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Técnica de enfermagem é descoberta com recém-nascida escondida dentro de bolsa preta em maternidade do Piauí após dizer que levaria a bebê para exames, desaparecer com a criança e despertar a desconfiança da tia, que decidiu segui-la pelo hospital

Técnica de enfermagem é descoberta com recém-nascida escondida dentro de bolsa preta em maternidade do Piauí após dizer que levaria a bebê para exames, desaparecer com a criança e despertar a desconfiança da tia, que decidiu segui-la pelo hospital

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Técnica de enfermagem é descoberta com recém-nascida escondida dentro de bolsa preta em maternidade do Piauí após dizer que levaria a bebê para exames, desaparecer com a criança e despertar a desconfiança da tia, que decidiu segui-la pelo hospital

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 21/08/2026 às 21:03

Atualizado 21/08/2026 às 21:04

Curiosidades

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Uma técnica de enfermagem que estava de folga entrou uniformizada em uma maternidade do Piauí, disse que levaria uma recém-nascida para exames e despertou a desconfiança da tia, que decidiu segui-la e encontrou a bebê escondida dentro de uma grande bolsa preta antes que ela deixasse o hospital.

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Uma técnica de enfermagem que estava de folga entrou uniformizada em uma maternidade do Piauí, disse que levaria uma recém-nascida para exames e despertou a desconfiança da tia, que decidiu segui-la e encontrou a bebê escondida dentro de uma grande bolsa preta antes que ela deixasse o hospital.

O que parecia ser apenas mais um procedimento de rotina dentro de uma maternidade terminou em prisão, investigação policial e na descoberta de uma história que, segundo a Polícia Civil do Piauí, vinha sendo construída havia meses. No dia 6 de julho de 2026, uma técnica de enfermagem entrou na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, mesmo sem estar escalada para trabalhar naquele dia.

Conhecida dentro da instituição e com acesso ao ambiente hospitalar, ela teria usado justamente essa aparência de normalidade para se aproximar da família de uma recém-nascida. Vestida como profissional da maternidade, informou que precisaria levar a bebê para a realização de exames. A família entregou a criança acreditando estar diante de um procedimento comum.

O problema começou minutos depois, quando uma das tias percebeu algo que não fazia sentido: a profissional que havia saído com a recém-nascida apareceu novamente sem a criança nos braços, mas carregando uma grande bolsa preta.

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A desconfiança daquela familiar acabaria mudando completamente o rumo do caso.

Tia vê bolsa preta, começa a seguir técnica e encontra bebê escondida

Câmeras de segurança da Maternidade Dona Evangelina Rosa registraram, em 6 de julho de 2026, o momento em que a técnica de enfermagem circulava pela unidade com a recém-nascida nos braços antes de a bebê ser encontrada escondida dentro de uma bolsa preta. Foto: Reprodução / Câmeras de segurança

Imagens das câmeras de segurança ajudaram posteriormente a Polícia Civil a reconstruir diferentes momentos daquela tarde. Por volta das 13h40, a técnica aparece circulando pelos corredores da maternidade com a bebê. Pouco depois, passa a ser vista sem a recém-nascida aparente e carregando a bolsa.

A tia decidiu acompanhá-la.

Segundo o relato prestado pela familiar, a técnica entrou em um banheiro. Quando voltou a aparecer, estaria com roupas diferentes, cabelo solto e óculos, o que aumentou ainda mais a suspeita de que algo estava errado.

A familiar então a confrontou e verificou a bolsa.

Dentro dela estava a recém-nascida.

A criança foi recuperada ainda dentro da maternidade, antes que a funcionária conseguisse deixar o prédio. A Polícia Civil foi acionada e o episódio passou a ser investigado como uma tentativa de retirar a bebê de sua família.

A cena da bolsa, no entanto, representava apenas a parte visível de uma história que se tornaria muito mais grave à medida que os investigadores começaram a avançar sobre os meses anteriores.

