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Transpetro aposta em etanol, navios dual-fuel e energia em terra para reduzir emissões da frota em até 30%
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 22/08/2026 às 16:58
Atualizado em 22/08/2026 às 17:06
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Plano de descarbonização apresentado na Navalshore 2026 reúne eficiência energética, combustíveis alternativos, conexão elétrica nos portos e monitoramento digital; primeiros navios devem chegar a partir de 2028
A Transpetro pretende reduzir em até 30% as emissões de sua nova frota de navios enquanto amplia a capacidade de transporte marítimo. Para alcançar essa meta, a companhia prepara embarcações com motores mais eficientes, capacidade dual-fuel, conexão elétrica em terra e sistemas digitais de monitoramento.
O plano foi detalhado por Jones Soares, diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, durante a Navalshore 2026, feira que reuniu cerca de 180 expositores e destacou R$ 13,8 bilhões em contratos para novas embarcações. A 20ª edição do evento ocorreu entre 18 e 20 de agosto de 2026, no ExpoRio Cidade Nova, no Rio de Janeiro, conforme a programação oficial da Navalshore.
A estratégia contempla tanto a frota atualmente em operação quanto os novos navios encomendados pela subsidiária da Petrobras. Dessa forma, soluções já utilizadas nas embarcações existentes poderão ser ampliadas e incorporadas ainda durante a construção das novas unidades.
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“Já na frota existente e para a frota nova, nós estamos com um plano de descarbonização em andamento. Para a frota nova, essas medidas serão ampliadas ainda mais”, afirmou Jones Soares.
Além de diminuir o consumo de combustível, o plano busca evitar que o crescimento da capacidade logística provoque uma elevação equivalente nas emissões de gases de efeito estufa.
Navios dual-fuel poderão utilizar etanol como combustível
Um dos principais eixos da estratégia é a adoção de navios dual-fuel. Na prática, essas embarcações terão condições de operar com combustíveis marítimos convencionais e alternativas de menor intensidade de carbono.
Entre as opções avaliadas, a Transpetro aposta especialmente no etanol, combustível produzido em larga escala no Brasil. A escolha pode aproveitar a experiência brasileira na produção de biocombustíveis e, ao mesmo tempo, estimular uma nova cadeia de abastecimento para a indústria marítima.
“Nossos navios novos serão dual-fuel, ou seja, terão capacidade de utilizar o combustível tradicional e também um combustível mais sustentável. E aquele que nós defendemos, por ser muito forte na economia brasileira, é o etanol”, explicou o diretor.
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A flexibilidade operacional permitirá que a companhia avance gradualmente na transição energética sem depender exclusivamente de uma única alternativa. Entretanto, o uso comercial do etanol em larga escala exigirá estruturas adequadas de armazenamento, distribuição e abastecimento nos portos.
A utilização desse combustível integra um projeto mais amplo de modernização. Conforme apresentado anteriormente pelo CPG, a Transpetro prepara uma nova frota de 25 navios com inteligência artificial, gêmeos digitais e motores preparados para etanol e metanol.
O avanço também poderá abrir oportunidades para fabricantes, estaleiros e prestadores de serviços. Durante a feira, um programa da Firjan SENAI aproximou pequenos fornecedores da Transpetro, da Marinha do Brasil e de grandes estaleiros.
Shore power permitirá desligar geradores durante a permanência nos portos
Outra tecnologia prevista para os novos navios é o chamado shore power, ou conexão elétrica em terra. O sistema permite que a embarcação receba energia da rede enquanto permanece atracada.
Com isso, o navio pode reduzir o uso dos geradores de bordo durante operações portuárias. A solução diminui o consumo de combustível e também pode reduzir emissões atmosféricas, ruídos e impactos ambientais nas regiões próximas aos terminais.
Entretanto, o avanço do shore power não depende apenas das embarcações. Portos e terminais precisarão instalar equipamentos compatíveis, ampliar a infraestrutura elétrica e assegurar o fornecimento da energia necessária.
“Toda a infraestrutura precisa se adaptar para que esses novos combustíveis e essas novas tecnologias estejam disponíveis. Alguns equipamentos necessitam que a estrutura existente no navio seja espelhada em terra”, destacou Jones Soares.
O plano também considera propulsão híbrida, recuperação de calor e, em etapas posteriores, sistemas de propulsão assistida pelo vento. As soluções poderão ser combinadas conforme o porte, o perfil operacional e as rotas de cada embarcação.
A eletrificação ganhou espaço em diferentes apresentações da feira. Entre as tecnologias levadas ao evento estavam sistemas de propulsão diesel-elétrica, baterias marítimas e motores voltados à eficiência operacional.
Novos navios da Transpetro podem emitir até 30% menos
Os primeiros navios da nova geração devem começar a chegar entre 2028 e 2029, conforme o cronograma apresentado pela Transpetro. A companhia estima que essas embarcações poderão emitir até 30% menos que os navios atualmente em operação.
A redução deverá resultar da integração de diferentes recursos, incluindo motores e propulsores mais eficientes, menor consumo de energia, combustíveis alternativos e sistemas digitais de controle.
Além disso, a estratégia busca ampliar a quantidade de carga movimentada sem aumentar na mesma proporção o consumo de combustível. Assim, a companhia pretende melhorar a eficiência por tonelada transportada e fortalecer sua atuação logística dentro do Sistema Petrobras.
A economia de combustível também deverá contribuir para a redução dos custos operacionais. Contudo, os resultados dependerão das características de cada navio, das rotas percorridas, da disponibilidade dos combustíveis e da infraestrutura instalada nos terminais.
Dados serão usados para melhorar o desempenho energético
A digitalização representa o terceiro eixo do plano de descarbonização da Transpetro. Sistemas de monitoramento permitirão acompanhar consumo, velocidade, condições de navegação e desempenho dos equipamentos durante toda a operação.
Com essas informações, a companhia poderá ajustar rotas, identificar desperdícios, antecipar necessidades de manutenção e manter cada embarcação em uma faixa mais eficiente de funcionamento.
A estratégia está organizada em três frentes. Primeiro, a Transpetro pretende reduzir a quantidade de energia necessária para movimentar os navios. Depois, busca ampliar as opções de combustível. Finalmente, utilizará dados para melhorar continuamente o desempenho energético e ambiental.
Portanto, a redução das emissões do transporte marítimo exigirá uma transformação que ultrapassa a construção das embarcações. Estaleiros, fabricantes, empresas de tecnologia, produtores de combustíveis, portos e operadores precisarão investir de maneira coordenada.
Essa articulação ganhou uma frente internacional durante a Navalshore, que aproximou investidores estrangeiros de estaleiros e fornecedores diante de mais de US$ 20 bilhões em oportunidades projetadas até 2030.
Para Jones Soares, os investimentos podem gerar benefícios que vão além das operações da companhia. “É bom para o navio, é bom para o porto, é bom para a cidade, é bom para o país e é bom para o planeta”, resumiu.
Tags
NavalShoreTranspetro
Fonte
Transpetro
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

