeira vez desde o acidente. O Alvin, operado pelo instituto norte-americano Woods Hole, foi também o primeiro submersível tripulado a visitar o Titanic, durante uma série de mergulhos realizada em julho de 1986. Quarenta anos depois daquela missão, o equipamento voltou a participar da documentação de um naufrágio ligado a uma das histórias mais conhecidas da exploração polar.
O casco surgiu na escuridão com o convés ainda reconhecível
As luzes dos veículos submarinos revelaram a proa, partes do convés, algumas vigias e o mastro principal derrubado. Corais rosados cobrem diferentes áreas da estrutura, enquanto bacalhaus, peixes-vermelhos e peixes-lobo circulam entre a madeira deteriorada.
Como informou a Canadian Geographic, o Quest se transformou em um ecossistema marinho após permanecer mais de seis décadas no fundo do oceano.
As câmeras também encontraram grandes redes abandonadas presas ao casco. Algumas cobrem partes importantes do navio e impedem que os pesquisadores observem completamente os danos, incluindo pontos que poderiam ajudar a compreender melhor como a embarcação atingiu o fundo. Registros feitos durante os mergulhos mostram que os apetrechos de pesca atravessam o convés e se acumulam ao redor da estrutura.
O problema vai além da dificuldade arqueológica. Redes, cabos e armadilhas perdidas podem continuar capturando animais, danificar corais e alterar habitats durante anos. Segundo o Programa de Detritos Marinhos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, equipamentos de pesca abandonados também podem ficar presos em recifes, naufrágios e outras estruturas do leito marinho.
Milhares de imagens vão reconstruir o navio sem retirá-lo do fundo
Assista o vídeo
Durante três dias, os pesquisadores mapearam o casco e a área ocupada pelos destroços. O sistema utiliza duas câmeras sincronizadas, iluminação submarina e técnicas de fotogrametria para registrar a posição, o formato e a dimensão de cada parte visível. Conforme explicou a Ocean Science & Technology, os dados serão combinados para produzir um gêmeo digital em alta resolução, incluindo o navio e seu campo de detritos.
A réplica tridimensional permitirá medir peças, acompanhar a deterioração da madeira e estudar o local sem tocar na estrutura. Também será possível apresentar o naufrágio virtualmente a pesquisadores, estudantes e visitantes que jamais poderiam descer até aquela profundidade. A missão concentra-se na documentação, e não na retirada do Quest, que já se encontra fragilizado e integrado ao ambiente marinho.
A tecnologia canadense Voyis empregada no trabalho registra imagens estereoscópicas capazes de gerar profundidade e escala. Segundo informações divulgadas sobre a expedição, o levantamento também inclui câmeras de vídeo em resolução 5.2K, instaladas nos equipamentos enviados ao fundo do mar.
O Quest começou como navio de caça a focas e terminou esmagado pelo gelo
O navio foi construído em Risør, na Noruega, em 1917, com casco de madeira e o nome Foca 1. A embarcação tinha sido projetada para a caça a focas antes de ser comprada e adaptada para expedições. De acordo com o Fram Museum, o nome Quest foi escolhido por Emily Shackleton, esposa do explorador.
Shackleton utilizou o navio na expedição de 1921 e 1922, planejada inicialmente para o Ártico canadense e posteriormente direcionada à região antártica. Ele morreu de um ataque cardíaco em 5 de janeiro de 1922, aos 47 anos, quando o Quest estava ancorado próximo a Grytviken, na ilha Geórgia do Sul. Como registrou a Smithsonian Magazine, a embarcação continuou operando em pesquisas, resgates e viagens de caça após a morte do explorador.
O Quest participou de missões no leste da Groenlândia e chegou a ser empregado em buscas no Ártico. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu como caça-minas, antes de retornar às atividades comerciais em águas frias. Segundo o jornal The Guardian, o navio também foi enviado para ajudar nas buscas pelo explorador norueguês Roald Amundsen, desaparecido em 1928 durante uma missão de resgate.
Em 5 de maio de 1962, o casco foi danificado e comprimido pelo gelo durante uma viagem no mar do Labrador. O Quest afundou, mas todos os tripulantes noruegueses conseguiram sobreviver. A embarcação permaneceu desaparecida durante 62 anos, até ser identificada pelas medições do sonar em 2024.
A fama de Shackleton nasceu de outro navio perdido no gelo
Embora o Quest esteja ligado à morte do explorador, a história que tornou Shackleton conhecido ocorreu a bordo do Endurance. A embarcação partiu em 1914 para uma tentativa de atravessar a Antártida por terra, mas ficou presa no gelo do mar de Weddell em janeiro de 1915. O casco foi esmagado pela pressão e afundou em 21 de novembro daquele ano, antes que a travessia continental pudesse começar.
Os 28 integrantes da expedição passaram meses acampados sobre placas de gelo e depois viajaram em botes até a desabitada ilha Elefante. Sem possibilidade de resgate por aquela rota, Shackleton e outros cinco homens partiram no bote James Caird para uma travessia de aproximadamente 1.300 quilômetros até a Geórgia do Sul. Segundo o Royal Museums Greenwich, os seis enfrentaram cerca de 800 milhas de oceano aberto em uma embarcação de apenas 6,7 metros.
Depois de alcançar a ilha, Shackleton atravessou montanhas e geleiras para chegar às estações baleeiras e organizar o resgate. Os homens deixados na ilha Elefante foram retirados em 30 de agosto de 1916, sem nenhuma morte entre os integrantes do grupo principal do Endurance.
Como informa o Programa Antártico Australiano, Frank Wild ficou responsável pelos 22 homens que aguardaram durante meses sob botes virados e abrigos improvisados.
Novo levantamento transforma o naufrágio em registro histórico permanente
A localização do Quest completou uma parte da história material de Shackleton, dois anos depois da identificação do Endurance a 3.008 metros de profundidade no mar de Weddell. O navio da expedição de 1914 foi encontrado em março de 2022, relativamente preservado pelas condições frias e profundas da região antártica.
No caso do Quest, a equipe precisa lidar com madeira deteriorada, redes abandonadas e intensa atividade biológica. O objetivo é manter um registro detalhado antes que novas correntes, equipamentos de pesca ou o processo natural de decomposição eliminem partes do navio.
As imagens também permitem separar o que restou da embarcação original das alterações provocadas pelo impacto no fundo do mar e pelos 64 anos de exposição.
O que você achou das imagens do Quest e da decisão de preservar o navio por meio de uma réplica digital, sem retirá-lo do oceano? Deixe seu comentário e conte se o naufrágio deveria continuar no fundo do mar ou se partes da embarcação deveriam ser recuperadas para exposição em museus.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

