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Torre brutalista de 17 andares erguida em apenas 18 dias com concreto despejado sem parar começa a ser desmontada em seções numa operação planejada para durar 10 meses

Torre brutalista de 17 andares erguida em apenas 18 dias com concreto despejado sem parar começa a ser desmontada em seções numa operação planejada para durar 10 meses

5 min de leitura

Torre brutalista de 17 andares erguida em apenas 18 dias com concreto despejado sem parar começa a ser desmontada em seções numa operação planejada para durar 10 meses

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 26/08/2026 às 17:55

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Crosley Tower, construída em 1969 na Universidade de Cincinnati

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A Crosley Tower, construída em 1969 na Universidade de Cincinnati, virou um marco do brutalismo por seu bloco de concreto integrado, mas a fachada deteriorada e as limitações de uso levaram a uma desmontagem lenta e controlada

Foram necessários apenas 18 dias para erguer os 17 andares da Crosley Tower, mas sua retirada do campus deve consumir cerca de 10 meses. A diferença entre os dois prazos resume a história incomum dessa torre brutalista construída em 1969, na cidade de Cincinnati, nos Estados Unidos.

O prédio nasceu com concreto despejado continuamente, durante as 24 horas do dia. Em 2026, a mesma estrutura passou a ser retirada em partes planejadas por engenheiros. As informações foram divulgadas pela University of Cincinnati, universidade que administra o campus e o edifício.

A concretagem que não podia parar exigiu trabalho durante as 24 horas do dia

A Crosley Tower foi construída com uma técnica de concretagem contínua. Em vez de concluir uma parte, esperar o material endurecer e depois retomar o serviço, as equipes despejavam concreto sem interrupção enquanto os moldes subiam lentamente.

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Esses moldes funcionavam como paredes temporárias que davam forma ao concreto ainda úmido. À medida que a torre crescia, eles eram elevados, permitindo que o trabalho avançasse para o pavimento seguinte sem interromper a formação da estrutura.

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A continuidade era tão importante que a universidade dedicou tempo à obtenção de cláusulas contra greves com as empresas contratadas. Uma paralisação ou uma falha no fornecimento impediria manter o concreto em movimento, mas o trabalho terminou sem a interrupção temida.

Dezessete andares em 18 dias transformaram a obra em uma operação incomum

O método permitiu que o corpo de concreto dos 17 pavimentos fosse erguido em apenas 18 dias. O professor emérito de geociências Warren Huff acompanhou a colocação do material a partir de seu escritório durante quase três semanas.

A rapidez veio do avanço permanente dos moldes e do despejo de material sem pausas. Durante os 18 dias, a concretagem seguiu dia e noite até erguer os 17 andares da torre.

O desenho também fugia do formato de uma torre comum. Os pavimentos de concreto subiam juntos em quatro alas, formando um conjunto simétrico, com grandes paredes aparentes e uma borda saliente no alto que lembrava uma torre de xadrez.

O projeto foi criado pelo arquiteto Charles Burchard. A torre recebeu o nome de Powel Crosley Jr., ex aluno da universidade e inventor do rádio Crosley.

A torre brutalista virou meme e dividiu opiniões dentro do campus

O concreto exposto, as formas pesadas e a quase ausência de decoração colocaram a Crosley Tower entre os exemplos mais reconhecíveis da arquitetura brutalista. Esse estilo utiliza materiais aparentes, como concreto e aço, em construções de grande presença visual.

Para parte do público, o prédio parecia feio, rígido e difícil de adaptar. Para seus admiradores, a estrutura era monumental, simétrica e impossível de confundir com qualquer outra construção do campus.

Anna Hargan, ex-aluna que trabalha com arquitetura, estudou a história do edifício em sua dissertação de mestrado e observou que ele havia se tornado uma espécie de meme. Sua aparência reconhecível alimentava piadas, críticas e demonstrações inesperadas de carinho.

Mesmo entre os críticos surgiu uma ligação afetiva. Durante 57 anos, a torre recebeu estudantes e pesquisadores de química, sociologia, física, geociências e biologia, além de permanecer visível a partir de diferentes pontos de Cincinnati.

A fachada deteriorada passou a representar um problema de segurança

A retirada não foi motivada apenas pela aparência que dividia opiniões. A fachada em deterioração criou uma questão de segurança, enquanto a organização interna do prédio recebia críticas frequentes por limitar seu uso.

A fachada deteriorada passou a representar um problema de segurança

Antes da desmontagem, professores deixaram escritórios, salas de aula e laboratórios da torre e passaram a usar outros espaços. A University of Cincinnati, universidade responsável pelo campus onde fica a torre, detalhou a transferência para Clifton Court Hall, Rieveschl Hall e o edifício Old Chemistry reformado.

A profissional de arquitetura Anna Hargan também observa que muitos edifícios brutalistas do período estão desaparecendo por serem considerados difíceis de adaptar às necessidades atuais.

O caso mostra como uma construção pode parecer sólida e, ao mesmo tempo, deixar de atender às funções esperadas. Na Crosley Tower, a grande quantidade de concreto não eliminou os problemas na parte externa nem facilitou a adaptação do interior.

Como desmontar um monólito de concreto ao longo de 10 meses

A torre se comporta como um monólito, palavra usada para uma estrutura formada como uma grande peça integrada. A universidade contratou a empresa internacional de construção Skanska para supervisionar a demolição, com participação da O’Rourke Wrecking Company e da empresa de engenharia THP Limited.

O desenho singular, com pavimentos unidos em quatro alas, levou as equipes a adotar uma desmontagem em seções definidas por engenharia, em vez de derrubar a torre de uma só vez. A retirada gradual busca reduzir o impacto sobre a vizinhança e manter o controle durante a operação. A demolição iniciada em 2026 tem duração planejada de aproximadamente 10 meses.

A Crosley Tower caminha para o fim marcada por um contraste difícil de ignorar. A técnica que acelerou sua construção criou um edifício tão integrado que, décadas depois, remover a torre exige uma sequência lenta, calculada e dividida em partes.

Ao fim da operação, o campus perderá uma construção que foi alvo de críticas, estudos e lembranças durante gerações. Ao mesmo tempo, a desmontagem expõe um desafio comum a prédios antigos: preservar uma obra singular ou substituir a construção quando segurança e uso já não atendem às necessidades do local.

Você considera a Crosley Tower um marco da arquitetura ou um prédio que realmente precisava sair do campus? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a história.

Fonte

University of Cincinnati


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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