Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Tem garrafa de R$ 59,90 para concorrer até com a cerveja e edição de R$ 50 mil com ouro no rótulo e a assinatura do jogador, é assim que a marca de vinhos de Neymar quer faturar R$ 100 milhões neste ano

Tem garrafa de R$ 59,90 para concorrer até com a cerveja e edição de R$ 50 mil com ouro no rótulo e a assinatura do jogador, é assim que a marca de vinhos de Neymar quer faturar R$ 100 milhões neste ano

7 min de leitura

Tem garrafa de R$ 59,90 para concorrer até com a cerveja e edição de R$ 50 mil com ouro no rótulo e a assinatura do jogador, é assim que a marca de vinhos de Neymar quer faturar R$ 100 milhões neste ano

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 11/08/2026 às 21:21

Atualizado em 11/08/2026 às 21:22

Curiosidades

Canal

Marca de vinhos de Neymar tem garrafa de R$ 59,90 e edição de R$ 50 mil com ouro no rótulo, e quer faturar R$ 100 milhões até o fim de 2026.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

São quatro linhas de produto e uma distância de mais de 800 vezes entre o rótulo mais barato e o mais caro. Uma vai para a gôndola do atacadão, outra vai para leilão de colecionador. O jogador não é sócio da operação, mas a marca está registrada no nome dele.

A Le Prince, marca de vinhos criada pela família de Neymar Jr. em parceria com o enólogo Dirceu Vianna Júnior, estabeleceu a meta de vender mais de 4 milhões de garrafas e faturar R$ 100 milhões até o fim de 2026, em menos de um ano de operação, conforme entrevista concedida à revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios. O portfólio vai de R$ 59,90 a R$ 50 mil por garrafa.

A estratégia por trás dessa amplitude de preço é declarada e tem lógica própria. O cálculo parte do alcance do jogador entre públicos de poder aquisitivo muito diferentes, segundo Lucca Sapucaia, cofundador da marca e da JLX, holding responsável pela criação e expansão do negócio.

Quatro linhas copiadas do mercado de uísque

Neymar Jr., jogador faz parte do projeto da Le Prince — Foto: Divulgação

A segmentação do portfólio não é invenção do setor de vinhos. As quatro linhas se chamam Red, Black, Green e Blue, divisão inspirada diretamente no mercado de uísques, onde a lógica de faixas por cor é conhecida do consumidor.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A distribuição de cada uma segue canais distintos. As duas primeiras têm como destino as prateleiras de supermercado. A terceira é direcionada a adegas especializadas, restaurantes e hotéis de alto padrão. A quarta não vai para prateleira nenhuma: foi pensada para leilão.

É uma arquitetura que trata o mesmo nome como quatro produtos diferentes, sem que o consumidor de um encoste no consumidor do outro.

A garrafa de R$ 59,90 e o concorrente que não é vinho

Família Neymar decidiu entrar no setor e lançou a Le Prince, marca criada em parceria com a holding JLX.
imagem: GPS.Brasília

A linha de entrada, chamada Red, tem preço sugerido de R$ 59,90 e reúne dois rótulos chilenos da vinícola Terraustral: um Sauvignon Blanc com uvas do Vale de Leyda e um tinto que mistura Cabernet Sauvignon, Malbec e Merlot.

O raciocínio comercial dessa faixa é o mais interessante de toda a operação, porque o adversário não está na mesma seção do mercado. Segundo o enólogo responsável pelo portfólio, nessa linha a disputa é também com outros produtos, como a cerveja. São pessoas que podem não ter o costume de tomar vinho, mas que se interessam por ser um produto associado ao jogador.

O objetivo declarado, nesse caso, é oferecer bom custo-benefício e agradar ao paladar para que o cliente repita a compra. Vender vinho para quem não bebe vinho é o que essa faixa de preço tenta fazer, e é ela que sustenta o volume necessário para chegar aos 4 milhões de garrafas.

Como o nome do jogador virou desconto na negociação

Existe um detalhe pouco usual na formação de preço dessa linha, e ele foi contado abertamente. A figura de Neymar foi usada como argumento nas negociações com os produtores, antes mesmo do lançamento da marca.

A proposta apresentada às vinícolas foi de troca direta: se a marca dobrasse o mercado que aquele produtor tem hoje no Brasil, ele aceitaria reduzir a própria margem de lucro para que essa diferença fosse repassada ao consumidor? Segundo o cofundador da marca, funcionou.

O resultado prático é que a promessa de escala virou desconto na origem. O consumidor paga menos porque o produtor aceitou ganhar menos por garrafa em troca de vender muito mais garrafas, arranjo que só se sustenta se o volume prometido se confirmar.

Por que não há vinho brasileiro no portfólio

A ausência de rótulos nacionais entre as opções não é acaso, e a explicação apresentada é econômica. Segundo o cofundador, o Brasil tem vinícolas boas hoje, mas elas ainda não conseguem competir em preço nas faixas de entrada.

