Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Transpetro prepara frota de 25 navios inteligentes com IA, gêmeo digital e motores preparados para etanol e metanol

Transpetro prepara frota de 25 navios inteligentes com IA, gêmeo digital e motores preparados para etanol e metanol

RJ

10 min de leitura

Transpetro prepara frota de 25 navios inteligentes com IA, gêmeo digital e motores preparados para etanol e metanol

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 20/08/2026 às 14:04

Atualizado em 20/08/2026 às 14:22

Assista o vídeo
Transpetro prepara frota de 25 navios inteligentes com inteligência artificial, gêmeo digital e tecnologias de eficiência energética

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Programa Mar Aberto prevê embarcações conectadas, manutenção preditiva, treinamento virtual e menor consumo de combustível para reforçar a logística marítima brasileira

A Transpetro está preparando uma nova geração de embarcações para mudar a forma como transporta combustíveis e atende às operações offshore. No recorte apresentado durante a 20ª edição da Navalshore, no Rio de Janeiro, são 25 navios equipados com tecnologias digitais, sistemas de eficiência energética e preparação para combustíveis de menor intensidade de carbono.

Os detalhes foram apresentados por Jones Alexandre Barros Soares, diretor de Transporte Marítimo da companhia. Os contratos dos quatro navios Handy e dos nove aliviadores Suezmax DP2 também aparecem nas informações financeiras oficiais da Transpetro. A estratégia faz parte do Programa Mar Aberto, iniciativa mais ampla do Sistema Petrobras para renovar sua estrutura logística.

A modernização ganhou destaque na Navalshore 2026, que reuniu empresas, estaleiros, fornecedores e representantes do setor marítimo. Além das encomendas, a feira apresentou soluções de automação, inteligência artificial, eletrificação e manutenção preditiva.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Assista o vídeo

Para a Transpetro, renovar a frota não significa apenas comprar navios mais modernos. A decisão também procura reduzir a exposição ao mercado internacional de afretamento, melhorar a disponibilidade operacional e proteger o abastecimento diante de crises geopolíticas.

Conflitos internacionais, aumento dos fretes e interrupções nas cadeias de suprimentos podem dificultar a contratação de embarcações no exterior. Uma frota própria ou controlada por contratos de longo prazo oferece maior previsibilidade para transportar petróleo, derivados, biocombustíveis e gases pelo país.

Recorte apresentado pela Transpetro reúne quatro tipos de navios

As diferentes frentes detalhadas durante a apresentação somam 25 embarcações. O conjunto inclui quatro navios Handy, oito gaseiros, quatro petroleiros MR1 e nove navios aliviadores com posicionamento dinâmico.

Os quatro navios da classe Handy serão construídos no Brasil pelo consórcio formado pelo Estaleiro Rio Grande e pelo estaleiro Mac Laren. O aço das primeiras unidades já teria chegado ao complexo industrial, onde começou o trabalho de preparação e jateamento das chapas.

O Estaleiro Rio Grande também aparece em uma carteira que reúne 13 embarcações da Transpetro. O CPG mostrou recentemente que o polo concilia a reciclagem da plataforma P-33 com a construção de quatro navios Handy, cinco gaseiros e quatro petroleiros MR1.

Na área de transporte de gases, estão previstos oito navios pressurizados e semirrefrigerados. Segundo a apresentação, cinco serão construídos no Brasil e três na China. Essas embarcações serão utilizadas principalmente na movimentação de gases liquefeitos.

Outros quatro navios MR1, com capacidade aproximada de 40 mil toneladas de porte bruto, devem ser construídos em território nacional. A licitação para essas unidades prevê embarcações destinadas ao transporte de petróleo e derivados pela costa brasileira.

A frota será completada por nove shuttle tankers Suezmax DP2, contratados por afretamento e construídos na Coreia do Sul. Apesar da fabricação no exterior, a previsão é que os navios sejam operados por tripulações brasileiras.

Total de imagens
7

Navios aliviadores ligarão plataformas e terminais em terra

Os shuttle tankers, também conhecidos como navios aliviadores, retiram o petróleo produzido por plataformas e unidades do tipo FPSO. Depois, transportam essa carga até terminais terrestres ou outros pontos da cadeia logística.

Esse trabalho exige estabilidade. Durante a transferência do óleo, o navio precisa permanecer próximo da unidade produtora mesmo com a ação de ondas, ventos e correntes marítimas.

O sistema DP2 de posicionamento dinâmico utiliza sensores, computadores e propulsores para corrigir automaticamente a posição e o aproamento da embarcação. A tecnologia reduz os riscos durante o carregamento em alto-mar.

