Durante entrevista concedida ao ac24Agro na quinta noite da Expoacre 2026, realizada nesta quarta-feira (5), o pesquisador da Embrapa Acre, Carlos Maurício, apresentou os benefícios da técnica de plantio direto para a recuperação de pastagens degradadas. Segundo ele, a tecnologia reduz custos, preserva o solo e pode ser utilizada tanto por grandes pecuaristas quanto por agricultores familiares.
Carlos Maurício explicou que o plantio direto já é uma prática consolidada na agricultura brasileira desde a década de 1990 e revolucionou o cultivo de grãos como milho e soja. “O plantio direto é uma tecnologia consolidada na agricultura brasileira desde a década de 90. Hoje, mais de 70% da produção de milho e soja é feita com esse sistema. Isso aconteceu porque o preparo convencional do solo, com arado e grades, vinha causando perda de matéria orgânica, desestruturação e degradação do solo”, afirmou.
Tecnologia foi adaptada à realidade do Acre
O pesquisador destacou que a Embrapa desenvolveu um protocolo específico para as condições do Acre, onde predominam solos com baixa aptidão para mecanização devido ao excesso de chuvas, relevo acidentado e drenagem limitada.“Desenvolvemos um protocolo adaptado às condições do Acre. Eliminamos completamente a mecanização do solo. A vegetação da pastagem degradada é dessecada com herbicida, formando uma cobertura vegetal, e a nova pastagem é semeada sobre essa palhada. Foram mais de dez anos de pesquisas até chegarmos a uma tecnologia eficiente.”
Segundo ele, o método reduz entre 15% e 20% o custo da reforma das pastagens, além de evitar processos erosivos e conservar a estrutura do solo.“Além de reduzir os custos, o plantio direto preserva o solo da erosão, mantém sua estrutura e permite uma recuperação mais rápida da pastagem”, explica.
Método é acessível aos pequenos produtores
Carlos Maurício ressaltou que o sistema pode ser adotado por produtores de diferentes portes, sem exigir grandes investimentos em maquinário.“Essa é uma tecnologia completamente democrática. O grande pecuarista pode utilizar drones e aviões para realizar a dessecação e a semeadura. Já o pequeno produtor consegue fazer o processo com um pulverizador costal, equipamentos de proteção individual e um semeador a lanço que custa cerca de R$ 150.”
O pesquisador lembrou que apenas uma pequena parcela dos pecuaristas de menor porte possui trator próprio.“Os produtores com até 100 cabeças de gado, em sua maioria, não possuem trator. Muitos dependem de máquinas da prefeitura ou de cooperativas. Com o plantio direto, eles conseguem realizar praticamente todo o processo por conta própria, pagando apenas a aplicação por drone, quando necessário.”
Segundo ele, a expectativa da Embrapa é ampliar a difusão da tecnologia entre os pequenos produtores rurais.“Essa técnica já vem crescendo entre médios e grandes pecuaristas. Agora precisamos levar essa informação aos pequenos produtores para que eles também possam adotar esse sistema.”
Como acessar a tecnologia
Durante a entrevista, Carlos Maurício explicou que agricultores e pecuaristas interessados podem procurar diretamente a Embrapa Acre para receber orientações técnicas.“Estamos preparando uma cartilha com as principais dúvidas sobre o plantio direto, reunindo perguntas e respostas que surgiram ao longo de mais de 15 anos de pesquisas. O produtor pode procurar a Embrapa Acre, acessar nosso site ou visitar nossa unidade. Nossa equipe está disponível para orientar todo o passo a passo da implantação dessa tecnologia”, concluiu.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