Técnica estava de folga, mas entrou na maternidade e usou uniforme da instituição

Um dos detalhes que mais chamou atenção dos investigadores foi o fato de que a profissional não deveria estar trabalhando naquele domingo.

A técnica era funcionária da própria maternidade, mas estava de folga em 6 de julho. Mesmo assim, entrou na unidade e utilizou o uniforme da instituição, o que lhe permitia circular pelo ambiente e transmitir confiança a pacientes e familiares.

Segundo a apuração policial, ela teria usado justamente essa condição profissional para convencer os responsáveis de que estava levando a recém-nascida para exames.

O procedimento mencionado teria sido relacionado a testes feitos normalmente nos primeiros dias de vida, como o teste do pezinho. Para quem estava acompanhando a criança dentro de uma maternidade e via diante de si uma funcionária uniformizada, não havia inicialmente motivo evidente para desconfiar.

A situação mudou somente quando a tia percebeu que a técnica havia retornado sem a bebê.

Investigação diz que falsa gravidez teria começado meses antes

Agentes da Polícia Civil conduzem a técnica de enfermagem investigada após a tentativa de retirar uma recém-nascida da Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina. Foto: Divulgação / Polícia Civil

Depois da prisão, a Polícia Civil aprofundou as investigações e passou a tratar o episódio não como uma decisão impulsiva tomada dentro do hospital, mas como parte de um plano que poderia estar sendo preparado havia meses.

Segundo o inquérito, a técnica vinha dizendo a pessoas próximas que estava grávida.

A suposta gestação teria começado a ser apresentada a familiares, colegas de trabalho e ao namorado entre outubro e novembro de 2025, aproximadamente oito meses antes do episódio ocorrido dentro da maternidade.

Com o passar do tempo, a história teria se tornado cada vez mais detalhada.

A investigação apontou que a mulher falava sobre a chegada do bebê e teria até procurado informações sobre licença-maternidade, dando aos que conviviam com ela a impressão de que realmente se preparava para dar à luz.

Quando os policiais foram até sua residência, encontraram outro elemento que reforçou a suspeita de premeditação.

Polícia encontra quarto preparado para receber uma menina

Na casa da técnica de enfermagem, investigadores encontraram um ambiente preparado para a chegada de uma criança.

Havia berço, banheira, roupas, fraldas e outros itens destinados a um bebê.

Para a Polícia Civil, um detalhe aumentou ainda mais a relevância dessa descoberta: os objetos e o quarto estavam preparados para receber uma menina, justamente o sexo da recém-nascida encontrada dentro da bolsa na maternidade.

O delegado responsável pelo caso afirmou que a apuração passou a trabalhar com a hipótese de que existiam duas etapas distintas.

A primeira seria manter durante meses a narrativa de uma falsa gravidez.

A segunda seria conseguir uma recém-nascida quando se aproximasse o período em que familiares e pessoas próximas esperavam pelo suposto nascimento.

Ainda segundo a investigação, não há indicação de que aquela bebê específica tivesse sido escolhida meses antes. A hipótese é que a profissional tenha utilizado seu conhecimento da rotina da maternidade para encontrar uma oportunidade naquele dia.

Mais de 20 pessoas foram ouvidas e polícia diz não ter encontrado cúmplices

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A investigação ouviu mais de 20 pessoas, analisou imagens de câmeras, informações documentais e outros elementos reunidos durante as diligências.

Apesar das suspeitas iniciais sobre a possível participação de outros funcionários da maternidade, a Polícia Civil informou que não encontrou provas de envolvimento de terceiros.

A conclusão policial foi de que a técnica teria agido sozinha.

O inquérito também passou a analisar seu comportamento nos meses anteriores, as conversas sobre a suposta gravidez e a preparação feita dentro da própria residência.

Ao final dessa etapa, ela foi indiciada por tentativa de subtração de criança ou adolescente, enquadramento previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

A interpretação dos investigadores é de que a intenção seria retirar a recém-nascida de seu núcleo familiar para apresentá-la posteriormente como sua própria filha.