A decisão foi assumida como escolha de prioridade. A empresa optou por não privilegiar o nome da vinícola e sim o consumidor final, o que na prática significa buscar fora do país o custo que permite chegar aos R$ 59,90 na gôndola.

O critério que orientou a seleção de uvas e produtores em todas as linhas foi o mesmo: garantir adesão ao paladar do consumidor brasileiro, com preço adequado a cada perfil de público.

O que tem nas linhas Black e Green

A linha Black ocupa a faixa entre R$ 149 e R$ 199,90 e reúne rótulos espanhóis. Estão nela um tinto da Bodegas Faustino, de Rioja, e um Albariño da Paco & Lola, da região de Rías Baixas.

A linha Green sobe outro degrau, com preços entre R$ 250 e R$ 350, e muda de país de origem. Traz um tinto francês de Châteauneuf-du-Pape e um espanhol da Abadía Retuerta, e não é vendida em supermercado.

O canal dessa faixa exige outro tipo de trabalho comercial. A negociação é feita diretamente com adegas, restaurantes e hotéis, e o marketing passa pelos sommeliers e pela presença nas cartas de vinho desses estabelecimentos. É um público que não seria alcançado pela mesma gôndola do atacadista, e a marca trata isso como frente separada.

A garrafa de R$ 50 mil com ouro no rótulo

No topo do portfólio está a linha Blue, produzida em parceria com a vinícola SGC, de Bordeaux, na França. São 500 garrafas numeradas, em edição que celebra gols da carreira do jogador.

Cada unidade traz certificado de autenticidade, ouro no rótulo e assinatura de Neymar, e o valor pode chegar a R$ 50 mil. O destino não é varejo: a linha foi pensada para venda em leilões, mirando o mercado de colecionadores.

A distância entre os extremos do portfólio é o dado que resume a estratégia. Do rótulo de R$ 59,90 ao de R$ 50 mil há uma diferença de mais de 800 vezes no preço, e ambos carregam exatamente o mesmo nome na garrafa.

Onde a marca já está e para onde quer ir

A distribuição é apontada como o segundo pilar da operação, e o foco declarado é o varejo físico de grande volume. Há acordos firmados com redes como Carrefour, Sam’s Club, Assaí e Atacadão.

A entrada no país começou pelo Sul e pelo estado de São Paulo, e o objetivo é alcançar presença nacional até 2027. A pré-venda para o mercado empresarial teve início no fim de abril de 2026, e os produtos passaram a chegar ao consumidor a partir de 25 de junho.

Até o momento da entrevista, o número informado era de cerca de 415 mil garrafas vendidas. A meta de longo prazo é liderar as vendas de vinho na faixa entre R$ 60 e R$ 80, e a venda direta ao consumidor final não está no radar da empresa por enquanto.

A conta que a meta exige

Vale colocar os números lado a lado, porque eles dão a dimensão do desafio. A meta é de mais de 4 milhões de garrafas e R$ 100 milhões até o fim de 2026, e o que estava contabilizado eram cerca de 415 mil unidades.

Isso significa que aproximadamente 10% do volume pretendido havia sido alcançado quando a entrevista foi concedida, restando o restante para os meses seguintes. É um salto que depende inteiramente da capilaridade nas grandes redes de atacado e da repetição de compra na linha de entrada.

A matemática da meta se apoia quase toda na garrafa mais barata, já que 4 milhões de unidades a R$ 59,90 formam a maior parte de um faturamento de R$ 100 milhões. As linhas caras cumprem função de posicionamento, não de volume.

O jogador não é sócio, mas a marca é dele

Há um ponto societário que costuma gerar confusão e que a própria empresa esclarece. Neymar Jr. não atua como sócio da holding responsável pela operação da Le Prince.

O vínculo é de outra natureza. A marca opera com licenciamento para uso do nome e da imagem do jogador, e está registrada em nome dele no Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Ou seja, a titularidade da marca é dele, mas a gestão do negócio é de terceiros.

O nome escolhido reforça essa ligação. Le Prince é referência direta ao apelido de Príncipe da Vila, identidade que surgiu no retorno do jogador ao Santos Futebol Clube.

O que a operação testa na prática

O caso serve como experimento sobre até onde vai a transferência de reconhecimento de um atleta para uma categoria de produto que não tem nada a ver com o esporte. A aposta é que o mesmo nome funcione tanto para quem compra por impulso no atacadista quanto para quem dá lance em leilão de colecionador.

Os elementos favoráveis estão declarados: preço de entrada competitivo, acordo com as maiores redes de atacado do país e um portfólio que cobre quase todas as faixas do mercado. O que ainda não está demonstrado é a repetição de compra, que é o que separa uma curiosidade de lançamento de uma marca consolidada.

O prazo para essa resposta é curto. Faltam poucos meses para o fim de 2026, e a distância entre 415 mil e 4 milhões de garrafas é o que vai dizer se a estratégia funcionou.

E você, compraria um vinho de R$ 59,90 por causa do nome do jogador no rótulo, ou acha que celebridade não vende bebida para quem entende do assunto? Conta nos comentários o que pesa mais na sua escolha de vinho.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

Sair da versão mobile