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Traficada da Rússia ainda filhote e explorada por 20 anos num circo do Maranhão, a ursa Marsha derretia de calor num zoológico de Teresina comendo ração de cachorro, até um abaixo-assinado de 238 mil pessoas levá-la de avião a um santuário paulista, onde renasceu com o nome de Rowena
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 20/08/2026 às 10:27
Atualizado em 20/08/2026 às 10:28
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Marsha, ursa-parda que passou cerca de 20 anos explorada em um circo do Maranhão, vivia no Parque Zoobotânico de Teresina, sob temperaturas de até 40ºC e recebendo ração para cães. Após mobilização de mais de 50 mil pessoas, foi transferida para um santuário em Joanópolis, no interior de São Paulo.
Marsha passou cerca de duas décadas sendo explorada em um circo do interior do Maranhão, onde, segundo ativistas, era obrigada a executar truques para receber alimento. Depois de abandonada, foi parar no Parque Zoobotânico de Teresina, no Piauí, onde enfrentava temperaturas que podiam chegar aos 40ºC e era alimentada com comida de cachorro.
Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles em 19 de dezembro de 2018, o resgate mobilizou grupos de proteção animal, veterinários e milhares de pessoas nas redes sociais. A transferência até o interior de São Paulo ocorreu em setembro daquele ano, durou quatro dias e teve até problemas técnicos no avião da Força Aérea Brasileira usado na operação.
Cerca de 20 anos em circo deixaram sequelas no comportamento de Marsha
A passagem pelo circo marcou profundamente a ursa-parda. De acordo com os relatos reunidos pelos ativistas, Marsha passou aproximadamente 20 anos em cativeiro no Maranhão, condicionada a realizar apresentações em troca de comida.
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O efeito daquela rotina ainda apareceu no momento do resgate. Quando ativistas e veterinários entraram no alojamento, a ursa ficou assustada e começou a dançar, repetindo um comportamento associado aos truques que havia sido obrigada a executar durante anos.
Depois do circo, ursa foi parar no calor de até 40ºC de Teresina
Após ser abandonada, Marsha viveu durante anos no Parque Zoobotânico de Teresina, enfrentando condições climáticas muito diferentes das adequadas para o animal, segundo as organizações envolvidas na campanha.
A capital piauiense pode registrar temperaturas de até 40ºC. Órgãos de defesa animal e organizações da sociedade civil também denunciavam que Marsha recebia comida destinada a cachorros durante o período no zoológico.
“Ursa mais triste do mundo” virou símbolo da campanha pelo resgate
As imagens e denúncias sobre as condições em que Marsha vivia começaram a circular amplamente e fizeram o animal ficar conhecido como “a ursa mais triste do mundo”.
A situação mobilizou defensores dos animais em diferentes partes do país. O objetivo era retirar Marsha do zoológico de Teresina e levá-la para uma estrutura que pudesse oferecer mais espaço e condições diferentes das enfrentadas durante os anos de confinamento.
Mais de 50 mil pessoas participaram da mobilização nas redes
A campanha ganhou força com mais de 50 mil pessoas mobilizadas nas redes sociais, segundo a reportagem. Uma petição on-line tornou-se parte da pressão para conseguir autorização para a retirada da ursa.
A mobilização também teve uma consequência jurídica importante. Os ativistas conseguiram reverter decisões judiciais anteriores que impediam a transferência, fundamentadas no risco de traumas durante a viagem e na adaptação do animal a um novo ambiente.
Decisões judiciais anteriores impediam a retirada da ursa
Antes da autorização, havia o entendimento de que o próprio deslocamento poderia provocar problemas para Marsha. Entre as preocupações estavam os possíveis traumas causados pelo transporte e a necessidade de adaptação a outro espaço.
A atuação das organizações de proteção animal e a petição ajudaram a mudar esse cenário. Com a liberação, começou uma operação que precisaria levar a ursa da capital do Piauí até Joanópolis, no interior paulista.