Tia chegou a suspeitar que bebê pudesse ter recebido alguma substância

Outro momento delicado do caso surgiu a partir do relato da própria família.

A tia afirmou ter estranhado o fato de a recém-nascida estar muito quieta dentro da bolsa, principalmente porque anteriormente a bebê apresentava cólicas. A situação fez com que a familiar levantasse publicamente a possibilidade de que alguma substância pudesse ter sido administrada.

Essa suspeita, porém, não foi confirmada pela investigação nem por laudo médico divulgado publicamente.

Por isso, não é possível afirmar que a recém-nascida tenha sido sedada ou recebido qualquer medicamento antes de ser colocada na bolsa.

A criança foi recuperada ainda dentro da maternidade.

Maternidade fala em protocolos de segurança, mas tia contesta versão

A Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa informou, após o episódio, que houve uma tentativa de retirada irregular de um recém-nascido e afirmou que seus protocolos internos de segurança contribuíram para identificar a situação.

A instituição também declarou que acionou as autoridades, disponibilizou imagens do circuito de monitoramento e passou a colaborar com as investigações.

A versão foi contestada pela tia.

A familiar sustentou publicamente que foi sua própria desconfiança que impediu a saída da criança e afirmou que decidiu seguir a técnica após perceber a ausência da bebê e a presença da bolsa.

Em entrevista concedida posteriormente, a tia também acusou funcionários da unidade de tentarem apagar registros feitos em seu celular durante a confusão. Essa acusação partiu da familiar e não representa uma conclusão da investigação policial.

A Secretaria de Saúde do Piauí informou que a maternidade registrou boletim de ocorrência, entregou imagens às autoridades e afastou a profissional de suas atividades.

Defesa apresenta diagnóstico psiquiátrico e prisão acaba convertida em domiciliar

Depois do episódio, a defesa da técnica apresentou documentos relacionados a um diagnóstico psiquiátrico e sustentou que seu estado de saúde mental precisava ser considerado pela Justiça.

Os advogados informaram que ela havia recebido diagnóstico de transtorno psicótico agudo polimorfo com sintomas esquizofrênicos e alegaram que já existia acompanhamento e uso de medicamentos.

A Polícia Civil, por outro lado, destacou elementos que, em sua avaliação, apontavam planejamento prévio, especialmente a falsa gravidez mantida por meses, o quarto preparado e a forma como a profissional entrou na maternidade mesmo estando de folga.

A motivação exata ainda não foi esclarecida.

A técnica exerceu o direito de permanecer em silêncio durante o interrogatório, impedindo que os investigadores obtivessem diretamente dela uma explicação sobre por que teria criado a falsa gravidez ou decidido tentar retirar uma recém-nascida da maternidade.

Após permanecer presa preventivamente, a profissional conseguiu uma decisão judicial que substituiu a prisão por prisão domiciliar humanitária, com necessidade de tratamento psiquiátrico e monitoramento eletrônico.

Paralelamente, o Conselho Regional de Enfermagem do Piauí determinou a suspensão cautelar de seu exercício profissional e abriu procedimento ético-disciplinar.

Bolsa preta acabou expondo uma história que teria começado quase oito meses antes

Se a tia não tivesse estranhado aquela bolsa preta, o desfecho poderia ter sido completamente diferente.

O que começou com uma profissional aparentemente realizando um procedimento rotineiro acabou revelando, segundo a investigação, uma mulher que estava de folga, entrou uniformizada em seu próprio local de trabalho, teria simulado uma gravidez durante meses e mantinha em casa um quarto pronto para receber uma menina.

A recém-nascida foi encontrada antes de deixar a maternidade.

E foi justamente a diferença entre aquilo que a técnica disse que faria, levar a bebê para exames, e aquilo que a tia viu poucos minutos depois, uma mulher circulando sem a criança e carregando uma grande bolsa preta, que impediu que o episódio ultrapassasse os portões do hospital.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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