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Suíça ergueu nos Alpes uma muralha de 285 metros com quase 6 milhões de metros cúbicos de concreto, abriu mais de 100 quilômetros de túneis para captar água de 35 geleiras e criou um reservatório capaz de armazenar 400 bilhões de litros

Suíça ergueu nos Alpes uma muralha de 285 metros com quase 6 milhões de metros cúbicos de concreto, abriu mais de 100 quilômetros de túneis para captar água de 35 geleiras e criou um reservatório capaz de armazenar 400 bilhões de litros

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Suíça ergueu nos Alpes uma muralha de 285 metros com quase 6 milhões de metros cúbicos de concreto, abriu mais de 100 quilômetros de túneis para captar água de 35 geleiras e criou um reservatório capaz de armazenar 400 bilhões de litros

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 10/08/2026 às 18:27

Atualizado em 10/08/2026 às 18:31

Construção, Indústria

Suíça ergueu nos Alpes uma muralha de 285 metros com quase 6 milhões de metros cúbicos de concreto

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A barragem Grande Dixence esconde sob os Alpes suíços uma gigantesca rede de túneis, tomadas de água e estações de bombeamento que reúne águas de dezenas de geleiras.

Com 285 metros de altura, 700 metros de extensão e 15 milhões de toneladas, a muralha supera Itaipu em altura e sustenta um dos maiores reservatórios artificiais da Suíça. A obra consumiu quase 6 milhões de metros cúbicos de concreto e possui quilômetros de passagens internas destinadas ao monitoramento de sua estrutura. Agora, o recuo do gelo alpino levanta novas questões sobre o futuro de um complexo hidrelétrico profundamente ligado à água das montanhas.

No centro desse sistema está a barragem Grande Dixence, uma muralha de concreto com 285 metros de altura, aproximadamente 700 metros de comprimento e peso estimado em 15 milhões de toneladas.

A estrutura retém um reservatório com capacidade para 400 milhões de metros cúbicos de água, o equivalente a 400 bilhões de litros. Para erguer essa barreira monumental, foram utilizados exatamente 5,96 milhões de metros cúbicos de concreto.

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Os números são apresentados pela Grande Dixence, empresa responsável pelo complexo hidrelétrico. Mas a enorme parede visível no vale representa apenas uma parte da engenharia construída no interior das montanhas.

Uma rede industrial escondida debaixo das geleiras

A Grande Dixence não depende somente da água que chega naturalmente ao vale onde está localizada. Para ampliar sua área de captação, engenheiros construíram uma rede com mais de 100 quilômetros de galerias subterrâneas.

A barragem Grande Dixence esconde sob os Alpes suíços uma gigantesca rede de túneis.

Esses túneis percorrem o interior das montanhas e reúnem águas provenientes de uma área de captação com aproximadamente 420 quilômetros quadrados, grande parte coberta por gelo.

A rede está conectada a 35 geleiras, 75 tomadas de água e cinco estações de bombeamento. Um de seus túneis principais possui cerca de 24 quilômetros e atravessa as montanhas a aproximadamente 2.400 metros de altitude.

Em conjunto, essa infraestrutura conduz ao sistema uma média anual de aproximadamente 500 milhões de metros cúbicos de água. Isso não significa que todo esse volume permaneça armazenado ao mesmo tempo, pois a água também é direcionada à geração de eletricidade e sua disponibilidade varia ao longo do ano.

Dez anos para levantar uma parede de 15 milhões de toneladas

A construção da atual barragem começou em 1951 e terminou em 1961, quando a estrutura entrou em operação. Durante uma década, trabalhadores, máquinas e sistemas de transporte foram mobilizados em uma região montanhosa de acesso difícil.

O resultado foi uma barragem do tipo gravidade, projetada para usar o próprio peso do concreto como principal resistência contra a pressão exercida pela água.

Na base, onde essa pressão é mais intensa, a parede chega a aproximadamente 200 metros de espessura. No topo, a largura diminui para cerca de 15 metros.

