O candidato ao governo do Acre pelo PSB, Thor Dantas, reconheceu nesta quarta-feira (26), durante sabatina do ac24horas, que enfrenta um dos principais desafios da campanha por não contar com estruturas políticas tradicionais, como as máquinas do governo do Estado e da Prefeitura de Rio Branco.
Questionado sobre como pretende ampliar seu conhecimento no interior do Acre diante da estrutura de seus principais adversários, Thor afirmou que pretende apostar no contato direto com eleitores insatisfeitos com a atual condução do Estado.
“Ese é o grande desafio. A gente enfrenta se comunicando com as pessoas que estão tão insatisfeitas quanto eu”, afirmou.
Thor disse acreditar que existe uma parcela da população disposta a romper com o modelo político que, segundo ele, vem sendo adotado no Acre. Para o candidato, o Estado corre risco de enfrentar dificuldades financeiras caso não haja uma mudança na condução da administração pública.
“O Acre não aguenta mais ser governado da forma que vem sendo governado. O Acre vai à falência, verdadeiramente, se a gente não fizer algo para mudar os rumos do nosso Estado pelos próximos oito ou dez anos”, declarou.
Durante a resposta, Thor voltou a criticar a gestão do ex-governador Gladson Cameli. Apesar de reconhecer que Cameli tem um estilo pessoal que agrada parte da população, o candidato afirmou que esse perfil teria contribuído para reduzir as críticas à administração estadual.
“Eu acho que o governo Gladson teve muito menos crítica do que deveria ter tido de toda a sociedade, talvez em grande medida em função do seu estilo bonachão, populista, que lhe é típico, agrada durante um bom tempo”, disse.
Na avaliação de Thor, o fim do ciclo de governo teria deixado uma percepção de que o modelo adotado não foi suficiente para administrar o Estado. Ele também associou a gestão a denúncias e suspeitas de corrupção. “As pessoas terminam o governo com a clara sensação de que esse modelo não serve para governar um Estado”, afirmou.
Apesar das críticas, Thor fez questão de separar a avaliação sobre a gestão da relação pessoal que mantém com Gladson. Ele disse considerar o ex-governador uma pessoa cordial e afirmou que é bem tratado por ele.
“É uma pessoa bacana, trata todo mundo bem, me trata muito bem. Adoro encontrar o Gladson todas as vezes”, declarou.
Ao mesmo tempo, Thor afirmou que já disse pessoalmente ao ex-governador que ele não deveria ter ocupado o cargo. “Eu já disse para ele, inclusive, que ele não devia ter sido governador, porque ele não leva jeito para isso. Talvez ele pudesse ter ajudado de outras formas no nosso Estado”, afirmou.
Thor também abordou a dificuldade de disputar uma eleição sem contar com uma grande estrutura partidária. Segundo ele, o cenário eleitoral acreano criou uma dependência entre campanhas e recursos financeiros.
Para o candidato, essa realidade está relacionada à prática de compra de votos, que classificou como prejudicial ao processo democrático. “Viver dependendo da compra de voto é algo terrível para a democracia. Isso mina a força da nossa democracia”, afirmou.
Thor reconheceu, porém, que essa é uma realidade que precisa ser enfrentada durante a própria campanha. “Hoje o voto no Acre depende do dinheiro, mas existe sim a necessidade de enfrentar isso. Isso é um ciclo que se criou e nós temos que desconstruir esse ciclo”, disse.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

