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Três imigrantes abriram pequena fundição em Joinville para fabricar peça inédita no Brasil e, 88 anos depois, criaram a Tupy, multinacional de R$ 10,7 bilhões presente em mais de 40 países

Três imigrantes abriram pequena fundição em Joinville para fabricar peça inédita no Brasil e, 88 anos depois, criaram a Tupy, multinacional de R$ 10,7 bilhões presente em mais de 40 países

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Três imigrantes abriram pequena fundição em Joinville para fabricar peça inédita no Brasil e, 88 anos depois, criaram a Tupy, multinacional de R$ 10,7 bilhões presente em mais de 40 países

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 11/08/2026 às 23:18

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Registro histórico remete às origens da Tupy em Joinville, onde a empresa iniciou suas atividades em 1938 produzindo conexões de ferro maleável no Brasil.

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Empresa fundada em 1938 começou produzindo conexões de ferro maleável, avançou sobre motores, ferrovias e tecnologia industrial e terminou 2024 com receita bilionária e presença global

Uma pequena fundição aberta em Joinville, Santa Catarina, acabou se transformando em uma das maiores companhias industriais brasileiras.

A história começou em 9 de março de 1938, quando Albano Schmidt, Hermann Metz e Arno Schwartz fundaram a Tupy.

Naquela época, o Brasil ainda dependia do exterior para obter conexões de ferro maleável.

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O componente não era produzido nacionalmente, o que abriu espaço para a criação de uma fábrica voltada justamente a essa demanda.

Quase nove décadas depois, a antiga operação catarinense alcançou R$ 10,7 bilhões em receita anual e presença em mais de 40 países.

Dados institucionais da companhia também apontam aproximadamente 18 mil colaboradores e mais de 70% da produção destinada ao mercado externo.

Joinville acompanhou o crescimento da Tupy

A expansão industrial ganhou força em 1954, quando a empresa transferiu suas atividades para o parque fabril ligado à atual sede em Joinville.

O espaço acompanhou o crescimento da companhia e se tornou um dos principais centros de suas operações industriais.

Um novo avanço aconteceu em 1957, quando a Tupy assinou seu primeiro contrato para fornecer autopeças à Volkswagen do Brasil.

O acordo aproximou definitivamente a empresa da indústria automotiva nacional.

A nacionalização da produção de veículos abriu novas oportunidades para fabricantes brasileiros de componentes.

A Tupy passou, então, a ocupar espaço cada vez maior nesse mercado.

Formação profissional virou parte da estratégia industrial

A expansão das fábricas também criou a necessidade de trabalhadores especializados.

Hans Dieter Schmidt criou, em 1959, a Escola Técnica Tupy.

A instituição foi inspirada em um tradicional modelo suíço de formação voltado à fundição.

Muitos profissionais formados pela escola seguiram carreira dentro da própria empresa ou em outras indústrias da região.

Joinville, paralelamente, fortaleceu sua posição como importante polo metalúrgico e industrial brasileiro.

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Viviane Alves

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Produção deixou de ficar restrita às conexões de ferro

A diversificação ganhou velocidade durante as décadas seguintes.

A Tupy passou a produzir componentes destinados a tratores em 1963.

Um Centro de Pesquisas Tecnológicas foi criado em 1973 para desenvolver materiais e processos industriais.

A companhia entrou em outra etapa em 1976, quando iniciou a produção de blocos e cabeçotes de motores.

Esses componentes passaram a atender caminhões, máquinas agrícolas e outros veículos pesados.

O setor ferroviário também entrou no portfólio da companhia.

A empresa forneceu, nos anos 1980, aproximadamente três milhões de placas de apoio para a Estrada de Ferro Carajás.

A fabricação de virabrequins também começou naquele período.

Imagem ilustrativa recria o ambiente da antiga Fundição Tupy em Joinville, com instalações industriais, trabalhadores e componentes metálicos que remetem ao início da trajetória da empresa.