Os nove navios contratados somam aproximadamente 1,35 milhão de toneladas de porte bruto. Como o CPG já mostrou, a entrada dessas unidades poderá dobrar a capacidade de alívio da Transpetro até 2028.

Além de ampliar a capacidade, os novos aliviadores devem contar com motores de baixa emissão, conexão elétrica em terra e sistemas automáticos para controlar o consumo de energia.

Novos navios funcionarão como plataformas digitais conectadas

Uma das maiores mudanças estará na forma de administrar as embarcações. Em vez de depender somente de documentos estáticos e inspeções realizadas em intervalos fixos, os navios serão tratados como plataformas digitais conectadas.

A estrutura reunirá informações de engenharia, navegação, manutenção, consumo de combustível, logística e desempenho ambiental. Esses dados acompanharão a embarcação desde a construção até as diferentes fases de sua vida operacional.

Entre as tecnologias previstas estão conexão por satélite, sensores, telemetria, imagens em 360 graus, nuvens de pontos e inspeção remota. Veículos operados remotamente também poderão ajudar a verificar áreas de difícil acesso.

Os dados coletados serão enviados para sistemas de acompanhamento a bordo e em terra. Assim, as equipes poderão observar mudanças no comportamento dos equipamentos sem esperar necessariamente pela próxima inspeção presencial.

Se uma bomba começar a apresentar vibração fora do padrão, por exemplo, o sistema poderá registrar a mudança e cruzá-la com o histórico operacional. A equipe terá mais tempo para investigar a causa e programar a intervenção.

Essa lógica é a base da manutenção preditiva. Em vez de trocar uma peça cedo demais ou esperar que ela quebre, a companhia procura encontrar o momento mais seguro e econômico para realizar o serviço.

Gêmeo digital permitirá testar intervenções antes do trabalho real

Entre os recursos apresentados está o gêmeo digital, uma representação virtual do navio alimentada por dados coletados na embarcação real. O modelo não será apenas uma imagem tridimensional usada durante o projeto.

À medida que sensores enviarem informações sobre temperatura, vibração, corrosão, consumo e funcionamento dos equipamentos, a cópia virtual poderá refletir mudanças observadas no navio.

Engenheiros poderão usar esse ambiente para testar cenários, planejar reparos e estudar a retirada de componentes. Também será possível avaliar antecipadamente se determinada intervenção poderá afetar outros sistemas.

Uma manutenção em espaço de acesso limitado, por exemplo, poderá ser planejada virtualmente antes da mobilização da equipe. Isso ajuda a definir ferramentas, sequência de trabalho e medidas de segurança.

A inteligência artificial entrará nesse processo para identificar padrões em grandes volumes de dados. Ela poderá indicar comportamentos anormais ou tendências que passariam despercebidas em uma análise isolada.

Isso não significa que os sistemas tomarão todas as decisões sozinhos. As recomendações deverão servir de apoio para engenheiros, técnicos, comandantes e profissionais responsáveis pela segurança da operação.

Monitoramento em terra dará suporte mais rápido às tripulações

A Transpetro já utiliza um Centro de Acompanhamento de Navios para monitorar informações relacionadas à navegação e à segurança. O novo modelo pretende ampliar essa integração para a manutenção.

Com acesso remoto aos dados, especialistas em terra poderão auxiliar as equipes embarcadas na análise de falhas. A medida reduz o tempo necessário para reunir informações e buscar apoio técnico.

Imagens em 360 graus e modelos tridimensionais também poderão facilitar a comunicação. Em vez de explicar um problema apenas por telefone ou mensagem, o tripulante poderá indicar o ponto exato no modelo virtual.

Esse acompanhamento tende a ser especialmente útil em viagens longas ou operações offshore, quando o navio está distante de oficinas e bases de manutenção.

O objetivo não é substituir a tripulação, mas oferecer ferramentas para que ela tome decisões com mais informação. Uma orientação antecipada pode impedir que uma falha pequena evolua para uma parada não programada.

Tripulantes poderão conhecer o navio antes do primeiro embarque

O ambiente digital também será usado no treinamento dos profissionais. Antes de entrar fisicamente no navio, os tripulantes poderão conhecer compartimentos, equipamentos, rotas de circulação e procedimentos de emergência.

Os treinamentos combinarão modelos tridimensionais, cenários fotorrealistas, navegação em 360 graus e instruções contextualizadas. A experiência poderá ser adaptada às funções de cada integrante da equipe.

Um profissional de manutenção poderá praticar a retirada virtual de um componente. Já equipes de emergência poderão simular vazamentos, incêndios ou falhas de energia sem criar riscos para pessoas e equipamentos reais.

