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Tijolos de demolição que poderiam virar entulho agora passam por uma máquina sem água, são testados por trabalhadores e empilhados por robô para novas obras
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 05/08/2026 às 11:54
Ciência e Tecnologia
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Tijolos de demolição passam por limpeza sem água, testes humanos, separação por cor e empilhamento robotizado no reaproveitamento para novas obras
Uma máquina recebe tijolos de demolição que poderiam virar entulho, remove a argamassa antiga sem água e entrega as peças para trabalhadores e robôs. A Gamle Mursten, empresa dinamarquesa de reaproveitamento de tijolos, apresenta o processo REBRICK como uma alternativa industrial para manter unidades inteiras em circulação.
A operação combina demolição cuidadosa, vibração mecânica, inspeção humana, classificação por cor e embalagem automatizada. A estimativa do programa indica que cada tijolo reaproveitado evita aproximadamente 500 gramas de CO₂, embora o resultado dependa da preservação das peças.
Por que tijolos de demolição ainda viram entulho
Por que demolir paredes antigas e triturar tijolos que ainda poderiam durar décadas? A resposta está, muitas vezes, na forma como o material é retirado, transportado e separado no local da obra.
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Quando os tijolos são misturados a outros resíduos ou recebem o peso de veículos e máquinas, muitas peças quebram antes de chegar à triagem. A recuperação também fica mais difícil quando a demolição não separa continuamente os materiais.
Na retirada manual, o reaproveitamento depende do cuidado da equipe para remover, separar e armazenar cada unidade. No Brasil, iniciativas informais podem recuperar tijolos no próprio canteiro, mas sem a mesma sequência de testes, classificação e embalagem de uma instalação industrial.
A linha dinamarquesa procura preservar o tijolo inteiro para que ele retorne a novas obras com aparência original e qualidade verificada.
Máquina vibra argamassa e limpa tijolos sem usar água
A tecnologia patenteada da Gamle Mursten utiliza vibração mecânica para raspar a argamassa presa à superfície dos tijolos. O movimento remove o material antigo sem depender de banho químico.
A etapa também não utiliza água nem produtos químicos. Com isso, a limpeza acontece por ação física, mantendo o processo concentrado na retirada da argamassa e na preservação das peças.
Depois da vibração, os tijolos seguem para a inspeção. A limpeza não encerra o trabalho, pois cada unidade ainda precisa ser avaliada antes de entrar em um lote para construção.
Argamassa de cal ou cimento muda o resultado da reciclagem
A Gamle Mursten, empresa dinamarquesa de reaproveitamento de tijolos, orienta que construções anteriores a 1960 costumam ter argamassa de cal. Esse material facilita a separação dos tijolos durante a demolição e a limpeza.
A argamassa é o material que mantém os tijolos unidos. Quando ela é feita de cimento, pode ser mais dura que a própria peça e apresentar comportamento diferente da argamassa de cal, aumentando o risco de danos durante a retirada.
Por esse motivo, os tijolos passam por testes antes do início da limpeza. Peças unidas por cimento só entram no processo quando conseguem se separar individualmente.
Tijolos de chaminés com fuligem não podem ser reciclados. O estado da peça e o cuidado usado na demolição definem o quanto poderá ser recuperado.
Trabalhadores testam e separam os tijolos antes da marcação CE
A automação não elimina a avaliação humana. Depois da limpeza, trabalhadores analisam a qualidade, o tipo e a cor dos tijolos, retirando peças que não atendem ao padrão do lote.
A marcação CE aparece após a limpeza, os testes e o controle de qualidade. Ela identifica o material como um produto preparado para voltar à construção.
A taxa de reaproveitamento direto chega a 65% quando os tijolos não sofrem danos durante a demolição. As peças que não podem ser usadas inteiras podem ser cortadas em placas de 25 mm.
Esse aproveitamento adicional eleva o uso do material recebido para até 80%. Meios tijolos também podem ser limpos e empilhados para formar paredes com diferentes tons e acabamentos.
Robô empilha por cor e prepara lotes para novas obras
Após a triagem, os tijolos entram em uma esteira que conduz as peças até um robô. O equipamento separa, empilha e embala os lotes por cor e conforme as necessidades do comprador.
A classificação ajuda a organizar o mercado de construção reutilizada, no qual a aparência do tijolo antigo pode fazer parte do projeto. O resultado são lotes prontos para armazenamento e entrega.
O custo da limpeza, da separação e do armazenamento é calculado em cada caso. A solução pode ser mais barata que a compra de tijolos novos, embora o valor dependa das condições do material recebido.
O robô acelera a organização final, mas o processo continua dependente da triagem correta, da inspeção dos trabalhadores e da escolha adequada dos tijolos.
A máquina dinamarquesa mostra que uma demolição não precisa terminar com todo o material transformado em entulho. Com retirada cuidadosa, vibração e controle de qualidade, muitos tijolos podem retornar à construção.
O resultado também apresenta um limite importante: argamassa de cimento, fuligem, impactos e peças danificadas reduzem a possibilidade de reaproveitamento. A tecnologia ajuda, mas não recupera qualquer tijolo em qualquer condição.
Você aceitaria usar tijolos de demolição em uma casa sabendo que cada peça foi limpa, testada e separada antes de voltar à construção?
Fonte
Gamle Mursten
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