Década de 1990 mudou a escala da empresa

Uma transformação importante ocorreu em 1995.

BNDESPar, Previ, Telus, Aerus e Bradesco assumiram o controle acionário da companhia naquele período.

A Tupy também adquiriu a fundição da Mercedes-Benz.

Uma unidade moderna de usinagem começou a operar em Joinville no ano seguinte.

A estratégia de expansão continuou em 1998, quando a empresa comprou a fundição da Cofap, em Mauá, São Paulo.

A sequência de aquisições aumentou a capacidade produtiva e ampliou a presença da companhia no setor automotivo.

Tecnologia do ferro vermicular ampliou projeção internacional

O início dos anos 2000 marcou um dos avanços tecnológicos mais relevantes da trajetória da Tupy.

Depois de anos de pesquisa, a companhia avançou na produção em larga escala de blocos de motor fabricados em ferro vermicular, conhecido como CGI.

O material oferece elevada resistência mecânica e permite soluções voltadas à redução de peso.

Essas características passaram a ser importantes para motores utilizados em caminhões, máquinas agrícolas e equipamentos pesados.

A atuação da empresa também deixou de ficar concentrada exclusivamente em peças fundidas.

Serviços de usinagem, montagem, testes, protótipos e soluções de engenharia foram incorporados ao negócio.

Expansão internacional levou fábricas ao México

A internacionalização ganhou novo impulso em 2012.

Naquele ano, a Tupy adquiriu duas fábricas no México, localizadas em Saltillo e Ramos Arizpe.

Uma nova fundição também foi inaugurada em Joinville.

A companhia passou ainda a integrar o Novo Mercado da antiga BM&FBovespa, atual B3.

O movimento reforçou uma estratégia de crescimento baseada em escala industrial, internacionalização e governança corporativa.

Portugal e MWM abriram novas frentes de atuação

Outra etapa começou em 2021.

A empresa criou a ShiftT, aceleradora direcionada à inovação industrial.

A Tupy também fechou a compra das fundições da Stellantis localizadas em Betim, Minas Gerais, e Aveiro, Portugal.

A expansão continuou em 2022, quando a companhia adquiriu a MWM do Brasil.

A operação levou a empresa ao segmento de Energia & Descarbonização.

Soluções relacionadas à geração de energia, agronegócio e transição energética passaram a integrar essa nova frente.

Receita de R$ 10,7 bilhões mostra tamanho alcançado pela Tupy

Os resultados de 2024 mostram a dimensão atingida pela companhia.

A Tupy registrou R$ 10,7 bilhões em receita naquele ano.

O EBITDA ajustado alcançou o recorde de aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

A geração operacional de caixa chegou a cerca de R$ 1,4 bilhão.

As operações industriais passaram a incluir unidades no Brasil, México e Portugal.

Os componentes produzidos pela empresa abastecem fabricantes de caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, construção e sistemas de geração de energia.

Mais de 70% da produção é destinada ao exterior, alcançando aproximadamente 40 países.

De uma peça que o Brasil importava para uma multinacional global

A história da Tupy começou com um desafio relativamente simples: fabricar no Brasil uma peça que ainda precisava ser comprada no exterior.

O crescimento posterior levou a companhia para segmentos muito diferentes daquele mercado original.

Motores, tratores, ferrovias, caminhões, equipamentos pesados e soluções ligadas à energia passaram a integrar sua trajetória.

Joinville continuou ligada ao centro dessa expansão quase nove décadas depois.

A pequena fundição criada em 1938 passou, assim, a fornecer componentes industriais para dezenas de mercados ao redor do mundo.

Fontes: histórico institucional da Tupy; Tupy Relações com Investidores; Relatório de Sustentabilidade Tupy 2024; informações corporativas da Tupy e B3.

Uma empresa criada para substituir uma única peça importada conseguiu atravessar quase nove décadas e alcançar dezenas de países. Na sua opinião, qual foi o ponto mais decisivo para essa transformação: tecnologia, expansão internacional ou diversificação industrial?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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