Viagem até São Paulo durou quatro dias e teve problemas com avião da FAB
A transferência de Marsha levou quatro dias. O planejamento sofreu atrasos por causa de informações desencontradas e de problemas técnicos na aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) utilizada para transportar o animal.
O avião levaria a ursa de Teresina para São Paulo, onde ela seguiria para sua nova moradia. A complexidade da operação exigiu acompanhamento de equipes técnicas durante o percurso.
Santuário em Joanópolis ofereceu 600 m², piscina e caverna
O destino definido para Marsha foi o Santuário dos Gnomos, em Joanópolis, no interior de São Paulo. No local, ela passou a dispor de um recinto com aproximadamente 600 metros quadrados.
O novo espaço incluía piscina e caverna, estruturas completamente diferentes do alojamento que havia ocupado em Teresina. A transferência marcou o encerramento de uma longa etapa iniciada nos anos de exploração circense.
Marsha ganhou novo nome depois de chegar ao santuário
No Santuário dos Gnomos, a ursa recebeu também um novo nome: Rawena. A mudança buscava romper a associação com os anos de truques e agressões sofridos anteriormente.
A nova identidade acompanhou a entrada em um ambiente onde ela passou a ter mais espaço e estruturas próprias para sua permanência. O resgate tornou-se posteriormente o tema de um curta-metragem sobre toda a mobilização.
Documentário registrou bastidores da operação de resgate
O documentarista brasiliense Vinícius Moreira acompanhou as equipes envolvidas e registrou os bastidores da transferência. O material resultou em um curta-metragem produzido pela agência Cobra Criada.
O projeto começou com a proposta de documentar o trabalho técnico, mas ganhou outra dimensão durante o acompanhamento do caso. Vinícius afirmou ter percebido a importância de mostrar ao público o poder da mobilização e do engajamento das pessoas em situações como aquela.
Carolina Mourão participou da mobilização que retirou Marsha de Teresina
A presidente da Confederação Brasileira de Proteção Animal, Carolina Mourão, participou do resgate e aparece entre as personagens do documentário.
Carolina afirmou que o registro mostrava a força do trabalho desenvolvido pelos ativistas e disse que a luta continuaria para tentar retirar outros animais de situações semelhantes.
Levantamento apontava pelo menos outros dez ursos em condições semelhantes
Segundo Carolina Mourão, um levantamento identificava pelo menos dez ursos vivendo em situações semelhantes à enfrentada por Marsha.
Entre eles estavam Kátia e Dimas, mantidos no Zoológico São Francisco de Canindé, no Ceará. Os ativistas acreditavam que Dimas poderia ser irmão de sangue da ursa retirada do Piauí.
Ativistas preparavam novo resgate para Kátia e Dimas no Ceará
A mobilização em torno de Marsha não encerrou o trabalho das organizações. Carolina afirmou que os grupos já preparavam uma tentativa de resgate de Kátia e Dimas.
Na época, porém, o governo do Ceará havia apresentado um parecer afirmando que os animais estavam adaptados ao calor e ao espaço restrito. Os ativistas pretendiam recorrer à Justiça para pedir avaliação de um especialista autônomo com conhecimento específico sobre ursos.
Resgate levou Marsha do zoológico de Teresina para um santuário paulista
A operação de setembro de 2018 encerrou uma etapa de anos de confinamento para a ursa. Depois de cerca de 20 anos de exploração circense e da passagem pelo Parque Zoobotânico de Teresina, Marsha chegou ao Santuário dos Gnomos, em Joanópolis.
No novo espaço, rebatizada de Rawena, passou a contar com aproximadamente 600 m², piscina e caverna. O caso continuou repercutindo por meio do documentário de Vinícius Moreira e das campanhas que buscavam repetir a mobilização com outros ursos mantidos em condições semelhantes.
Para você, mobilizações populares e abaixo-assinados podem fazer diferença na retirada de animais selvagens mantidos por anos em condições inadequadas? Deixe sua opinião nos comentários.
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ursa Marsha
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