A muralha foi formada por grandes blocos de concreto separados por juntas especialmente construídas para garantir resistência, coesão e impermeabilidade. A fundação também recebeu uma cortina de injeção que alcança 200 metros de profundidade e avança pelas laterais do vale, reduzindo a passagem de água pelo terreno.

Grande Dixence é 89 metros mais alta que Itaipu

A altura da barragem suíça se torna ainda mais impressionante quando comparada à de Itaipu. Enquanto a Grande Dixence alcança 285 metros, a barragem brasileira e paraguaia possui altura máxima aproximada de 196 metros.

Isso coloca a muralha suíça cerca de 89 metros acima de Itaipu em altura.

Dez anos para levantar uma parede de 15 milhões de toneladas

A comparação, entretanto, deve ser limitada a essa dimensão. Itaipu foi construída sobre o Rio Paraná, possui extensão, vazão, potência instalada e configuração muito diferentes. A Grande Dixence ocupa um vale estreito e profundo nos Alpes e utiliza a enorme diferença de altitude do terreno montanhoso para movimentar suas usinas.

Portanto, ser mais alta não significa produzir mais eletricidade ou representar uma obra maior em todos os aspectos. Cada barragem foi projetada para condições geográficas e objetivos energéticos diferentes.

A água percorre as montanhas antes de produzir eletricidade

A água captada pelos túneis não simplesmente cai diretamente no reservatório. Dependendo de sua origem e altitude, ela precisa ser bombeada, transferida entre pontos do complexo e conduzida por galerias até chegar ao sistema de armazenamento.

Depois de represada no Lago de Dix, a água funciona como uma reserva de energia disponível para ser utilizada quando necessário.

Quando liberada, ela desce por condutos em direção às usinas localizadas em altitudes menores. A força produzida pela descida movimenta turbinas conectadas a geradores, transformando a energia da água em eletricidade.

Esse tipo de instalação permite controlar o momento da geração. Em vez de produzir continuamente na mesma intensidade, o complexo pode liberar água de acordo com as necessidades do sistema elétrico, ajudando a responder a períodos de maior consumo e às oscilações de outras fontes de energia.

Existem 32 quilômetros de passagens dentro da barragem

Embora pareça uma parede inteiramente maciça, a Grande Dixence possui uma extensa estrutura interna. São aproximadamente 32 quilômetros de túneis, galerias, poços e câmaras de inspeção distribuídos pela barragem.

Essas passagens permitem que equipes técnicas entrem na estrutura e acompanhem seu comportamento. Movimentos do concreto, infiltrações, pressão da água e condições das rochas próximas são verificados continuamente.

As margens do reservatório e as encostas ao redor também são monitoradas. O objetivo é identificar rapidamente qualquer alteração que possa afetar a segurança da barragem ou o funcionamento do complexo.

Essa vigilância é indispensável porque a parede precisa suportar a pressão de centenas de bilhões de litros de água enquanto permanece exposta às baixas temperaturas e às condições geológicas dos Alpes.

O recuo das geleiras cria um desafio para o futuro

A ligação com 35 geleiras torna o complexo sensível às transformações do ambiente alpino. Alterações na extensão do gelo, na quantidade de neve e no período de derretimento podem modificar tanto o volume quanto a época em que a água chega às tomadas subterrâneas.

Um derretimento mais intenso pode elevar temporariamente o fluxo de água. No longo prazo, entretanto, a redução da massa glacial pode alterar a regularidade desse abastecimento.

O desafio será acompanhar como essas fontes se comportam e adaptar a operação às novas condições hidrológicas. A engenharia que tornou possível captar água em uma região tão extensa também poderá ser decisiva para administrar futuras mudanças.

Mais de seis décadas depois de entrar em operação, a Grande Dixence continua impressionando pela parte visível e pela infraestrutura escondida dentro dos Alpes. Sua muralha de 285 metros é apenas a face externa de um sistema que atravessa montanhas, reúne águas de dezenas de geleiras e transforma a altitude em eletricidade.

Se o recuo das geleiras mudar a disponibilidade de água nos Alpes, você acredita que uma obra desse tamanho conseguirá se adaptar sem perder sua importância energética? Deixe sua opinião nos comentários.

Fonte

Grande Dixence


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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