O treinamento antecipado ajuda a reduzir o período de adaptação a bordo. Também permite padronizar procedimentos entre diferentes equipes e avaliar o aprendizado antes de uma atividade crítica.

Outra vantagem é diminuir a necessidade de parar equipamentos reais apenas para capacitação. Os sistemas virtuais permitem repetir um procedimento várias vezes sem afetar a operação do navio.

Eficiência energética começa antes de o navio entrar na água

A estratégia ambiental da Transpetro não depende de uma única solução. A companhia pretende combinar menor consumo de energia, digitalização e flexibilidade de combustíveis.

Os navios devem receber propulsores otimizados, geradores de eixo, bombas elétricas controladas por inversores de frequência e revestimentos de menor atrito. Cada tecnologia contribui de maneira diferente para reduzir o consumo.

Os revestimentos aplicados ao casco ajudam a diminuir a resistência durante a navegação. Já os sistemas automáticos podem ajustar equipamentos conforme a condição de carga e a velocidade necessária.

Os motores também seguirão limites mais rigorosos para as emissões de óxidos de nitrogênio. A redução desses poluentes é particularmente importante em regiões portuárias e áreas próximas às cidades.

Outra solução prevista é o shore power, sistema que conecta o navio à rede elétrica do terminal enquanto ele permanece atracado. Com isso, os geradores de bordo podem ser desligados ou operar por menos tempo.

A conexão reduz consumo de combustível, ruído e emissões no porto. O benefício, porém, depende da disponibilidade de infraestrutura elétrica compatível nos terminais utilizados pela embarcação.

Aliviadores poderão ser 30% mais eficientes

Os projetos deverão atender ao padrão EEDI Fase 3, que estabelece requisitos de eficiência energética para novas embarcações. O índice relaciona a emissão estimada de dióxido de carbono à capacidade de transporte do navio.

Segundo os dados apresentados na Navalshore, os novos aliviadores poderão ser até 30% mais eficientes do que projetos desenvolvidos há aproximadamente 15 anos.

Esse ganho não depende apenas do motor. Formato do casco, propulsão, automação, peso, revestimento e planejamento operacional também interferem no resultado.

A economia se torna relevante porque os navios permanecem em operação por décadas. Uma pequena redução diária no consumo pode representar volumes expressivos de combustível ao longo da vida útil.

Além do impacto ambiental, gastar menos combustível reduz o custo operacional. Essa combinação explica por que eficiência e descarbonização passaram a ocupar espaço central nos novos projetos navais.

Projetos serão preparados para etanol e metanol

As novas embarcações devem receber a classificação Dual Fuel Ready. Isso indica que o projeto reservará condições técnicas para uma futura adaptação ou utilização de mais de um combustível.

Na prática, a classificação não significa necessariamente que todos os navios utilizarão etanol ou metanol desde a primeira viagem. Ela mostra que o projeto está sendo preparado para facilitar uma conversão futura.

Essa flexibilidade é importante porque ainda não existe uma solução única para descarbonizar o transporte marítimo. Disponibilidade, preço, segurança e infraestrutura de abastecimento variam entre os países.

O programa de renovação da frota apresentado pela Petrobras já previa navios capazes de substituir futuramente o combustível marítimo convencional por etanol ou metanol.

O etanol oferece uma possibilidade estratégica para o Brasil por já ser produzido em grande escala. O metanol, por sua vez, vem sendo estudado mundialmente como alternativa para reduzir as emissões da navegação.

Preparar os navios agora reduz o risco de obsolescência antes do fim de sua vida operacional. Uma embarcação costuma permanecer ativa durante décadas, período no qual regras ambientais e combustíveis disponíveis podem mudar bastante.

Programa Mar Aberto movimenta estaleiros e fornecedores brasileiros

A renovação acontece em um momento de retomada das encomendas navais e reconstrução da cadeia brasileira de fornecedores. Os investimentos não ficam restritos aos estaleiros que montarão os cascos.

Empresas de engenharia, automação, sistemas elétricos, equipamentos, manutenção e serviços digitais também podem participar da nova carteira. A digitalização abre espaço para fornecedores que antes não estavam diretamente ligados à construção naval.

Em junho de 2026, o CPG mostrou que a Petrobras projetava R$ 12 bilhões para construir 42 embarcações em Santa Catarina. A carteira integra o Programa Mar Aberto e envolve estaleiros de Itajaí e Navegantes.

Outra frente reúne investimentos em barcaças, empurradores, navegação interior e estaleiros. O conjunto ajuda a explicar por que o programa é maior do que o recorte de **

Tags

NavalShoreTranspetro

Fonte

Transpetro


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

Sair da versão mobile