O candidato ao governo do Acre pelo PSDB, Tião Bocalom, endureceu nesta quinta-feira, 27, as críticas ao adversário e senador Alan Rick (Republicanos) ao discutir propostas de concessão e participação da iniciativa privada nos serviços de saneamento e gestão de resíduos sólidos.
Durante entrevista, Bocalom afirmou que Alan Rick seria, entre os candidatos, o que mais promoveria privatizações caso fosse eleito e declarou que não pretende permitir que serviços essenciais sejam transferidos à iniciativa privada sem avaliar o impacto para a população.
Bocalom afirmou que a defesa de concessões, apresentada por Alan Rick e também pelo senador Marcio Bittar, seria apenas uma mudança de nomenclatura para evitar o uso da palavra “privatização”. “É retórica apenas, porque no fundo, no fundo, é entregar todo o sistema de água, esgoto, saneamento como um todo, inclusive do lixo”, pontuou.
Na sequência, Bocalom fez uma crítica direta ao adversário e afirmou que Alan Rick teria uma postura favorável à privatização de diversos serviços públicos. “O Alan é o sujeito que mais vai privatizar se ele ganhar o governo, mas não vai ganhar, então não vai privatizar. O negócio dele é privatizar tudo. Porque todo mundo sabe o que acontece com privatização. Todo mundo sabe. Não vamos tapar o sol com a peneira”, afirmou.
O candidato também relatou um episódio envolvendo uma proposta de estruturação de um projeto para a gestão do lixo. Segundo Bocalom, Alan Rick teria tentado convencê-lo, quando ele ainda estava à frente de um consórcio, a assinar um contrato com uma empresa indicada pelo governo federal para elaborar estudos que poderiam resultar posteriormente na concessão do serviço.
“O próprio Alan queria que eu assinasse um contrato de estruturação de um projeto de lixo. Inclusive, ele levou o senhor ao ministro. Me levou ao ministro. Então, trouxe o ministro aqui para me botar na parede para fazer eu assinar. Eu não assinei”, ponderou.
Bocalom afirmou que a proposta previa um custo de R$ 15 milhões apenas para a elaboração dos estudos. “O Alan queria que eu, como presidente da AMAC, presidente do consórcio, assinasse um contrato com uma empresa que o Ministério trazia. Todo mundo sabe como é que funciona isso, né? Pra mim, você não contava de R$ 15 milhões. Quinze. Pra só fazer o estudo pra poder privatizar o lixo”, pontuou.
Segundo Bocalom, a proposta representaria uma despesa que poderia acabar recaindo sobre os municípios caso o projeto de concessão não desse resultado. “O lixo hoje tá todo mundo descobrindo que lixo vira dinheiro. Ele queria que eu assinasse R$ 15 milhões, jogar nas costas dos municípios se depois desse errado lá na frente a questão da privatização do lixo, entendeu? Aí os municípios terem que pagar. Falei: negativo”, afirmou.
O tucano afirmou ainda que a proposta teria sido apresentada anteriormente com valor menor e que ele enfrentou pressão política por ter se recusado a assinar o contrato. “O ano passado você veio com história de R$ 7 milhões, agora já vem com R$ 15 milhões. Mas deixa eu contar o que tá acontecendo agora. Aí eu não aceitei isso, deu aquela confusão. Todo mundo sabe que ele meteu o cacete em mim, disse que eu estava tudo errado, que eu devia ter assinado. Não assinei”, relembrou.
Bocalom disse que, posteriormente, o próprio Estado passou a conduzir estudos envolvendo água, esgoto e resíduos sólidos, segundo ele, por um custo total inferior ao valor que seria cobrado apenas para a estruturação do projeto anterior.
“Sabe por quê? Porque agora o Estado está fazendo isso tudo. O Estado está fazendo para água, esgoto e lixo. Não vai passar de R$ 12 milhões para os três assuntos. Para as três situações: esgoto, água e lixo. Não vai dar R$ 12 milhões e o Estado vai assumir para ele, vai fazer o estudo”, ponderou.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de haver contradição entre sua posição e a do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, que já admitiu discutir uma PPP para o saneamento e é tratado por Bocalom como continuidade de sua gestão, o candidato afirmou que pretende conversar com o prefeito.
“O Alysson, de repente, pegou uma cordazinha desse pessoal que está dizendo: ‘não, porque a prefeitura vai pegar um bilhão’. Infelizmente, o Alan saiu falando para todos os prefeitos, botou todos os prefeitos contra mim, para me assinar aquilo lá. Por quê? Porque dizia que as prefeituras iriam pegar milhões”, relembrou.
O candidato questionou, porém, quem acabaria pagando a conta de uma eventual concessão dos serviços. “Gente, presta atenção. Se as prefeituras pegarem bilhão, somando tudo, der um bilhão, esse um bilhão vai sair das costas de quem? Do consumidor”, ponderou.
Bocalom também afirmou que a iniciativa privada não assumiria serviços públicos sem buscar retorno financeiro e disse que, em um Estado com altos índices de pobreza, o custo adicional poderia pesar sobre a população. “Você acha que iniciativa privada entra no negócio pra fazer filantropia? Não. Não entra iniciativa privada só entra pra ganhar dinheiro. Ué, e aí, sai das costas de quem? Do coitadinho do consumidor, rapaz. E é isso que eu não admito”, ressaltou.
O candidato utilizou a situação socioeconômica do Acre para reforçar sua oposição ao modelo. “Nós somos um Estado pobre, aonde a maioria tem Bolsa Família, aonde nós temos mais Bolsa Família do que carteira assinada. Como é que eu vou privatizar e jogar mais uma conta dessa nas costas das pessoas que já não aguentam, não conseguem comprar arroz e feijão para botar dentro de casa? Eu vou jogar uma conta dessa nas costas das pessoas? Não vou”, pontuou.
Por fim, Bocalom citou nominalmente Alan Rick e Márcio Bittar e afirmou que não pretende apoiar esse modelo de concessão sem antes discutir os impactos para a população. “Não vou, senhor Alan Rick, eu não entro nessa. Bittar, não entro nessa. E vou conversar com o meu prefeito Alysson, tem que ser tido”, finalizou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

