6 min de leitura
Taylor Sheridan dormiu em uma caminhonete por não conseguir pagar aluguel, ouviu de um advogado que não valia nada como ator, abandonou a carreira aos 40 anos, começou a escrever roteiros e acabou criando Yellowstone antes de assinar um acordo estimado em US$ 1 bilhão com a NBCUniversal
Escrito por Carla Teles
Publicado em 17/08/2026 às 16:45
Atualizado em 17/08/2026 às 16:46
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Antes de se tornar o criador de Yellowstone, Taylor Sheridan passou anos em papéis secundários, enfrentou dificuldades para pagar as contas e deixou Sons of Anarchy após disputa salarial. A mudança para os roteiros abriu caminho para Sicario, Hell or High Water e, mais tarde, acordo bilionário com a NBCUniversal.
Taylor Sheridan passou de uma carreira marcada por papéis secundários e dificuldades financeiras em Hollywood para se tornar roteirista, diretor, produtor e responsável por Yellowstone. Antes da virada, chegou a viver em um Jeep usado durante uma fase sem trabalho e, por volta dos 40 anos, decidiu abandonar a busca por espaço como ator depois de concluir que havia atingido seu limite na profissão.
Segundo reportagem da People publicada em 1º de julho de 2026 e de acordo com vídeo publicado pelo canal Antiotariopro no YouTube em 16 de agosto de 2026, Taylor Sheridan deixou Sons of Anarchy após uma negociação salarial e passou a concentrar sua carreira na escrita. A trajetória seguinte incluiu Sicario, Hell or High Water e Yellowstone, antes de sua saída futura da Paramount para um acordo com a NBCUniversal estimado em até US$ 1 bilhão.
Taylor Sheridan passou anos tentando avançar como ator
Antes de ser conhecido pelos roteiros, Taylor Sheridan trabalhou durante anos diante das câmeras. Ele acumulou participações em produções como Walker, Texas Ranger, NYPD Blue, CSI e Veronica Mars, até conseguir um papel mais estável como David Hale em Sons of Anarchy, série lançada em 2008.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A estabilidade, porém, não significava segurança financeira. Sheridan contou que recebia o valor de escala sindical e precisava sair das filmagens para trabalhar em outra atividade porque o dinheiro da série não bastava para cobrir aluguel e despesas de vida em Los Angeles.
Uma fase sem trabalho o levou a viver em um Jeep usado
As dificuldades financeiras haviam aparecido ainda antes dessa etapa. Em entrevista publicada pelo The Guardian, Sheridan recordou que, quando estava sem trabalho em Los Angeles, viveu em um Jeep de segunda mão, período em que ainda tentava construir uma trajetória como ator.
Esse episódio não aconteceu necessariamente no mesmo momento da saída de Sons of Anarchy. A cronologia é importante: as dificuldades acompanharam diferentes fases de sua carreira, enquanto a decisão de abandonar a atuação profissional veio anos depois, após uma negociação que mudou sua visão sobre o próprio futuro em Hollywood.
Negociação salarial virou o ponto de ruptura
Depois da segunda temporada de Sons of Anarchy, Taylor Sheridan tentou renegociar seu pagamento. Segundo seu próprio relato, outros atores regulares de apoio recebiam cerca de US$ 20 mil por episódio, enquanto a proposta apresentada a ele foi de US$ 15 mil por capítulo, com garantia de dez episódios.
Durante as conversas, um representante da área de negócios argumentou que Sheridan poderia ser facilmente substituído e que existiam dezenas de atores capazes de ocupar aquela posição. Em vez de aceitar a proposta, ele decidiu sair da produção, e seu personagem acabou eliminado da história no início da terceira temporada.
Aos 40 anos, ele decidiu contar as próprias histórias
O episódio levou Sheridan a uma conclusão: insistir na atuação significaria continuar dependendo de decisões tomadas por outras pessoas. Ele decidiu que tentaria ocupar o lado de quem cria e controla as histórias, fazendo a transição para roteiro e direção.
Sheridan ainda apareceu posteriormente como ator, inclusive em produções próprias, mas deixou de tratar essa atividade como o centro da carreira. A mudança abriu espaço para uma sequência de trabalhos que alteraria completamente sua posição na indústria audiovisual norte-americana.
Sicario abriu espaço para uma nova carreira
Um dos primeiros grandes resultados da transição foi Sicario, lançado em 2015. O roteiro colocou Taylor Sheridan em evidência como escritor e foi seguido por Hell or High Water, produção de 2016 que lhe rendeu indicação ao Oscar de melhor roteiro original.
Em 2017, ele também escreveu e dirigiu Wind River. Em poucos anos, o profissional que havia deixado a televisão por considerar limitada sua perspectiva como ator passou a trabalhar em projetos nos quais tinha influência direta sobre personagens, diálogos e construção narrativa.
Yellowstone enfrentou resistência antes de chegar à televisão
O passo seguinte foi a televisão. Sheridan desenvolveu Yellowstone, drama centrado na família Dutton e nos conflitos envolvendo um grande rancho de Montana. Antes de encontrar sua casa definitiva, o projeto foi apresentado à HBO e acabou não avançando na emissora.
Sheridan continuou oferecendo a ideia a outras empresas até que o projeto chegou à Paramount Network. A série estreou em 2018 e transformou-se em um fenômeno de audiência, posteriormente originando produções derivadas e ampliando significativamente o espaço do roteirista dentro da televisão norte-americana.
Sucesso de Yellowstone abriu caminho para um universo de séries
A expansão não terminou com a história principal. O sucesso de Yellowstone deu origem a títulos como 1883 e 1923, enquanto Sheridan também passou a comandar projetos fora desse universo, entre eles Mayor of Kingstown, Tulsa King, Lioness e Landman.
Taylor Sheridan deixou de ser um ator substituível para se tornar um dos produtores mais requisitados da televisão, acumulando uma quantidade incomum de projetos simultâneos e transformando sua relação com a Paramount em um dos pilares da estratégia televisiva da companhia durante vários anos.
Acordo de US$ 1 bilhão não foi assinado com a Paramount
Assista o vídeo
Há uma correção importante em relação ao relato que circula nas redes sociais: o acordo estimado em até US$ 1 bilhão não é um novo contrato com a Paramount. Em outubro de 2025, Sheridan acertou sua transferência futura para a NBCUniversal, encerrando uma longa associação criativa com a empresa responsável por Yellowstone.
Segundo reportagens especializadas, o pacto pode alcançar a faixa de US$ 1 bilhão, dependendo da estrutura e da produção prevista. O acordo de televisão tem início programado para 2029, depois do encerramento do compromisso atual de Sheridan com a Paramount, enquanto a parte cinematográfica começa antes.
De considerado substituível a um dos nomes mais disputados da TV
A trajetória de Taylor Sheridan chama atenção menos por uma transformação instantânea e mais pela mudança de posição dentro da mesma indústria. O ator que precisava complementar renda para pagar as despesas decidiu abandonar uma carreira na qual considerava ter pouca autonomia e passou a construir seu espaço escrevendo as próprias histórias.
Décadas depois das dificuldades financeiras e anos após a criação de Yellowstone, Sheridan chegou a um acordo avaliado na faixa de US$ 1 bilhão com a NBCUniversal, uma dimensão muito diferente daquela negociação salarial que antecedeu sua saída de Sons of Anarchy. Para você, a maior virada aconteceu quando ele deixou de atuar ou quando decidiu não alterar suas histórias para agradar aos estúdios? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

